quinta-feira, 15 de maio de 2008

E Portugal afunda, assume o Governo

O Governo prevê agora um crescimento de 1,5% em vez de 2,2%, anunciou o ministro das Finanças. E a inflação em vez de ficar nos 2,1% atingirá os 2,6%. A taxa de desemprego no primeiro trimestre deverá ser de 7,6%, em queda por causa do bom andamento que a actividade económica registou em 2007, na análise do ministro das Finanças.

Acelerar o investimento é a medida que Teixeira dos Santos aponta para contrariar este acentuado abrandamento da actividade económica em Portugal. Entre essa actuação deu relevo à execução de investimentos financiados pela União Europeia. E as exportações, espera-se serão o motor do fraco crecsimento esperado para este ano.

O ano de 2008 começa muito mal para os portugueses.
Sem margem de manobra no Orçamento do Estado, com a banca altamente endividada tal como as empresas e as famílias, não se consegue sequer perceber como é que se pode esperar um dinamismo do investimento por iniciativa privada.

2 comentários:

Daniel Conceição disse...

Infelizmente já se estava à espera de dificuldades. Preocupante é verificar a ausência de políticas para solucionar os problemas que irão aparecer. Salvo erro a economia portuguesa só produz emprego líquido quando o PIB cresce acima dos 3%, tradicionalmente tem sido o sector exportador o responsável pelo crescimento, mas estamos com um Euro muito forte (para as exportações extracomunitárias) e o principal parceiro comunitário (Espanha) também está com dificuldades. A nível da inflacção o futuro também não se afigura brilhante, porque vamos importar a inflacção dos produtos petrolíferos e dos bens alimentares. Pergunto-me se a Comissão Europeia não terá razão e não voltaremos já para o próximo ano aos déficites...
Mas ajudava que o Governo tomasse algumas medidas. Desde logo tratar de tornar célere o acesso aos fundos comunitários, é escandaloso que não se consiga investir por inépcia e inércia estatal e é ainda mais escandaloso que todos os anos sejam devolvidas à UE verbas por não terem sido gastas;
Aproveitar para, de uma vez por todas, resolver o problema da (in)justiça portuguesa. É impossível querer encontrar um investidor que esteja disposto a estar à mercê da morosidade da justiça portuguesa, maxime, no tocante aos direitos de crédito, em processos que se podem arrastar durante anos e anos, sem qualquer utilidade;
Já agora... Se calhar ainda iamos a tempo.... Nem que seja do próximo "afundanço"

Anónimo disse...

Cara Helena Garrido,

Isto estaa mesmo a pedir para que dogmas sejam revisitados. Depois de 7 anos assim, nao teremos que cuestionar os constrangimentos impostos a Portugal? Sabemos que empíricamente, todas as “growth” accelerations” estao associadas a choques positivos na taxa de cambio real efectiva, e aa resposta do sector exportador. Essas aceleracoes sao sustentaaveis na medida que os sectores transaacionaveis ganhem dinamismo e espaco na economia.

O problema nao estaa no déficit. Um déficit de 3% do PIB num estado tao grande nao representa qualquer problema de solvencia. Portugal nao estaa com o problema da Argentina, ou do Paquistao onde me encontro presentemente a trabalhar precisamente por causa de um déficit de 6% (ainda nao publicado) num Estado que apenas mobiliza receitas de 10% do PIB. Isto ee que ee um problema de solvencia.

O problema em Portugal estaa mesmo no excessivo peso do estado, que ee feito de despesas em bens e servicos nao transaaccionaaveis (onde o crescimento da produtividade ee normalmente menor), com mais capacidade de price-setting e pass-through de custos salariais. EE isto que esmagou o sector de transaaccionaaveis (onde o crescimento da produtividade ee normalmente maior). Mas nao no déficit.

A iniciativa individual responde com investimento atravees do acelerador. Estas imagens do estado a oprimir a iniciativa individual sao mesmo soo isso, imagens. Algum empresario digno desse nome perde uma oportunidade de fazer dinheiro porque se sente oprimido pelo estado?!?!?

Nao haa razao económica nenhuma para o Estado nao reduzir impostos agora e com isso (apenas limitado pela preferencia por importacoes, mas que ainda ee assim ee um soo um desafio ao design do pacote) dar um empurrao ao consumo (que nao afectaraa investimento atee que a capacidade unitilizada se extinga). Bem desenhado, esse corte fiscal pode mesmo ser direccionado aas empresas que arrisquem descubrir novos mercados (self-discovery do Hausmann). Assim, com crise económica ee que ee muito difícil fazer cortes na despesa… muito difícil…

Este problema de ajustamento da taxa de cambio real efectiva nao foi bem pensado durante a concepcao do pacto de estabilidade.

Cumprimentos
Joao Farinha