segunda-feira, 23 de julho de 2018

A entrevista de Mário Centeno no Público


Professores? "O OE é para todos os portugueses"
"O Orçamento é feito para nove milhões e meio de portugueses", Mário Centeno

"(...) em Junho de 2017 perguntou-se aos portugueses qual dos três eventos mais aumentavam a sua auto-estima: ganhar o campeonato europeu de futebol, a saída do Procedimento dos Défices Excessivos (PDE) ou ganharmos a Eurovisão. A resposta que teve mais escolhas dos portugueses foi a saída do PDE."

"A estimativa com que estamos a trabalhar para o aumento da despesa com pessoal no ano que vem [2019], neste quadro orçamental que é o que sai dos compromissos assumidos e do Programa de Estabilidade, é superior a 500 milhões de euros. Ou seja, estamos a falar de um crescimento que se aproxima dos 3%. São valores muito significativos.(...)"

“O pior erro de um ministro das Finanças é comprometer o mesmo euro duas vezes”

"(...)Agora, as razões principais pelas quais o investimento tem levado mais tempo a arrancar prendem-se com níveis reduzidos de execução de fundos europeus e o facto de muitos dos investimentos projectados requererem estudos e obras iniciais que estão em curso. (...)  Os grandes investimentos nos metros e na ferrovia são projectos que estão assumidos e que vão avançar."

"Em 2018, vamos ter um nível de cativações inferior ao de 2017?
O objectivo é cumprir o défice, que os serviços públicos funcionem e que haja verbas ao longo de todo o ano sem serem necessários orçamentos rectificativos.(...)"

"O Novo Banco vai precisar de novas injecções de capital?
(...) Se consigo fazer uma estimativa para o ano que vem? Neste momento ainda não é possível, não é uma informação o que o Ministério das Finanças tenha. Essa informação só se formará mais para o fim do ano ou com o fecho das contas."

Saúde: "Estamos a pôr os recursos e a sociedade espera que o SNS responda"

"(...) Estudos de opinião que têm sido feitos têm demonstrado que a maioria esmagadora dos portugueses está satisfeita e considera que o Sistema Nacional de Saúde (SNS) é suficiente, bom ou muito bom. Isto é verdade no estudo feito pela Aximage em Abril e, no passado fim-de-semana, uma sondagem de outro instituto diz que 80% dos portugueses estão satisfeitos, muito satisfeitos ou extremamente satisfeitos com o SNS. (...)"


"(...) Nós estamos a pôr os recursos e a sociedade como um todo está à espera que o SNS responda. Neste momento no SNS há mais 3400 médicos do que em 2011. Há mais 1670 enfermeiros do que em 2011. E não só em termos de números, mas também daquilo que são as suas condições de trabalho, desde logo com a redução da semana de trabalho para as 35 horas. (...)"

"(...) Esperamos também que, com a redução para as 35 horas, indicadores como o absentismo se reduzam. Se nós reduzirmos para metade a taxa de absentismo em algumas classes profissionais da Administração Pública, expandimos em mais de 7% o número de funcionários a trabalhar. (...)"


quarta-feira, 28 de março de 2018

Porque erraram as previsões em 2017 - a explicação do Banco de Portugal

"Uma avaliação das projecções para 2017" - o Banco de Portugal analisa as razões do erro da projecção económica que divulgou faz agora um ano para a evolução da economia em 2017. Inédita esta auto-análise e muito interessante. Sumarizando: a inesperada dinâmica do turismo e o investimento, especialmente relacionado com o aumento da confiança.

Tiago Varzim no Eco - O que surpreendeu o Banco de Portugal no PIB de 2017? -  faz uma interessante síntese da auto-análise do Banco de Portugal e contextualiza com os erros de outras instituições, incluindo do Governo. Um enorme surpresa para todos, o ano de 2017. 

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O regresso da austeridade e as desilusões

Na Antena 1 foi dia de falar sobre a austeridade. Regressou ou nunca desapareceu?

No Observador uma análise a esta mudança de discurso, do primeiro-ministro e do Presidente da República: afinal não há dinheiro para tudo. Nunca houve mas agora parece ser mais fácil para o Governo dizê-lo. 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

A Altice e o endividamento

Foi o tema das Contas do Dia na Antena 1: A Altice como exemplo de limites ao endividamento num dia em que a empresa voltou a  desvalorizar - vale agora menos de metade do que valia no início do mês.

Sobre o que se tem passado com a dona da PT vale a pena ler:
Altice Says It Has No Plan to Raise Cash Through Equity Sale

Altice’s humbled boss faces battle to restore investor confidence

Portugal antes e depois da crise em 5 minutos

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Sobre os professores


Na RTP na quinta-feira passada e esta manhã na Antena 1

Do passado aprendemos que cada vez que há uma crise, as carreiras dos professores são congeladas - entre 2003 e 2005 como reflexo da crise de 2003 e de 2011 a 2017 por causa desta última Grande Depressão.
O rendimento dos professores segue assim o ciclo económico.
Se não queremos andar no "congela/ descongela" é preciso enfrentar o problema. O que significa aceitar que o Estado não tem dinheiro para pagar o actual regime de carreiras - será melhor também para os professores que exista uma lei que se cumpra.
Como consequência será necessário fazer aquilo que não se quer fazer: uma reforma das carreiras aproximando-a dos outros funcionários públicos ainda que levando em conta que um professor anda muito tempo pelo país até estabilizar numa escola - o que justifica que possa ter alguma diferenciação.
O Presidente da República sem falar no assunto referiu-se ao tema numa frase que se aplica aos professores mas também a outras frentes da nossa vida económica e financeira. Eis o que disse retirado do Público:
“A crise deixou marcas profundas, é uma ilusão achar que é possível voltar ao ponto em que nos encontrávamos antes da crise – isso não há!”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa. E não há só uma ilusão, mas duas, acrescentou: “A segunda ilusão é achar que se pode olhar para os tempos pós-crise da mesma forma que se olhava antes [para os problemas], como se não tivesse havido crise. A crise deixou traços profundos e temos de olhar para eles”.
(...)
“A sociedade tem de ter a coragem de assumir os seus problemas. Mas há muito a tendência portuguesa para o ‘mais ou menos’, o ‘assim-assim’, ou a tendência de ‘ganhar um tempinho’. É quando alguém pensa: ‘Bem, consegui ganhar um tempinho. Com sorte isto não dá errado’”.

Para quem queira ver as diferenças entre a carreira dos professores e a dos restantes funcionários públicos (excluindo as áreas de segurança e defesa) pode ler Prova dos 9: Trabalhadores do Estado levam mesmo 120 anos a chegar ao topo da carreira?