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segunda-feira, 23 de maio de 2016

A revolta dos accionistas. Atenção gestores

É o fim de uma era? 
Os accionistas estão a revoltar-se contra os excessos de bónus e prémios dos gestores.
Já é significativa a lista das empresas que mereceram um sinal vermelho dos accionistas, em votações não vinculativas mas mesmo assim importantes pelo sinal que dão de mudança dos tempos, de novas preocupações. 

Deutsche Bank e Goldman Sachs foram os mais recentes a receberem a censura dos accionistas. Mas já aconteceu com a Renault (com o Estado francês a liderar a revolta), o Citigroup e a BP.

Entre os accionistas de peso que já lançou uma campanha contra os excessos nos prémios, bónus e afins dos gestores está o fundo soberano da Noruega.

Eis o artigo do FT que faz uma boa síntese do tema: 


O mundo está a mudar para melhor? As preocupações com a desigualdade justificam a revolta. Os mais cínicos dirão que finalmente os accionistas começam a sentir na pele que ganham menos que os gestores - as empresa stêm prejuízos e desvalorizam em bolsa enquanto os gestores continuam a propor-se prémios. Seja qual for o motivo, o resultado que se promete é positivo.

(Sim estou de volta - a tentar pelo menos - ao Visto da Economia)

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Lideranças que incluem, lideranças que excluem

Ainda a propósito do que escrevi aqui (só para assinantes) sobre quadro de valores de algumas das nossas lideranças e de como são também responsáveis pelo que todos somos como sociedade vale a pena ler:

* Dani Rodrik  The battle is renewed: state capitalism, mercantilism, and liberalism

Daron Acemoglu e Jim Robinson - Is State Capitalism Winning? no qual sublinho o nono parágrafo: A real dicotomia é entre instituições económicas que incluem [as pessoas] e as que extraem [das pessoas]:
"(...)At a deeper level, the real dichotomy is not between state capitalism and unfettered markets; it is between extractive and inclusive economic institutions. Extractive institutions create a non-level playing field, rents, and narrowly concentrated benefits for those with political power and connections. Inclusive institutions create a level playing field and give incentives and opportunities to the great mass of people(...)"


* E ainda do Der Spiegel: Alemanha: No país das boas pessoas de onde retiro:
"(...) Em 2010, o psicanalista italiano Sergio Benvenuto evocou o caso da Itália em Carta Internacional. Silvio Berlusconi, diz ele, faz política para os clientes de “cafés-bares”, este “império do politicamente incorreto”, onde reina a vulgaridade e se critica os políticos, a não ser que sejam “apolíticos” como Silvio Berlusconi. Sergio Benvenuto explicou portanto o segredo por trás da longevidade deste último.Não é para os fiéis clientes de cafés-bares que se faz política na Alemanha. O coração do país bate nos supermercados biológicos, onde as mulheres e os homens lutam por um mundo melhor ao comprar produtos biológicos. (...)"

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Desigualdade em Portugal, porque o poder quer

O estudo da Comissão Europeia "The distributional effects of austerity measusres: a comparison of six EU countries" é extremamente interessante.

Portugal é o único país inde as medidas de austeridade ainda adoptadas pelo anterior goverbo foram claramente regressivas.

Um estudo primeiro comentado por Pedro Lains, depois por João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas e a seguir por Rui Peres Jorge como se pode ler aqui no Massa Monetária e aqui no Jornal de Negócios (só para assinantes e que s epode ler também na edição que hoje esteve nas bancas).

Não me parece que as medidas adoptadas por este Governo tenham alterado essa regressividade. Pelo contrário. Uma avaliação que já fiz por exemplo em Alerta Amarelo, na sequência da greve geral.  Espera-se que este ano algumas medidas possam mudar este estado de coisas. Vamos ver. Manter a mesma orientação política - de fazer pagar mais a quem tem menos - é alimentar a revolta.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sem lei nem ordem

Pilhagem e violência no Reino Unido:
Porquê? Onde foram estas crianças, adolescentes e jovens buscar coragem, como perderam o medo da lei e da ordem? (sem, são bandidos, que existem em todo o lado mas que, porque há polícia, há lei, há ordem, não conseguem impor a desordem)
Será isto que sabiam:



Ou é um acontecimento, depois de outros, que recomenda mais reflexão:
Enquanto cresce uma micro-cultura de abandonados a quem se prometeu luxos baratos,"(...) a cultura dominante - nós - abandonou a virtude e adoptou a ética da indiferença, vestida de liberalismo", Danny Kruger no FT.
Ou ainda a narrativa e racionalização possível que escrevi com o título  As ortodoxias também se abatem depois de ver entre outros, o vídeo de Abdul Hamid:

terça-feira, 8 de março de 2011

"Women mean business"


Ok!Ok! Hold it!
I just want to say something.
You know, for every dollar a man makes
a women makes 63 cents.
Now, fifty years ago that was 62 cents.
So, with that kind of luck, it'll be the year 3.888
before we make a buck. But hey, girls?
(...)
Laurie Anderson, Beautiful Red Dress


Assinalam-se hoje os 100 anos do Dia Internacional da Mulher.
Por aqui foi esquecido nas primeiras páginas dos jornais (confesso que também dei conta disso apenas hoje). Porque será?
Houve umas estatísticas - como Os homens e as mulheres em números e a comissária europeia, e uma das vice-presidentes, Viviene Reding reuniu com presidentes de empresas cotadas e disse "women mean business". O representante português foi o presidente da Zon, Rodrigo Costa.

Das primeiras páginas dos jornais de hoje reunidas pelo Newseum aqui fica o meu top:
Kleine Zeitung - Graz, Austria

Augsburger Allgemeine - Augsburg, Germany

The Globe and Mail - Toronto, Canada

Hurriyet Daily News & Economic Review
Istanbul, Turkey


domingo, 25 de abril de 2010

Grandes lições neste 25 de Abril

O discurso do Presidente da República  com os alertas e avisos sobre os salários dos gestores e as propostas de prioridades para a política económica, o mar e as indústrias criativas.

A intervenção do Presidente da Assembleia da República com especial relevo para as criticas às agendas dos partidos: "temos a sensação de ver um debate político muitas vezes centrado no acessório - é a fuga da realidade -, em detrimento de responsabilidades que, em democracia, são de todos e por isso devem ser partilhadas (...)".

José Pedro Aguiar-Branco e a reconciliação com a história nos símbolos do cravo e da pátria.

Depois de uma semana terrível para Portugal nos mercados financeiros é um consolo - mínimo que seja - ver algumas lideranças a mostrarem que entendem o que se está a passar. E que têm ideias de soluções.

domingo, 29 de junho de 2008

Ricos mais ricos

O número de milionários aumentou 6% em 2007 devido aos países emergentes como Índia, China, Brasil e Rússia. Existem 10,1 milhões de pessoas que se podem considerar milionárias, ou seja, com activos superiores a um milhão de dólares excluindo as casas.

Estimativas do World Wealth Report da Merrill Lynch com uma visão também em gráficos.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Desemprego dos jovens e jornalismo

João Pinto e Castro critica uma reportagem e análise feita pelo Jornal de Negócios dia 19 de Maio com a qual discordo. O tema é o desemprego de jovens qualificados e tem os seguintes títulos (que JPC destaca)
Primeira página: "Jovens qualificados em risco de viver pior que os pais"
Página 19: "Jovens com empregos mais precários e salários em queda"
Página 20: "Uma geração qualificada que vive pior do que os pais"

Começo por fazer uma declaração de interesses: sou subdirectora do Jornal de Negócios. Tenho por isso responsabilidade por esse trabalho que foi obviamente feito com toda a seriedade.
A minha discordância:
  1. JPC começa por dizer que "o primeiro e o terceiro título dizem coisas diferentes: o primeiro anuncia uma possibilidade, o segundo afirma um facto". E questiona "Onde está a verdade?". Não existe razão nesta critica porque: a) O primeiro título é o da primeira página do jornal, não contradiz em nada o de dentro, é apenas mais recuado porque titula todo o trabalho que vai das páginas 19 a 21 e não generaliza o que não é generalizável uma vez que: b) O segundo título, mais afirmativo, titula uma reportagem em que são revelados quatro casos. O título sintetiza exactamente esses quatro casos: qualquer um deles vive pior que os pais.
  2. "Segundo o jornal, as estatísticas do INE (que não tive oportunidade de confirmar) revelariam que, em 2007, o salário médio dos jovens entre os 25 e os 34 anos representaria 87% do salário médio nacional contra 96% em 1999", escreve JPC. Os dados são do INE e não há nada a dizer. Concordaremos que nesse período aumentou o número de licenciados e era de esperar que a percentagem do salário médio, no mínimo, se mantivesse.
  3. Acrescenta que: "Esses dados referem-se à totalidade dos jovens, não aos mais qualificados". Claro, por isso é que o título da primeira página opta pela expressão "em risco" e o título do trabalho onde estão esses dados sintetiza o quadro que os números dão: precariedade e salários em queda...
  4. ...Os salários em queda merecem também a critica de JPC: "A queda dos salários relativos não implica a queda dos salários reais em termos absolutos". Tem toda a razão. O salário médio nacional aumentou entre 1999 e 2007 e para dizer que o salário caiu em termos absolutos e nominais é preciso verificar se essa subida do "bolo" foi inferior à queda da "fatia", ou seja, se a queda de nove pontos na fatia não foi compensada pela subida no salário médio. E essa conta o Jornal de Negócios não faz. Os dados que fornecemos aos leitores do Jornal de Negócios não permitem concluir que o salário caiu mas permitem concluir que o salário em percentagem do salário médio caiu, ou seja, comparativamente a 1999 ganham relativamente menos. O que está explícito no texto mas não no título. O título não mente, está incompleto.

Por tudo isto não me parece que nós, Jornal de Negócios, tenhamos merecido as criticas que JPC nos faz.

À margem diria que não parece que existam dúvidas quanto às dificuldades que os recém-licenciados enfrentam nos dias que correm. Todos conhecemos histórias.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Quanto ganhou afinal Paulo Azevedo?

A Sonae SGPS divulgou ontem um esclarecimento na CMVM sobre o valor médio da remuneração da sua Comissão Executiva. Em síntese diz:
1. "Remuneração Total – Decréscimo de 12,1% relativamente a 2006"
2. "Os valores reportados e devidamente explicados no relatório anual de Governo das Sociedades de 2007 da Sonae SGPS reflectem transacções1 resultantes das alterações de função ocorridas a partir de 3 de Maio de 2007 de Belmiro de Azevedo (Sonae SGPS), Paulo Azevedo (Sonaecom) e Ângelo Paupério (Sonae Distribuição), mas que não têm qualquer impacto no custo anual da equipa executiva da Sonae SGPS" (negrito da minha responsabilidade).

Esta é uma reacção ao trabalho realizado pelo Jornal de Negócios e aqui referido onde se conclui que Paulo Azevedo ganhou mais que Belmiro de Azevedo em 2007 e com um significativo aumento. Resultados que se basearam no que é revelado pelo Relatório sobre o Governo da Sociedade:
"Em 2007, a remuneração dos Administradores Executivos da Sonae reflecte as decisões
tomadas, no que respeita ao pagamento antecipado dos Panos de Prémio de Desempenho
Diferido, em aberto, de Belmiro de Azevedo (na Sonae), Paulo Azevedo (na Sonaecom) e
Ângelo Paupério (na Sonae Distribuição), como resultado da alteração das suas funções
executivas no Grupo Sonae, a partir de 3 de Maio de 2007. Esta decisão de pagamento
antecipado, realizada por motivos legais e fiscais associados à transferência de planos em
aberto entre empresas, foram tomadas após discussão com a Comissão de Nomeação e
Remuneração, e após aprovação por parte da Comissão de Vencimentos das respectivas
empresas."


Não é fácil perceber o que está afinal errado.
1. Razões para alterações todas as empresas têm.
2. Se está contabilizado como custo na demonstração de resultados importa pouco se o dinheiro saiu ou não.

Concluo que quanto mais se luta pela transparência mais as empresas parecem esforçar-se por ficarem opacas. E quando se confrontam com o que se comunica sobre elas ficam em estado de choque e tentam corrigir. Enfim. Até em empresários que nos parecem ser os melhores do país caem nódoas.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Os salários dos gestores e... dos outros


Este é um gráfico que relaciona o salário médio da administração das 20 maiores empresas cotadas em bolsa com o custo por trabalhador. O Jornal de Negócios publica hoje um trabalho sobre os salários dos gestores das 20 maiores empresas cotadas na bolsa portuguesa. Um trabalho da jornalisa Elisabete Sá.
Um administrador do PSI 20 ganhou em média 22,7 vezes o que recebeu em média quem trabalha nessas empresas com outras funções. Ou seja, para receber o que o administrador recebeu num mês teves de trabalhar 23,7 meses.
A Sonae SGPS - liderada por Paulo Azevedo, filho de Belmiro de Azevedo - está no topo. O salário médio da administração foi, o ano passado, 164,1 vezes a remuneração média dos outros trabalhadores.
Segue a PT. A adminitração de Henrique Granadeiro ganhou em média 98,8 vezes mais que os outros empregados.
No fim está a REN, com uma relação de 4,8 vezes.
O que justifica estas escandalosas diferença? Ensaiemos umas respostas no universo da racionalidade económica:
  1. Os administradores são bastante mais produtivos que os restantes trabalhadores da empresa e merecem, por isso, um salário superior. Esta é a tese da necessidade ou antes o valor absoluto a determinar o valor, um pouco como a ideia de que a água devia valer mais que o diamante. Mas terão estes senhores - sim senhores, porque senhoras parece que não existem para gerior empresas - um valor absoluto tão elevado? Mas como é isso possível se em alguns casos o valor das empresas caiu e os resultados também? No caso da Soane o ano até foi marcado por fracassos - como o da OPA à PT? Esta
  2. Os administradores são poucos. Usando a resolução do paradoxo da água e do diamante, o seu valor é determinado pelo rendimento marginal que geram. Mas que rendimento marginal geram alguns deles? E na relação entre o rendimento marginal com os outros trabalhadores, a diferença será assim tão grande?

Resta-me a explicação do desequilíbrio de poderes: como são eles, administradores, que decidem o seu salário optam pelo valor mais elevado. E como a maioria das nossas lideranças está marcada pelo novo riquismo, o resultado é este.

Vale a pena revisitar o discurso do Presidente da República na sua Mensagem de Ano Novo para 2008 sobre esta matéria:

"Sem pôr em causa o princípio da valorização do mérito e a necessidade de captar os melhores talentos, interrogo-me sobre se os rendimentos auferidos por altos dirigentes de empresas não serão, muitas vezes, injustificados e desproporcionados, face aos salários médios dos seus trabalhadores."

E vale a pena ler o editorial de Luísa Bessa.

sábado, 12 de abril de 2008

Classe média dos EUA sob pressão






Elizabeth Warren sobre o colapso da classe média
Com o agradecimento a CCz por me apontar para lá.

Vale a pena ver. Quem não tiver paciência, aqui está uma síntese sobre o que aconteceu à classe média norte-americana numa geração (cerca de 25 anos):

1. Entre 1970 e 2005 o rendimento médio de uma família com dois filhos aumentou porque as mulheres entraram no mercado de trabalho. O rendimento auferido pelos homens estabilizou. Hoje é preciso que os dois trabalhem.

2. As famílias não poupam, gastaram as poupanças passadas e ainda assim endividaram-se
Os gastos: mais, muito mais a pagar a casa, apoio às crianças, seguros de saúde e carros e menos que a geração anterior nas outras despesas, entre as quais alimentação.

3. Metade das despesas de uma família eram fixas nos anos 70; hoje são dois terços fixos

4. No início dos anos 70 uma mulher que tivesse um filho ficava 5 dias no hospital. Hoje fica 24 horas e terá de ser assistida em casa. Por quem? Ninguém... o marido terá de ir trabalhar se não não haverá dinheiro para suportar a... casa. O mesmo acontece se o filho ou a mãe de um deles estiver doente.

A classe média norte-americana está sob forte pressão e ameaça. A classe média que tem sido o suporte da sociedade, economia e política dos EUA.

Vale a pena ver e comparar com o que se vai passando também numa Europa sedenta de imitar a América.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Uma desigualdade chocante

O Inquérito aos Orçamentos Familiares expõe um agravamento da desigualdade que é chocante. Quando se comparam os dados recolhidos entre 2005 e 2006 com os de 1990 verifica-se que a diferença entre os rendimentos obtidos pelos 10% mais ricos corresponde a quase nove vezes a dos mais pobres, quando em 1990 essa relação era de 4,6. Seremos o país da UE com a maior diferença entre ricos e pobres.

Os números agora divulgados pelo INE permitem os mais variados estudos. O alerta mais grave é sem dúvida este chocante agravamento das desigualdades.

Quando olhamos para o fosso entre ricos e pobres apenas nos rendimentos obtidos como trabalhadores por conta de outrem a relação é ainda superior, da ordem das 9,4 vezes.

O mais grave desta situação é não ver uma tendência de correcção. Parece que todo o país foi contagiado pelo novo-riquismo que conhecíamos na década de 80 apenas na zona Norte da produção de têxteis.