sábado, 11 de outubro de 2008

Optimimo e realismo

Várias criticas têm sido feitas à falta de realismo e excesso de optimismo sobre a actual crise financeira.
Dante critica aqui dizendo, nomeadamente que "o optimismo inculcado há uma semana, não foi útil. Eram necessários sim, um realismo e uma informação completa, simples e acessíveis à população portuguesa."
Diria que:
  1. É espantoso como as autoridades dos EUA e Europa levaram tanto tempo a perceber a dimensão da crise. É preciso lembrar que esta crise começou em Agosto do ano passado - para quem acompanha os mercados bolsistas em Julho de 2007.
  2. A subavaliação que, hoje se vê, foi feita leva a concluir que as autoridades, designadamente os reguladores desconheciam grande parte do que os bancos andavam a fazer (coloco de parte a hipótese de serem irresponsáveis pois os problemas viriam sempre a cair-lhes em cima)
  3. A desorientação que revelaram desde a intervenção na Freedie e Fannie a 7 de Setembro - já lá vai mais de um mês - é mais um indicador de que foram apanhados de surpresa pela violência desta réplica da crise financeira.
  4. A reunião dos Quatro grandes europeus - França. Alemanha, Itália e Reino Unido - na semana passada foi um gravíssimo erro. Se não tinham acordo não se deveriam ter reunido.
  5. As declarações do tipo "faremos tudo o que for necessário para garantir os depositantes" - dita por todos como sintetiza Buiter de nada serviram para reanimar o mercado de crédito. Mas serviram para impedir que a situação se agravasse com um pânico bancário.
  6. Até agora não tenho razões para considerar que o Governo português não está a gerir bem a situação. Há pouca informação, é verdade, mas não há grandes sinais de instabilidade. E quem conhece os grandes números da economia portuguesa sabe que esta crise é particularmente perigosa para um país com um elevado nível de endividamento. Quanto à arrogância do primeiro-ministro, não é muito diferente do que sempre foi.

4 comentários:

Anastácio Soberbo disse...

Olá, gosto do Blogue.
É bonito e bem feito.
Sinceramente, não gosto de jornalistas, mas,tenho de reconhecer que este blog está 5*
Parabéns!
Saudações de,
Soberbo

Helena Garrido disse...

Obrigada Anastácio.

Anónimo disse...

Boa tarde

Enquanto os yuppies se andaram a divertir e a cometer todas as loucuras , os que se julgavam sãos foram tão permissivos e por isso tão culpados quantos eles .

Já sei o que nos espera . Um chinelo e um saco com farnel requentado .

É a vida !

O liberalismo sem o ónus do estado que foi o que se pretendeu conduziu á situação de hoje .

Podem os governantes andar em redopio a tomar decisões que o fogo esse já arde e está em plena combustão .

Valeu a pena andar uma vida a poupar - a privar-se de algumas mordomias - para num ápice tudo voar .

Os nossos cadráticos em economia , inclusive Prémio Nobel , tem responsabilidade na presente conjuntura .

Lamentável .

Creio no entanto que nesta crise saiem prejudicados os Ricos , Remediados e Pobres . E por isso é terrivelmente dizimadora , não resta a semente para germinar .

Como sou um aposentado , tenho os chinelos calçados , vou lendo e ouvindo notícias e esperar (aguardar)que a minha reforma não mitigue e seja insuficiente para " a sopa " .

Cumprimentos ,

Manuel disse...

Estando o navio a meter água, e estando eu lá metido, interessa-me muito mais saber como ajudar a tirar a água e remendar o casco do que saber se o comandante é antipático. Interessa-me primariamente saber se comanda bem (ou o melhor possível com o equipamento e marinhagem de que dispõe)e só muito depois se se é de trato fácil.
Acabo de ouvir a conferência de imprensa do Min Finanças (http://cegerwms.vod.edgestreams.net/briefings/b20081012.asf). Amanhã começaremos a avaliar os resultados. Ás 8:30.
Até amanhã.