
Este é um gráfico que relaciona o salário médio da administração das 20 maiores empresas cotadas em bolsa com o custo por trabalhador. O
Jornal de Negócios publica hoje um trabalho sobre os salários dos gestores das 20 maiores empresas cotadas na bolsa portuguesa. Um trabalho da jornalisa Elisabete Sá.
Um administrador do PSI 20 ganhou em média 22,7 vezes o que recebeu em média quem trabalha nessas empresas com outras funções. Ou seja, para receber o que o administrador recebeu num mês teves de trabalhar 23,7 meses.
A Sonae SGPS - liderada por Paulo Azevedo, filho de Belmiro de Azevedo - está no topo. O salário médio da administração foi, o ano passado, 164,1 vezes a remuneração média dos outros trabalhadores.
Segue a PT. A adminitração de Henrique Granadeiro ganhou em média 98,8 vezes mais que os outros empregados.
No fim está a REN, com uma relação de 4,8 vezes.
O que justifica estas escandalosas diferença? Ensaiemos umas respostas no universo da racionalidade económica:
- Os administradores são bastante mais produtivos que os restantes trabalhadores da empresa e merecem, por isso, um salário superior. Esta é a tese da necessidade ou antes o valor absoluto a determinar o valor, um pouco como a ideia de que a água devia valer mais que o diamante. Mas terão estes senhores - sim senhores, porque senhoras parece que não existem para gerior empresas - um valor absoluto tão elevado? Mas como é isso possível se em alguns casos o valor das empresas caiu e os resultados também? No caso da Soane o ano até foi marcado por fracassos - como o da OPA à PT? Esta
- Os administradores são poucos. Usando a resolução do paradoxo da água e do diamante, o seu valor é determinado pelo rendimento marginal que geram. Mas que rendimento marginal geram alguns deles? E na relação entre o rendimento marginal com os outros trabalhadores, a diferença será assim tão grande?
Resta-me a explicação do desequilíbrio de poderes: como são eles, administradores, que decidem o seu salário optam pelo valor mais elevado. E como a maioria das nossas lideranças está marcada pelo novo riquismo, o resultado é este.
Vale a pena revisitar o discurso do Presidente da República na sua Mensagem de Ano Novo para 2008 sobre esta matéria:
"Sem pôr em causa o princípio da valorização do mérito e a necessidade de captar os melhores talentos, interrogo-me sobre se os rendimentos auferidos por altos dirigentes de empresas não serão, muitas vezes, injustificados e desproporcionados, face aos salários médios dos seus trabalhadores."
E vale a pena ler o editorial de Luísa Bessa.