... nunca resolveu problema nenhum. Criou problemas maiores, como aliás diz Fisher Sá Nogueira
A intervenção final do discurso de tomada de posse do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, defendendo a criação de um "órgão com poderes disciplinares efectivos" para os jornalistas assim como o ataque - mais do que criticas - que fez aos media acabam por dar razão a quem critica o funcionamento da Justiça.
Como António Barreto que se pode ler e ouvir aqui e aqui
Posso concordar com parte do diagnóstico que Noronha do Nascimento faz. Por exemplo, quando se refere aos efeitos perniciosos da concorrência num tempo em que o quadro em que se movia o negócio dos media está a mudar sem que ninguém saiba bem em que sentido (veja-se o debate aceso nos Estados Unidos e ainda a reflexão que ali se faz sobre as ameaças aos direitos dos cidaãos e sobre a liberdade da informação.
Não posso concordar com a solução. Nos media, tal como noutros universos da vida portuguesa, não é por falta de entidades reguladoras que não se cumprem as regras e as leis. O sector dos media, bem pelo contrário, está bastante policiado. O problema é mais vasto.
Mas se o problema é a violação da lei, a quem cabe fazer cumprir a lei? A resposta a esta pergunta que acaba por nos levar a concluir que o ataque aos media de Noronha do Nascimento acaba por ser um ataque à Justiça.
Declaração de interesses: Sou jornalista. Como jornalista, profissionalmente obrigada e treinada para o distanciamento na descrição e análise dos factos, fiz aqui também esse esforço e com cuidados redobrados.
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Ladrões de notícias ou trabalho (dos outros)
Um trabalho da Atributor que encontrei via FT revela que 75.195 sites usaram pelo menos um artigo de jornais norte-americanos sem autorização de 15 de Outubro a 15 de Novembro, realizando receitas com isso - e, obviamente, sem os respectivos custos.
No sector dos media terá de se fazer alguma coisa. As receitas não podem ser públicas e os custos privados, isto é, das companhias que produzem as notícias.
O Google e o Yahoo estão no top dos viabilizadores deste negócio de proveitos sem custos. Os blogues representam apenas 10%.
Revela o FT que o estudo enquadra-se no encontro da "Federal Trade Commission" subordinada ao tema "Como pode o jornalismo sobreviver à era da internet".
A conferência pode ser seguida no Twitter
Não é apenas a sobrevivência do negócio que está em causa. Com o negócio está em causa o jornalismo com toda a sua técnica que garante o rigor e distanciamento contra a má-língua e a propaganda, como registei aqui citando Robert W. McChesney e John Nichols do Washington Post.
Por aqui obviamente que ninguém está preocupado com isso. Uns protagonistas políticos estão contentes com a propaganda, outros com a má-língua.
No sector dos media terá de se fazer alguma coisa. As receitas não podem ser públicas e os custos privados, isto é, das companhias que produzem as notícias.
O Google e o Yahoo estão no top dos viabilizadores deste negócio de proveitos sem custos. Os blogues representam apenas 10%.
Revela o FT que o estudo enquadra-se no encontro da "Federal Trade Commission" subordinada ao tema "Como pode o jornalismo sobreviver à era da internet".
A conferência pode ser seguida no Twitter
Não é apenas a sobrevivência do negócio que está em causa. Com o negócio está em causa o jornalismo com toda a sua técnica que garante o rigor e distanciamento contra a má-língua e a propaganda, como registei aqui citando Robert W. McChesney e John Nichols do Washington Post.
Por aqui obviamente que ninguém está preocupado com isso. Uns protagonistas políticos estão contentes com a propaganda, outros com a má-língua.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Ongoing, PT, BES... negócios III
Depois do I e II e ainda depois do trabalho feito pelo Expresso no sábado sobre o grupo PT e do pertinente editorial de Nicolau Santos
Administrador da CGD demite-se do Comité de Investimento da PT
Administrador da CGD demite-se do Comité de Investimento da PT
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Ongoing, PT, BES... negócios II
" Banco Espírito Santo aplicou perto de 200 milhões de euros na Ongoing"
Os investimentos foram realizados nos fundos de 'private equity' e 'market capital' da Ongoing, revela ainda o Público num trabalho de investigação assinado por Cristina Ferreira e Ana Brito.
Veio-me à memória a entrevista ao director do Expresso Henrique Monteiro no Jornal de Negócios onde se refere a proprietários "ocultos" no sector dos media.
E a lei estabelece que a propriedade os órgãos de comunicação social deve ser transparente.
Depois da notícia de ontem no Publico que se seguiu a uma notícia do Negócios sobre o envolvimento da PT no financiamento da Ongoing, temos hoje o BES.
É preciso explicações como defende João Pinto e Castro . Mas é também preciso ver se as leis estão a ser cumpridas - e estas consagram o princípio da transparência na propriedade dos órgãos de comunicação social.
Empresas em que o Estado está presente - neste caso a PT - não podem dar o exemplo de violação de leis que têm como principal objectivo defender um dos pilares da democracia, a liberdade de imprensa.
Os investimentos foram realizados nos fundos de 'private equity' e 'market capital' da Ongoing, revela ainda o Público num trabalho de investigação assinado por Cristina Ferreira e Ana Brito.
Veio-me à memória a entrevista ao director do Expresso Henrique Monteiro no Jornal de Negócios onde se refere a proprietários "ocultos" no sector dos media.
E a lei estabelece que a propriedade os órgãos de comunicação social deve ser transparente.
Depois da notícia de ontem no Publico que se seguiu a uma notícia do Negócios sobre o envolvimento da PT no financiamento da Ongoing, temos hoje o BES.
É preciso explicações como defende João Pinto e Castro . Mas é também preciso ver se as leis estão a ser cumpridas - e estas consagram o princípio da transparência na propriedade dos órgãos de comunicação social.
Empresas em que o Estado está presente - neste caso a PT - não podem dar o exemplo de violação de leis que têm como principal objectivo defender um dos pilares da democracia, a liberdade de imprensa.
Ongoing, PT, BES... negócios
Vale a pena ler
CGD pede explicações sobre investimento dos fundos de pensões e saúde da PT na Ongoing
Tenho-me lembrado - até pode ser um mito - de se afirmar que António Champalimaud comprou o banco com dinheiro... do próprio banco.
CGD pede explicações sobre investimento dos fundos de pensões e saúde da PT na Ongoing
Tenho-me lembrado - até pode ser um mito - de se afirmar que António Champalimaud comprou o banco com dinheiro... do próprio banco.
Caso TVI - O crime compensa
A ERC considera ilegal a decisão de acabar com o Jornal Nacional de sexta da TVI, que ocorreu a 3 de Setembro em pré-campanha eleitoral para as legislativas, como se pode ler aqui e aqui e aqui a deliberação.
Quais as consequências?
» Processo de contra-ordenação ou seja uma multa
» O facto terá ponderação negativa quando a licença de emissão da TVI voltar a ser avaliada.
Alguém espera que a contra-ordenação, a ser aplicada, seja tão grave que provoque um forte abalo na situação financeira da TVI? Obviamente que não.
Alguém espera que na avaliação ao cumprimento do contrato de concessão esta ingerência da gestão em matérias editoriais retire à Media Capital a concessão? Claro que não.
A violação de regras fundamentais que têm como objectivo proteger a liberdade de imprensa não têm qualquer sanção.
O que aconteceu na TVI mostrou como há crime sem castigo na violação da liberdade de imprensa em Portugal.
Os partidos que defendem a liberdade de imprensa, a começar pelo PS, têm a obrigação de alterar a lei. Para que se consagrem sanções bem mais elevadas que desincentivem actos como os que ocorreram na TVI.
Dizer que se defende a liberdade não chega. É preciso defender a liberdade de imprensa especialmente quando se considera que os media nos estão a prejudicar politicamente. E é preciso demonstrá-lo.
E o PS tem a oportunidade de o fazer mudando a lei. Com toda a certeza que terá mais do que um partido do seu lado no Parlamento.
É com estes pequenos passos que se iniciam as restrições à liberdade.
Quais as consequências?
» Processo de contra-ordenação ou seja uma multa
» O facto terá ponderação negativa quando a licença de emissão da TVI voltar a ser avaliada.
Alguém espera que a contra-ordenação, a ser aplicada, seja tão grave que provoque um forte abalo na situação financeira da TVI? Obviamente que não.
Alguém espera que na avaliação ao cumprimento do contrato de concessão esta ingerência da gestão em matérias editoriais retire à Media Capital a concessão? Claro que não.
A violação de regras fundamentais que têm como objectivo proteger a liberdade de imprensa não têm qualquer sanção.
O que aconteceu na TVI mostrou como há crime sem castigo na violação da liberdade de imprensa em Portugal.
Os partidos que defendem a liberdade de imprensa, a começar pelo PS, têm a obrigação de alterar a lei. Para que se consagrem sanções bem mais elevadas que desincentivem actos como os que ocorreram na TVI.
Dizer que se defende a liberdade não chega. É preciso defender a liberdade de imprensa especialmente quando se considera que os media nos estão a prejudicar politicamente. E é preciso demonstrá-lo.
E o PS tem a oportunidade de o fazer mudando a lei. Com toda a certeza que terá mais do que um partido do seu lado no Parlamento.
É com estes pequenos passos que se iniciam as restrições à liberdade.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Paula Teixeira da Cruz e os 99 anos da República
"Os tribunais - a justiça - como a comunicação social, a liberdade de expressão, são sempre alvos prioritários de tentativa de controlo e de empobrecimento dos valores da República”
"É fácil uma democracia perder a qualidade e deixar de o ser. E há muitas formas de condicionar a Liberdade, até a perder”
"Há muito se vêm detectando derivas perigosas e desvios preocupantes”,
“A responsabilidade, o trabalho e a exigência ética, que deveriam amparar a qualificação da democracia reivindicada, foram sendo abandonados e substituídos pela lógica do enriquecimento fácil (...) e pela ideia de que os fins justificam os meios, com particular crueza em sectores como a política e a economia”
Da intervenção da presidente da Assembleia Municipal da Câmara de Lisboa Paula Teixeira da Cruz.
A dinâmica actual da nossa realidade política e económica é, lamentavelmente, esta, que Paula Teixeira da Cruz tão bem descreveu.
Poucos querem ver. A maioria prefere olhar para o que se vem passando como um jogo lúdico. Aplaude-se quem ganha sem olhar aos meios que usou, sem olhar ao conteúdo e ao significado dessa vitória.
"É fácil uma democracia perder a qualidade e deixar de o ser. E há muitas formas de condicionar a Liberdade, até a perder”
"Há muito se vêm detectando derivas perigosas e desvios preocupantes”,
“A responsabilidade, o trabalho e a exigência ética, que deveriam amparar a qualificação da democracia reivindicada, foram sendo abandonados e substituídos pela lógica do enriquecimento fácil (...) e pela ideia de que os fins justificam os meios, com particular crueza em sectores como a política e a economia”
Da intervenção da presidente da Assembleia Municipal da Câmara de Lisboa Paula Teixeira da Cruz.
A dinâmica actual da nossa realidade política e económica é, lamentavelmente, esta, que Paula Teixeira da Cruz tão bem descreveu.
Poucos querem ver. A maioria prefere olhar para o que se vem passando como um jogo lúdico. Aplaude-se quem ganha sem olhar aos meios que usou, sem olhar ao conteúdo e ao significado dessa vitória.
terça-feira, 17 de março de 2009
Ainda o pão e a liberdade
O limite de sal no pão regulamentado por decreto-lei é apenas um exemplo que parece não ter importância nenhuma para a crescente invasão do Estado na vida privada de cada um.
Tenho pena que valorizemos tão pouco a nossa liberdade individual. Tenho pena que as reacções a este post tenham surpreendentemente, para mim, apoiado a iniciativa de regulamentar o teor de sal no pão.
Existem sempre excelentes argumentos para justificar a entrada do Estado na vida privada de cada um. O problema é exactamente esse. É darmos mais valor a esses argumentos do que à nossa liberdade de escolher.
Um dos argumentos é o da saúde. Até onde nos pode isso levar? A uma polícia da alimentação que vem a nossa casa medir o teor de sal, de gordura...?
É sempre mais fácil regulamentar do que ensinar, educar, formar...para que se possa viver a liberdade. Mais fácil e mais útil para todos os tipos de poderes.
Tenho pena que valorizemos tão pouco a nossa liberdade individual. Tenho pena que as reacções a este post tenham surpreendentemente, para mim, apoiado a iniciativa de regulamentar o teor de sal no pão.
Existem sempre excelentes argumentos para justificar a entrada do Estado na vida privada de cada um. O problema é exactamente esse. É darmos mais valor a esses argumentos do que à nossa liberdade de escolher.
Um dos argumentos é o da saúde. Até onde nos pode isso levar? A uma polícia da alimentação que vem a nossa casa medir o teor de sal, de gordura...?
É sempre mais fácil regulamentar do que ensinar, educar, formar...para que se possa viver a liberdade. Mais fácil e mais útil para todos os tipos de poderes.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Liberdade
"O nosso tempo reage à tragédia publicando leis"
João César das Neves hoje no DN com o sugestivo título "O maior inimigo da Liberdade".
O excesso de regulamentação é de facto assustador. E aterrador é ver que boa parte da opinião pública apoia essas regulamentações e policiamentos vários - de que a ASAE se tornou um símbolo.
"Só perante um desastre veremos o real valor da liberdade", conclui César das Neves.
João César das Neves hoje no DN com o sugestivo título "O maior inimigo da Liberdade".
O excesso de regulamentação é de facto assustador. E aterrador é ver que boa parte da opinião pública apoia essas regulamentações e policiamentos vários - de que a ASAE se tornou um símbolo.
"Só perante um desastre veremos o real valor da liberdade", conclui César das Neves.
sábado, 26 de janeiro de 2008
O horror do tabaco...
Helmut Schimidt está a ser investigado, imaginem, por suspeitas de ter fumado num local público a 6 de Janeiro numa cerimónia de Novo Ano em que ra o homenageado...
Tanto disparate por causa de uns fundamentalistas não fumadores.
Na Alemanha, como aqui, debate-se a violação dos direitos individuais. Só não parece óbvio para alguns fundamentalistas...
Tanto disparate por causa de uns fundamentalistas não fumadores.
Na Alemanha, como aqui, debate-se a violação dos direitos individuais. Só não parece óbvio para alguns fundamentalistas...
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Do tabaco
Mapa do fumador em Portugal no Apdeites. Para contribuir.
Via Atlântico no Jantar das Quartas: Umberto Eco puxa de uma cigarrilha nos restaurantes e afirma: "Não é tabaco, é cocaína".
Hoje nas reportagens que todas as televisões fizeram sobre a nova lei do tabaco alguém que estava ao frio a fumar dizia: "Também deviam proibir os escapes dos carros; E espero que daqui a dois anos não nos obriguem a fazer 'jogging' todos os dias".
A melhor classificação desta vertente dos tempos actuais, de Pacheco Pereira: "O fascismo higiénico".
Via Atlântico no Jantar das Quartas: Umberto Eco puxa de uma cigarrilha nos restaurantes e afirma: "Não é tabaco, é cocaína".
Hoje nas reportagens que todas as televisões fizeram sobre a nova lei do tabaco alguém que estava ao frio a fumar dizia: "Também deviam proibir os escapes dos carros; E espero que daqui a dois anos não nos obriguem a fazer 'jogging' todos os dias".
A melhor classificação desta vertente dos tempos actuais, de Pacheco Pereira: "O fascismo higiénico".
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