quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Choque de corte de juros

Numa semana a Reserva Federal cortou a sua taxa de referência em 1,25 pontos, primeiro 0,75 e hoje mais 0,5 pontos percentuais. A taxa do dólar está em 3% que compara com 4% na área do euro.

É o tudo por tudo para evitar a recessão já que o abrandamento já aí está: a economia norte-americana cresceu 0,6% no terceiro trimestre o que, de acordo com o FT, é o valor mais baixo desde 2002.

Nas entrelinhas fica a possibilidade de novos cortes, com a Reserva Federal a dizer que os riscos no sentido da moderação da actividade económica se mantêm: (...)However, downside risks to growth remain(...).

A bolsa fechou a cair nos Estados Unidos assim como o dólar face ao euro.

Por aqui, pela área do euro, fazem-se reuniões em Londres a quatro.

A Cimeira dos Quatro e o Tratado de Lisboa

Os líderes do Reino Unido, Alemanha, França e Itália, com o presidente da Comissão Europeia, estiveram reunidos em Londres para debater a crise financeira. As agências de 'rating' foram as escolhidas como 'culpadas'.
O encontro é apresentado como sendo entre 'líderes da UE'

Obviamente que os outros 'líderes da UE' não gostaram, especialmente a presidência da UE e o presidente do euro-grupo.

Será esta uma nova prática da UE inspirada nos princípios aprovados pelo Tratado de Lisboa?

Remodelação - acabaram as reformas

A substituição dos ministros da Saúde e da Cultura marca o fim das reformas que doem.
Entrámos em calendário eleitoral.

José Sócrates diz que só se fecham mais urgências quando existirem alternativas. O que significa isto?

Subscrevo a análise de Vital Moreira sobre vencedores e vencidos com a demissão do ministro da Saúde. Correia de Campos é mais uma vítima do Ministério da Saúde. Que já fez outras como Leonor Beleza e Manuela Arcanjo.

A reforma de Correia de Campos, quem sabe assim o diz, é a que tem de ser feita. O seu erro pode ter sido a pressa que levou a uma deficiente explicação do que estava a fazer. Pena que o primeiro-ministro não se tivesse envolvido.

Ainda não é nesta legislatura que vamos ter uma reforma na Saúde. Como pelo caminho vão ficar as reformas na Justiça e na Administração Pública.

Menos crescimento global

Como era de esperar, o mundo vai crescer menos que o esperado em 2008. A crise financeira gerada nos Estados Unidos espalhou-se com efeitos mais graves para os países ricos. São as novas previsões do FMI.

A área do euro deverá crescer 1,6% em vez dos 2,1% preconizados em Outubro pelo Fundo.

Na actualização do Relatório Global de Estabilidade Financeira vale a pena olhar para estes gráficos. Mostram bem como o crédito encareceu. E como a política monetária pode ser menos eficaz na actual situação.


Os problemas que se colocam à política monetária são ainda analisados aqui pelo director-geral do FMI. Neste momento só as políticas orçamentais podem ser eficazes, numa espécie de regresso às lições de Keynes.

Martin Wolf e a Fed

Vale a pena ler Martin Wolf sobre a actuação da Fed.

O fantasma do Japão nos anos 90 começa a estar presente.

Mais realismo... mas pouco

O ministro das Finanças foi ontem mais realista ao admitir que as exportações vão crescer menos. Mas manteve algum optimismo ao considerar que o abrandamento das vendas ao exterior poderá ser compensado pelo investimento.
“Devemos ter alguma desaceleração nas exportações devido à evolução internacional. Temos sinais que o investimento está a recuperar” desde 2007 e que o “investimento privado” já recuperou e os efeitos do investimento público também está positivo, afirmou Teixeira dos Santos na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças onde esteve por causa do BCP.

O investimento só poderá evitar um abrandamento da economia portuguesa se:
  1. O investimento público assumir um papel bem mais importante que no passado.
  2. O investimento privado contratado antes do Verão for suficientemente elevado para evitar o abrandamento dos projectos privados. Os empresários poderão ter recuado nos seus projectos depois do Verão, quer porque a banca se tornou mais restritiva na concessão de crédito quer porque se tornaram mais cautelosos face a perspectivas menos animadoras para a economia.

O BCP...ainda

O BCP “delineou uma operação bem montada e bem urdida para escapar ao controlo das autoridades” “que impediu" os supervisores de a detectarem.“O BCP montou essas operações e envolveu-as em informações erradas”, o que torna este processo muito grave”
Ministro de Estado e das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos no Parlamento dia 29
A ler no Negócios e Público.
O caminho seguido pelas operações de compra de acções próprias através de sociedades com sede em paraísos fiscais ainda está a ser desvendado pelas autoridades de supervisão. Um autêntico labirinto de engenharia financeira que, ao que parece, acabou em sociedades imobiliárias.
Lamentavelmente Jardim Gonçalves parece terminar a sua carreira sem honra nem glória.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O BES, a tartaruga e as lebres

"A supervisão internacional [sobre a banca] vai ter de evoluir(...) E isto vai vai apertar muito mais para os bancos"
Ricardo Salgado, presidente do BES
O banco com mais história em Portugal liderado por quem nasceu banqueiro.
O BES que emitiu a semana passada obrigações hipotecárias com sucesso, sendo a primeira instituição financeira a fazê-lo depois da crise que se abateu sobre os mercados financeiros.
Em 2007 registou um aumento nos lucros de 44,3% para 607,1 milhões de euros.
O BES que pode ser o grande vencedor dos problemas do BCP e dos conflitos no sector financeiro que acabaram por envolver também o BPI.
O BES que era perseguido pela pergunta: Como vai crescer, quando todos andaam a fazer aquisições. A resposta era, invariavelmente, "o crescimento será orgânico".
A banca a mostrar (também) que a tartaruga pode vencer as lebres.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Relembrando o Barings

Lembram-se de Nick Leeson, o corretor que levou à falência o centenário banco inglês Barings em 1995?
Encontrado pela BBC e aqui no Globo afirma-se chocado com a dimensão da fraude. Quanto a fraudes, são diárias no mercaod financeiro, diz. Hoje Leeson é responsável por um clube irlandês.

O operador do Société Générale terá perdido os 4,9 mil milhões de euros no mercado de futuros, apostando na evolução (subida) de índices bolsistas como o DAX. De acordo com o Spiegel citado pelo Le Monde, Jérôme Kerviel comprou 140 mil contratos sobre o DAX com referência nos 8 mil pontos: por cada ponto de queda abaixo dos 8 mil pontos a bolsa recebia 25 euros e por cada ponto de ganho acima daquele valor o SG recebia igualmente 25 euros. Operações realizadas sem a respectiva cobertura de risco.
O DAX afundou-se e as perdas foram, obviamente, brutais.

Subsistem dúvidas quanto à responsabilidade de Kerviel. Concorrentes dizem que ele é responsável apenas por uma parte das perdas - 1,5 mil milhões dos 4,9 mil milhões de euros.

O horror do tabaco...

Helmut Schimidt está a ser investigado, imaginem, por suspeitas de ter fumado num local público a 6 de Janeiro numa cerimónia de Novo Ano em que ra o homenageado...

Tanto disparate por causa de uns fundamentalistas não fumadores.

Na Alemanha, como aqui, debate-se a violação dos direitos individuais. Só não parece óbvio para alguns fundamentalistas...

Bancos centrais e EUA

O meu artigo desta semana no Jornal de Negócios "Os bancos centrais e a potência imperial endividada".

Estou de facto muito pessimista. E posso estar errada, como alerta um dos comentários que se pode ali ler. Errei nas perspectivas que tinha sobre o BCP, nomeadamente quando defendi Jardim Gonçalves.

Confesso que ainda hoje tenho dificuldade em racionalizar o que já se sabe sobre o 'caso BCP'. Como foi possível àquelas pessoas envolverem-se numa teia de irregularidades, conscientes do que estavam a fazer?

Quanto à conjuntura... Acredito que é uma fase, que regressará o ciclo de crescimento. Só me parece que esta fase pode impor algumas rupturas. Poderei estar errada. Mas, neste momento, não me parece. A banca terá de ser mais regulada. Os Estados Unidos podem manter-se como potência imperial mas poderão ter de reduzir a sua dívida.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Société Générale e a maior fraude de sempre

As administrações dos bancos parecem saber cada vez menos do que se passa dentro de portas. Não conseguem estimar as perdas geradas pelas operações sub-prime, não têm mecanismo de segurança que impeças operadores de mercado de jogar com o dinheiro do banco como se estivessem num casino...
E ainda há quem considere que o Banco de Portugal deveria conhecer as 17 off-shores que o BCP tanto se esforçou por esconder.

A perda é de 4,9 mil milhões de euros e foi anunciada pela Société Génerale vítima, diz, de fraude de um operador de mercado. É a maior fraude de sempre na história da banca de investimento, longe mesmo da última que levou à falência do banco Baring - 1,4 mil milhões de dólares.

A fraude vai obrigar os accionistas a colocar mais 5,5 mil milhões de euros no banco.

O presidente da Société Générale garante que desconheciam essas operações aparentemente realizadas por um operador Jerôme Kerviel de 31 anos cuja identidade foi revelada pelo FT. O objectivo, ao que parece, não foi enriquecimento próprio. Apenas negócio com derivados sem cobertura do risco que elevaram rapidamente as perdas com a queda da bolsa.

Notícia a ler no Le Monde, FT e nos Les Echos

George Soros

Vale a pena ler George Soros, no Público. A propósito da crise que vivemos.
Link indisponível, infelizmente.

Actualizando ...
Aqui está o artigo de Soros encontrado graças a José Maria Pimentel.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Bancos centrais no banco... dos réus

Joseph Stiglitz, Nobel e professor na Universidade de Columbia: os bancos centrais perderam o foco e o controlo da gestão da economia. Focaram-se demasiado na inflação, fizeram más avaliações e não anteciparam que a bolha imobiliária nos EUA ia rebentar

George Soros: não há dúvida que os bancos centrais perderam o controlo da situação. Não conseguiram compreender as novas técnicas financeiras desenvolvidas pelas instituições financeiras para disseminar o risco.

Afirmações no World Economic Forum deste ano durante o debate da CNBC com o sugestivo título "Who's in Charge".

A defesa dos bancos centrais ficou a cargo de John Snow, ex-secretário de Estado do Tesouro norte-americano: Durante os últimos 20 anos estas instituições tiveram um desempenho superior a outras. É fácil ver uma bolha pelo espelho retrovisor.

Uma relação de forças ligeiramente superior aos resultados da moção que foi votada entre os economistas, empresários e investidores que estão em Davos. 59% votaram contra os bancos centrais.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Recessão à vista

As bolsas caíram um pouco por todo o mundo. A expessão é de pânico.

O refúgio está a ser dinheiro e títulos de dívida pública.
Os investidores parecem acreditar na inevitabilidade da recessão.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Supervisão bancária e dos impostos

A audição do governador do Banco de Portugal no Parlamento sobre o caso BCP revela por parte dos paridos de oposição PSD e PP uma insensatez lamentável.

O BCP visto (mal) do Parlamento que aqui escrevi seria a melhor abordagem para um tema que devia ser evitar pequenas vinganças pessoais.

O sistema financeiro enfrenta problemas demasiado sérios para os responsáveis políticos se manterem no universo mesquinho de acertos de contas.

As explicações de Vítor Constâncio pareceram-me bem claras. É impossível detectar irregularidades quando o outro lado as quer esconder. Depois de terem sido descobertas em 200 e 2001 pelo banco central, maior terá sido o esforço para esconder as novas 17 sociedades em paraísos fiscais que detinham acções do BCP.

Isto não significa que a área do supervisão do Banco de Portugal não precise de ser melhorada. A ausência de incidentes e de acompanhamento público criou condições para a supervisão reduzir os seus critérios de auto-exigência. O que não aconteceu com o fisco.

Dizem-me, da banca, que a actuação dos técnicos de supervisão do Banco de Portugal é menos profissional e mais arrogante que a dos fiscais das finanças. Com uma diferença ainda mais grave: sabem menos do negócio bancário que os fiscais das finanças de fiscalidade.

É tempo de mudar. Se é verdade que o escrutínio público é difícil de fazer na supervisão bancária - pela discrição que a actuação exige para evitar problemas maiores -, é preciso arranjar outros mecanismos que forcem o profissionalismo e a competência dos profissionais da supervisão bancária do Banco de Portugal.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Aí vêm os efeitos da sub-prime


É a capa desta semana.
Uma lista da entrada de fundos asiáticos e do médio oriente na banca norte-americana colocada por João Pinto e Castro.
"(...)Perhaps the most depressing aspect of Citi's results was the tone of remarks by its chief financial officer, Gary Crittenden. Valuing CDOs and the like “all gets extremely complex”, he told analysts, and “it is very difficult to forecast exactly where all this is going." (...)"
no artigo do The Economist a propósito das perdas do maior banco do mundo em activos, o Citigroup que reportou prejuízos de 9,8 mil milhões de dólares no quarto trimestre de 2007.
Hoje foi a vez da Merril Lynch divulgar perdas no mesmo montante de 9,8 mil milhões de dólares no quarto trimestre e 8,6 mil milhões de dólares para o ano inteiro, ainda que tenha uma dimensão que é um terço do Citigroup como se pode ler aqui.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Sub-prime chega à primeira página

Sub-prime chega às primeiras páginas dos jornais portugueses com a queda na bolsa.


O dia de hoje não foi melhor para as bolsas.
O Dow Jones fechou a cair 2%.
Em Lisboa a queda foi de 0,08% arrastada pelos três bancos.

Tem sido uma semana negra para a banca como aliás alguns comentadores neste blog já previam para etsa altura.

Os resultados do último trimestre do ano passado estão a expôr perdas superiores às esperadas por quem estava investido em banca.

E se as previsões se confirmarem, ainda mais virá, este semestre, com a nova onda de falta de pagamento de créditos hipotecários concedidos a famílias debaixo rendimento e elevado risco.


terça-feira, 15 de janeiro de 2008

E na quarta assembleia geral...o BCP

O BCP começa hoje um processo de estabilização.
Não termina hoje a instabilidade, mas inicia-se hoje um caminho para solucionar a crise em que entrou.
Nada garante que não fará mais vítimas.
Para já sabemos que está indirectamente nas mãos do Estado português. Eventualmente angolano e até chinês.
Onde há hoje afinal dinheiro? Não nos podemos esquecer que Europa e América vivem na armadilha da sub-prime.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Campos e Cunha e o BCP

O ex-ministro das Finanças e ex-governador do Banco de Portugal escreve hoje um importante artigo no Público sobre o 'caso BCP' que está sintetizado aqui (sem link disponível no Público).

Campos e Cunha põe o dedo em algumas feridas:
  1. Como foi possível a auditora KPMG não ter dado conta de nada, dando o seu acordo às provisões de 200 milhões de euros? De facto, como escrevi aqui, no caso Enron foi a auditora que até acabou por morrer uma das principais questionadas quanto à informação dada pelos relatórios e contas.
  2. Os dados que provam a existência de irregularidades - que não se sabem bem quais mas podem ser transacções em bolsa através de sociedades em paraísos fiscais posteiores aos aumentos de capital - foram entregues por pessoas ou pessoa que pertencem ao topo da hierarquia do BCP a um accionista em vez de o fazer ao Banco de Portugal ou à CMVM.

O tsunami sub-prime

As perspectivas para 2008 vão ser marcadas pelo crise da sub-prime. É pelo menos esta a minha perspectiva que desenvolvo no Jornal de Negócios onde vou também passar a estar e escrever.

Entre os comentários que me fizeram dizem que a crise de 1929 é irrepetível. Concordo inteiramente. Karl Marx terá dito que a "História repete-se duas vezes, a primeira como tragédia a segunda como farsa".

A referência de 1929 é muito útil pelas semelhanças que parecem existir quanto à destruição muito significativa de massa monetária.

Nota: Continuo a escrever sub-prime (com hífen) ainda que me digam que devo escrever subprime, tal como em inglês. Mas em português não será mais correcto com hífen?

O aeroporto mais barato

O quanto custa? que se foi instalando, e bem, como critério avaliador das decisões de investimento exige que se façam bem as contas.

Do pouco que ouvi e li do estudo (aqui e aqui) que levou à decisão (preliminar) de escolher o Campo de Tiro de Alcochete como localização do novo aeropor internacional de Lisboa leva-me a concluir que o invetsimento até pode ser marginalmente mais elevado que continua a ser "mais barato" que a OTA.

Um aeroporto "produz" aterragens e descolagens. Se a OTA está limitada a 70 movimentos por hora e o Campo de Tiro suporta 100, o investimento por aterragem/descolagem (investimento a dividir por número de movimentos) será mais baixo na margem sul mesmo que o valor financeiro global do projecto seja igual nos dois casos. Campo de Tiro até tem margem para ser mais caro.

As contas, quando se fazem a olhar para os milhões sem olhar para o que se produz conduzem em geral ao "barato que sai caro".

Obviamente que fica a pergunta: há ou haverá procura para 100 movimentos por hora?

Neste momento é de elogiar que o Governo tenha tomado uma decisão, esperando que a fase do preliminar passe rapidamente.

Não há paciência para debates intermináveis que apenas servem para adiar decisões e não fazer nada.

BCE e Fed, que diferenças

A Reserva Federal está preparada para adoptar "medidas adicionais significativas" no sentido de combater o abrandamento da actividade económica. Assim o disse esta quinta-feira Ben Bernake, entendendo-se as suas palavras como o anúncio de nova descida das taxas de juro já na reunião de 30 de Janeiro.

O BCE na sua habitual reunião de quinta-feira sobre política monetária decidiu manter as taxas de juro como se esperava mas Jean-Claude Trichet afrmou que o BCE está preparado para actuar de forma "preventiva" no sentido de combater a subida da inflação.

É um exercício de "veja as diferenças". BCE actua contra a inflação indiferente aos riscos de abrandamento. Fed actua contra o abrandamento e esquece os riscos de inflação.

Para que se note: o euro está a valorizar, o que por si só corresponde a uma política monetária mais restritiva e alivia as pressões inflacionistas vindas do exterior. O dólar está desvalorizar, o que torna a política monetária mais expansionista e agrava as pressões inflacionistas via importações.

Será que é este BCE que queremos?
Nos tempos que precederam a crise de 2003 o BCE cometeu o erro de avaliação ao considerar que o bloco era já suficientemente fechado para não ser contagiado pela crise norte-americana. Chegou a aumentar a taxa de juro para depois a ter de descer.

O fundamentalismo é tão negativo na política económica como na política.

O BCP e a Enron

"Não aceito que se tente debilitar as autoridades e manifesto a minha confiança no Banco de Portugal, na CMVM e no DIAP na investigação de casos gravíssimos no sistema financeiro",
José Socrates na Assembleia da República, a 9 de Janeiro

Assim respondeu o primeiro-ministro às criticas e desafios que surgem quer do PSD como do PP e Bloco de Esquerda quanto à responsabilidade do Banco de Portugal no que se passa no BCP.

No domingo passado o ministro das Finanças, menos hábil e até infeliz na metáfora que usou, deixou a mesma mensagem:
"Nao faz sentido, quando uma casa é assaltada que se corra atrás do polícia, faz sentido que se corra at´rás do ladrão. (...) É injustificável que se procure fragilizar essas instituições atacando-as de forma injustificada. A quem serve questionar a independência das autoridades quando elas estão a desenvolver um processo de investigação?"

De facto, a quem serve desestabilizar o Banco de Portugal, aquele que tem sido o principal alvo de críticas no 'caso BCP'?

Todos sabem ou têm obrigação de saber que as autoridades de supervisão podem ser facilmente enganadas. Daí os requesitos de idoneidades para a lideranças de empresas e especialmente de sociedades financeiras.

Como bem lembrou alguém, não foram as autoridades, neste caso a SEC, que descobriu o que andava a fazer a Enron aparentemente com a cobertura dos auditores, a Arthur Anderson que acabou por deseparecer por causa disso.

Não me lembro de, na altura, se ter dito nos Estados Unidos, que se as autoridades não sabiam deviam saber. Como é habitual, foram mais pragmáticos e procuraram antes perceber como se poderia melhorar a legislação para que a informação fosse mais transparente.

Esse sim seria um debate construtivo para o país, que os deputados deveriam promover na Assembleia da República. Responder à pergunta: será que a legislação pode ser melhorada no sentido de evitar novos casos como o do BCP? De impedir que os bancos comprem as suas próprias acções sem ninguém o saber, aprsnetando um capital próprio que, afinal, não têm?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

BCP e Vítor Constâncio

As declarações à RTP do governador Vitor Constâncio.

Escolho a última parte, com sublinado meu:

"(...)Falarei [das investigações no passado] mais longamente, certamente quando for à Assembleia da República. Mas o facto é que as irregularidades mais importantes e que estão agora sobretudo em causa resultam de factos que foram ocultados ao Banco de Portugal em anteriores inspecções, que aliás se dirigiam a outros aspectos da actividade do BCP. O Banco fez tudo o que era necessário para garantir do ponto de vista dos rácios de capital e de solvabilidade e da contabilidade do BCP que tudo ficasse reflectido naquilo que foi investigado no passado. Os factos que agora vieram a lume por uma denúncia interna são factos novos e que na altura foram ocultados às inspecções do Banco de Portugal."

Chama-me à atenção a questão da "denúncia interna".

Será que já se sabia que as informações chegaram a público por via de uma denúncia interna ao BCP?

Caso BCP em turbilhão

O caso BCP - sim, é melhor começar a designá-lo assim - entrou na fase da irracionalidade completa. Já faltava de facto pouco. Bastou o Governo meter a mão no assunto para assistirmos agora a declarações e contra-declarações, opiniões e sentenças várias.

Um pequeno exemplo:

Filipe de Bottom diz que o sistema financeiro deve agrader a Joe Berardo. Não será antes à CGD?

PP ameaça com Comissão de inquérito parlamentar caso governador não vá ao Parlamento falando também do salário do reponsável pelo banco central. Mas o governador pode dizer que não vai ao Parlamento? Hoje até já o ouvi dizer que vai sempre que é solicitado.

Ministro das Finanças diz que eventuais crimes no BCP devem ser punidos 'doa a quem doer' - Mas não era suposto ser sempre assim?

Bastonário da Ordem dos Economistas diz que Banco de Portugal tinha a obrigação de saber o que se passava no BCP - Teria? Ainda alguém se lembra do que nunca se soube ao certo sobre as ligações entre o Banesto e o Totta?

E para terminar pergunto se o Banco de Portugal seria o único que tinha obrigação de saber. O governo e especialmente o ministro das Finanças não tinham também obrigação de saber? Há quanto tempo se sabia, por exemplo, que o BCP emprestava para se comprar acções do próprio banco?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Os salários dos gestores

Os salários dos nossos gestores.
De acordo com a Mercer o valor da mediana para os presidente das empresas é de 482.043 euros (ou seja, 50% dos presidentes de empresas ganham no máximo esse valor).Depois do discurso de Ano Novo do Presidente da República:

"(...)Sem pôr em causa o princípio da valorização do mérito e a necessidade de captar os melhores talentos, interrogo-me sobre se os rendimentos auferidos por altos dirigentes de empresas não serão, muitas vezes, injustificados e desproporcionados, face aos salários médios dos seus trabalhadores.(...).

É oportuno debater um assunto que foi durante 2007 também um tema nos Estados Unidos. O problema não está apenas no BCP.Confesso que não sei se é alto ou baixo, o que se paga aos gestores. Tudo depende do valor que criam ou criaram.

Em fuga para as mercadorias...

O primeiro dia de trabalho de 2008 antecipa o pior.

Os investidores estão mesmo receosos. Estão apostados que os EUA vão entrar em recessão e, se tudo se mantiver - eu sei que irrita o 'ceteris paribus' mas é assim, como diz o NYT, estamos no anos dos "se" - nós por cá seguiremos o mesmo caminho.

O petróleo ultrapassou hoje, dia 2 de Janeiro, a barreira dos 100 dólares em Nova Iorque.O ouro atingiu o máximo de sempre, a 861,10 dólares por onça, acima do recorde de 850 dólares a que chegou em Janeiro de 1980. (Ver FT ).

Assistimos à fuga para as mercadorias, metais e petróleo. As acções em queda.

Num dia em que a Reserva Federal se revelou mais pessimista quanto às persectivas da actividade económica nos Estados Unidos de acordo com a minuta da reunião de 11 de Dezembro, divulgada dia 2 de Janeiro. O crescimento em linha com a tendência deverá regressar, prevêem, em 2009. Quanto à inflação, "os recentes aumentos dos preços da energia provocarão uma subida temporária da inflação". Mas dada a perspectiva de descida dos preços do petróleo subjacente no mercado de futuros e um alívio na pressão sobre a utilização dos recursos, a Fed está convencida que a inflação se manterá moderada nos próximos anos.

A situação no sector financeiro ligada à deterioração do mercado imobiliário levam a Fed a apontar para novas reduções das taxas de juro. A última descida ocorreu no dia da reunião a que esta munita diz respeito, 11 de Dezembro, para 4,25%.

Ver ainda NYT e CNNMoney.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

O aumento de capital da CGD

A CGD aumentou o seu capital em 150 milhões de euros para 3.100 milhões de euros. Mais 30 milhões de acções subscritas pelo Estado a 5 euros cada uma, com a realização em dinheiro.

Razões:
"(...)Este aumento complementa a geração orgânica de fundos próprios da Caixa Geral de Depósitos, decorrente dos seus lucros retidos, contribuindo para manter os rácios de solvabilidade da instituição financeira em níveis confortáveis e sustentar a continuação do forte crescimento dos activos ponderados verificado ao longo do corrente ano (cerca de 20%)."

Perguntas:
Porque não se esperou pelos resultados, que se perspectivam elevados, e se realizou o aumento de capital por via dos lucros?

Do tabaco

Mapa do fumador em Portugal no Apdeites. Para contribuir.

Via Atlântico no Jantar das Quartas: Umberto Eco puxa de uma cigarrilha nos restaurantes e afirma: "Não é tabaco, é cocaína".

Hoje nas reportagens que todas as televisões fizeram sobre a nova lei do tabaco alguém que estava ao frio a fumar dizia: "Também deviam proibir os escapes dos carros; E espero que daqui a dois anos não nos obriguem a fazer 'jogging' todos os dias".

A melhor classificação desta vertente dos tempos actuais, de Pacheco Pereira: "O fascismo higiénico".