quarta-feira, 18 de março de 2009

Krugman. Espanha e... Portugal




Paul Krugman está na Europa e resolveu olhar para a economia espanhola.

Spanish doldrums assim se chama o seu post que termina dizendo que vai ser muito feio, o futuro da economia espanhola.

Olhando para os seus gráficos conclui-se de imediato que também poderiam ser, com pequenas diferenças, sobre Portugal.

Aqui está exactamente a mesma fotografia mas para Portugal:
  • custos unitários do trabalho a subirem mais que a zona euro, com a pequena vantagem de terem aumentado menos que em Espanha desde 2004
  • défice externo crescente e acima dos 10% do PIB.

Hoje o Negócios tem hoje uma entrevista com Teresa Ter-Minassian - a 'mulher sem rosto' do início dos anos 80 quando Portugal negociou o segundo plano de ajuda do FMI. E uma das suas preocupações é obviamente o elevadíssimo défice externo português aliado ao baixo crescimento.

A evolução dos custos unitários do trabalho e o défice externo permitem perceber melhor as razões que levam Silva Lopes a afirmar que terá de existir cortes nos salários e a criticar o aumento salarial da função pública deste ano.

A alternativa a este ajustamento - aceitar cortes nos salários nominais mais elevados - poderá ser um nível de desemprego nunca visto em Portugal.

"(...)this is going to be ugly.", diz Paul Krugman falando de Espanha.


1 comentário:

J.A.Aldeia disse...

É capaz de haver algumas diferenças importantes entre as trajectórias do imobiliário dos dois países: penso que em Portugal a componente puramente especulativa tem menos peso do que em Espanha, e que os espanhóis conseguiram ter mais sucesso na "internacionalização" dos resorts turísticos, transformando afinal um bem "não transaccionável" num "bem transaccionável": um grande "achado", mas que agora os deixa mais expostos do que Portugal. Entre nós estavam precisamente a arrancar alguns destes grandes projectos de turismo residencial, claramente vocacionados para o mercado externo. E afinal a burocracia nacional (apesar dos PINs) pode ter sido a "salvação" de alguns destes negócios.

Krugman, que já em tempos escreveu que "o estudo da Economia é um trabalho de 'adivinhação' sobre coisas de que não sabemos nada", disse também, numa reflexão sobre a sua experiência portuguesa, que aprendeu aqui "o poder de ideias económicas muito simples e, simultaneamente, a inutilidade das teorias a que não se pode dar conteúdo operacional". Não andará ele esquecido do que aprendeu?