terça-feira, 17 de março de 2009

Ainda o pão e a liberdade

O limite de sal no pão regulamentado por decreto-lei é apenas um exemplo que parece não ter importância nenhuma para a crescente invasão do Estado na vida privada de cada um.

Tenho pena que valorizemos tão pouco a nossa liberdade individual. Tenho pena que as reacções a este post tenham surpreendentemente, para mim, apoiado a iniciativa de regulamentar o teor de sal no pão.

Existem sempre excelentes argumentos para justificar a entrada do Estado na vida privada de cada um. O problema é exactamente esse. É darmos mais valor a esses argumentos do que à nossa liberdade de escolher.

Um dos argumentos é o da saúde. Até onde nos pode isso levar? A uma polícia da alimentação que vem a nossa casa medir o teor de sal, de gordura...?

É sempre mais fácil regulamentar do que ensinar, educar, formar...para que se possa viver a liberdade. Mais fácil e mais útil para todos os tipos de poderes.

7 comentários:

Ricardo F disse...

Mas o problema na questão do pão é precisamente que não temos liberdade de escolher. Quando compramos pão não temos pão com mais sal e pão com menos sal à escolha - o pão que temos disponível na maioria das padarias é na esmagadora maioria das vezes pão com teor elevado de sal. Não há escolha.
Isto num país com elevadíssimas taxas de problemas causados por excesso de sal. É isso que distingue este caso de uma simples intromissão do Estado na escolha das pessoas - não é o mesmo que o Estado vir regulamentar, por exemplo, se uma pessoa pode ou não usar saltos altos porque faz mal à coluna (foi uma comparação feita em alguns blogs quando se falou pela primeira vez em legislar o teor de sal nos pães), porque aí uma pessoa pode sempre escolher livremente entre usar ou não usar saltos altos - no caso do pão, não há escolha.
É isso que faz toda a diferença, e que acaba por justificar a intervenção do Estado.

PLuz disse...

É incrivel o facto do Estado descer tão baixo no que é a sua função. A irresponsabilidade dos nossos "representantes" leva-os a debater e regulamentar um acto - o de fazer/temperar o o pão - quando uma grande parte dos Portugueses já faz pão em casa. A proliferação das máquinas pessoais de fazer pão, vão criar uma grande dificuldade. Como vão fiscalizar o pão de cada um?

Ricardo F disse...

PLuz, quando fazemos pão em casa temos obviamente escolha entre colocar mais ou menos sal - quando o compramos na padaria essa escolha não existe. Ou na padaria o PLuz sabe exactamente quanto sal entrou na feitura de cada pão por forma a poder escolher pão com menos sal se assim o desejar?
E não sei qual a percentagem de portugueses com máquina de pão em casa, mas desconfio que não será assim uma parte tão grande quanto isso... :)

dalhenamona disse...

Porque não reduzir ao teor de álcool no vinho, acrecentando mais água? Já agora, porque não reduzir ao deputados na política...sim podiam começar por 25%, acho que estava bem.
dalhenamona

Fábio disse...

Não há legislação que limita a inclusão de aditivos nos alimentos? Não percebo a susceptibilidade suscitada pelo sal.

Miguel Carvalho disse...

Faço minhas as palavras do Fábio.
Se calhar este choca por causa da palavra "sal". Se a regulamentação falasse em "cloreto de sódio", duvido que alguém a distinguisse das 1001 regulamentações que já existem, e que ninguém reclamou. Como definir ao ínfimo promenor o que é que se chama iogurte e o que se chama bebida láctea, definir o grau de pasteurização do leite, definir as propriedades químicas das tintas usadas, etc.

Uma solução de compromisso seria definir categorias como em tantos outros produtos (leite magro e gordo)... eu concordaria totalmente. Não sei e se os custos acrescidos seriam aceites pelas partes

barbas disse...

Pois é.Acho muito bem legislar sobre toda a vida dos portugueses. Realmente..ainda ninguém pensou em legislar sobra a quantidade de deputados dorminhocos que temos no hemiciclo? Sal a mais ou a menos é com cada qual..aliàs já temos tanto "pão sem sal"