domingo, 8 de fevereiro de 2009

Sobre a vida (e morte) do jornalismo 4 [e fim]

E estamos condenados a esta miséria?
Sinceramente, acho que sim. (...)
termina jmf num post de leitura obrigatória para quem é jornalista ou se interessa pelo tema pela recomendação de leitura que faz.

Não sou tão pessimista. Mais, não considero que se esteja num estado de "miséria".
  1. O jornalismo e os jornalistas integram o sistema, não estão fora dele. São um dos vectores de peso e contra-peso do equilíbrio de poderes de uma sociedade. Reflectem as suas qualidades e defeitos.
  2. O jornalismo vive momentos de fortíssimos abalos, determinados pelas alterações tecnológicas. É uma das actividades mais abalada pela velocidade da informação e ainda não encontrou o seu novo quadro de actuação no novo mundo. Como conjugar a velocidade de informação com a notícia?
  3. O jornalismo, como muitas outras actividades afectadas pela internet, está a ser em grande parte dirigido pela procura - dar às pessoas o que elas querem. E hoje é muito fácil saber o que as pessoas querem. Para quem defende a liberdade individual de forma absoluta, isto não é um problema. Mas passa a ser um problema quando "o que as pessoas querem" tem efeitos adversos na sociedade - externalidades negativas, como lhes chamam os economistas. Por isso deve existir a regulação, com sensatez.

1 comentário:

Diogo disse...

Joe o Canalizador, que afirmou que um voto em Barack Obama era um voto pela morte de Israel, foi enviado como jornalista ao Médio Oriente

Samuel Joseph Wurzelbacher, por alcunha «Joe o Canalizador» (Joe the Plumber) , de 35 anos, ficou conhecido pela pergunta que fez a Barack Obama acerca do plano de impostos do agora Presidente eleito, acusando-o de socialista, um argumento que passou a estar na ordem do dia do lado republicano, para o qual passou a fazer campanha. Tudo isto transformou Joe, de um dia para o outro, numa estrela e herói nacional.

Durante a campanha eleitoral americana, Joe o Canalizador afirmou que um voto em Barack Obama era um voto pela morte de Israel. "Vocês não querem a minha opinião sobre política externa. Eu só sei o suficiente para ser provavelmente perigoso", afirmou em entrevista à Fox News.

O mais famoso canalizador do mundo abandonou as rupturas de lavatórios e as sanitas entupidas para se dedicar a tempo inteiro à política internacional. De tal forma que, contratado pela PajamasTV, viajou para Israel, onde permaneceu 10 dias para cobrir a crise em Gaza e falar com "as pessoas da rua".

Jon Stewart, do Daily Show, mostra-nos uma das primeiras intervenções de Joe o Canalizador em Israel:


Jon Stewart: Este homem enviado como jornalista para o Médio Oriente, deu a sua opinião de tipo normal sobre o jornalismo de guerra.

Joe o Canalizador: Vou ser franco. Os jornalistas não deviam estar perto dos conflitos. Vocês relatam onde estão as nossas tropas. Relatam o que se passa a cada dia. Dão muita importância a isso. Acho uma parvoíce. Agora, toda a gente opina.

Jon Stewart: Sim, toda a gente opina. Sou eu que o digo, Joe o Canalizador. Muito bem Joe. O jornalismo de guerra não presta. Qual é a alternativa?

Joe o Canalizador: Gostava de como era na Primeira e Segunda Guerras Mundiais, quando as pessoas iam ao cinema e viam as tropas no ecrã. Toda a gente ficava empolgada e feliz por elas.

Jon Stewart: Que idade tem? Primeira e Segunda Guerras Mundiais? Sabe, Joe, esses noticiários eram filmes de propaganda. Tinham o seu encanto mas a informação tinha lacunas. Mas continue a pintar a ignorância voluntária. Como uma espécie de virtude refrescante. Para que conste, acho que a Alemanha também teve desses filmes.

[Imagens de um documentário da Alemanha nazi]: Bem-vindos, Alemanha. Lá estão os nossos rapazes de castanho, o orgulho da força de combate da Alemanha. Podem ser o Terceiro Reich mas são os primeiros nos nossos corações. Cuidado, ciganos e homossexuais. Toda a gente está maluca por causa do Führer. Miudinha: "Posso oprimir judeus quando for grande?" Hitler: "Não te preocupes, querida. Estaremos por cá nos próximos mil anos."


Vídeo legendado em português