terça-feira, 3 de março de 2009

Os pequenos clientes do BPP

Num dos comentários a I
"(...)Como desde que nasceram não viram nada de verdadeiramente demolidor, acham que se tiverem um pensamento positivo as coisas não acontecem.Depois do tsunami, aí sim, as coisas podem mudar a sério (...)

Não teremos tido já o Tsunami?

No caso dos clientes do BPP, o que é de lamentar é que a Justiça não funcione. O que vimos ontem no 'Prós e Contras' - não gostaria de ser o género de 'nos Estados Unidos é que funciona' - mas estou tentada a dizer que já estaria alguém preso também no BPP.

Não me parece também que o alvo tenha de ser o Banco de Portugal. A supervisão desconhecia a existência dos segundos contratos - que garantiam o capital. Só quando se confrontaram com a responsabilidade assumida pelo banco em pagar o capital investido é que concluíram pela falsificação de contas - ou seja, a diferença (negativa/perda) entre o capital investido e o valor (desvalorizado) da carteira de títulos deveria estar contabilizada como perda nas contas do banco.

Essa perda é da ordem dos 400 milhões de euros. Daí que o banco esteja tecnicamente falido.

9 comentários:

JP Santos disse...

As repsonsabilidades terão de ser sempre assacadas em primeiro lugar aos responsáveis pelo BPP. Mas não posso deixar de notar que há demasiadas coisas que o BdP não sabia, o que pode revelar que a supervisão foi adoptando um papel demasiado passivo.

Helena Garrido disse...

Caro JP Santos, todas as autoridades de supervisão adoptaram atitudes que, face ao que sabemos hoje, foram passivas. No que entendíamos na altura eram baseadas na confiança, em mecanismos preventivos e na procura de soluções em conjunto com os supervisionados, partindo-se do princípio - hoje sabemos que errado - que se estava a trabalhar com pessoas de bem.

Anónimo disse...

Infelizmente, o cenário interno (suficiente para a queda de um regime, nas palavras de Crespo), não é comparável com o que pode estar aí a chegar.
Embora compreenda o seu tacto, penso que no fundo também sabe que o que está para vir é que poderá ser verdadeiramente arrasador e que não depende do nosso país.

Anónimo disse...

Parabéns pela sua intervenção hoje no programa da TVI24. Foi a primeira vez que vi um jornalista a transmitir claramente aquilo que se está a passar no BPP: o Estado a lavar as mãos de uma situação cuja responsabilidade também é sua. Acho mesmo que se a população em geral soubesse de forma clara o que se está a passar no BPP, o que se passou no BPN e as atitudes do Banco de Portugal, CMVM e Governo face a estas situações, cairia de vez a confiança no sistema financeiro português.

Mais uma vez, parabéns

Anónimo disse...

Na sequência do ultimo comentário do anónimo das 14:11, acrescento que os casos no nosso sistema financeiro, são leves e tem sido razoavelmente geridos, tambem por se tratar de entidades pequenas, embora não isente de culpa as entidades reguladoras, que eram simplesmente enganadas, bem, não só aqui, como se sabe agora.Mas ainde existe uma razoável confiança no nosso sistema financeira, por parte da população.
Aqui ao lado, em Espanha, não se poderá dizer o mesmo, ainda há poucos dias o santander fechou o seu fundo imobiliario, o maior de Espanha, na sua categoria, fecho esse que tem indícios de fraude e burla , mas amparado por lacunas na lei, portanto tudo feito legalmente. Estão em causa 50.000 subscritores do fundo, muitos deles idosos, que aí aplicaram as poupanças de uma vida, e que agora não sabem, quando e quanto vão receber pelo seu investimento inicial. Este banco agiu de má fé na gestão deste fundo, com contornos de fraude, e deverá ser o maior escândalo financeiro em Espanha dos ultimos tempos. Isto sim é que tira a confiança no sistema financeiro.

Anónimo disse...

Em aditamento ao post de cima, um link em espanhol, para comprender melhor o assunto http://blogs.expansion.com/blogs/web/fondos.html?opcion=1&codPost=52090

Anónimo disse...

O QUE É VERDADEIRAMENTE NECESSÁRIO. É fundamental para o estado a que tudo isto chegou que se reactive a Prisão do Aljube. Depois é só enchê-la. É é bem verdade que um encontrão dado a tempo é muito salutar( O.Salazar). Deixem-se de filigranas. Aljube é que é . E o regresso do degredo. Para o deserto de Moçâmedes ou para a Ilha do Príncipe.Ràpidamente e em força.

Anónimo disse...

Vai haver lugar para tanta malta???

Alguém viu o Dias Loureiro por aí???????????????????????????????????????????????????????????

Anónimo disse...

De duas, uma:
Ou não há confiança nenhuma na nossa sociedade civil, da qual fazemos parte todos, e aí melhor é abandonar tudo e ir viver para uma montanha qualquer a sós...

Ou então é preciso viver dentro das regras da sociedade. Essas regras implicam que uma burla, tal como um roubo, é assunto tratado em tribunal. Não pode ser o estado a disponibilizar dinheiro sempre que algúem é burlado, roubado, assaltado, seja o que for... Nem podemos andar a processar a policia, que existe para nossa protecção, apenas porque não viu atrás da porta!

Além do qual apenas porque o estado decidiu intervir no BPN (que tinha um perfil bancário completamente diferente, como um banco de balcões, e não um private bank) não justifica a intervenção em todo o lado!