segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Os prejuízos das Empresas do Estado

O Relatório de 2008 do Sector Empresarial do Estado foi divulgado hoje. Alguns pontos que vale a pena reter:
  1. Prejuízos globais ultrapassam os mil milhões de euros, mais 165% que em 2007. Mas podem ser explicados pela queda da bolsa com impacto na Parpública.
  2. Os prejuízos operacionais depois de subsídios - que medem a margem do negócio sem os efeitos financeiros - foram de 403,9 milhões de euros, contra 169,4 em 2007, mais 338,4%.
  3. Os Transportes - um clássico - e a Saúde - o que começa a afirmar-se - são os sectores que alimentaram estes prejuízos.
  4. Os subsídios concedidos pelo Estado diminuíram. Justificação no relatório: a queda deve-se à redução dos subsídios para investimento por causa do fim do QREN.
  5. O recurso a empréstimos aumentou 47,9%, subida que é explicada por três empresas: Parpública - sociedade financeira afectada pela queda da bolsa -, Refer - um clássico - e as Estradas de Portugal.

Os novos monstros começam a crescer.

10 comentários:

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

O melhor era não termos estradas nem vias férreas. Assim não haveria prejuízos. Também haveria muitas empresas privadas que deixavam de poder produzir e ter lucro, mas isso que interessa, desde que fique imaculada a pureza neoliberal?

Anónimo disse...

Coitado José LuiZZZ, havendo mais gente com essa percepção das coisas não me estranha o governo que temos.

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

Espero bem que haja muita gente como eu, Anónimo. Gente capaz de fazer uma análise custos/benefícios que não seja completamente primária.

Tomás Belchior disse...

A análise custo/benefício só nos leva até certo ponto. O que aqui está verdadeiramente em causa são as funções do Estado. Será que se justificam todas as participações que o Estado tem actualmente?

Por exemplo, faz sentido o Estado ter uma empresa de exploração de diamantes em Angola que, apesar da área de negócio altamente lucrativa, consegue mesmo assim dar prejuízo?

Segundo o Público, parece que esta participação vai finalmente ser vendida, mas é precisamente este género de actividade pública tentacular que deveria ser analisada. Este relatório é só mais uma prova disso mesmo.

Anónimo disse...

gostava de saber qual a influência da crise económica internacional e dos aumentos das matérias primas nestes prejuízos. a helena não nos diz. aliás é vulgar agora no negócios fazer crítica sem referir a crise a que estamos sujeitos, como se se tratasse de um ano normal. com que objectivo isso é feito? não sei. gostaria que a helena coligisse esses mesmos resultados para empresas privadas, tipo sonae indústria ou empresas do ramo automóvel. a crise internacional foi de facto uma benção pelo menos para os catastrofistas (e também para as oposições).

Bernardo Campos Pereira disse...

Esqueçamos-nos dos rótulos que só servem para desqualificar as conversas. Só se recorre a rótulos quando não se tem argumentos.
Pergunta: Qual é o papel do estado, o de gerir empresas ou o de servir o seu país?
O nosso estado não serve bem o país, nem consegue gerir as empresas; Em vez de ser util ao país, é um peso morto que arrasta tudo e todos enquanto o barco afunda.

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

O papel do Estado só pode ser o que o Soberano - leia-se, o Povo - determina por via eleitoral. Em teoria, pode ser tão restrito como querem os anarco-capitalistas ou tão abrangente como queriam os estalinistas.

Na prática, porém, o mais provável é que os diferentes eleitorados situem o papel do Estado em pontos intermédios diferentes, mais próximos dum daqueles extremos ou do outro conforme a tradição cultural e a mentalidade que presidam à formação do consenso político.

Não vejo nisto nada de errado, e portanto não acredito que haja um papel "natural", e muito menos uma dimensão "ideal", do Estado.

No Portugal de hoje, parece-me (mas não o posso provar) que o consenso social é desfavorável a que o Estado seja proprietário de mercearias, mas favorável a que seja proprietário de linhas férreas.

É pena que em Portugal o sistema político seja tão diferente do suíço: na Suíça, os Caminhos de Ferro são estatais e dão prejuízo, mas como esta situação resulta duma decisão tomada, em referendo, pelos eleitores/contribuintes, este défice não serve de arma de arremesso político nem ideológico.

Helena Garrido disse...

Respostas várias:
Os prejuízos são analisados retirando o impacto da crise financeira, ou seja, olhando fundamentalmente para os resultados operacionais. Dois casos que devem ser excluídos: a Parpública - porque os seus resultados reflectem a queda da bolsa - e a TAP apanhada pela queda dos combustíveis.
A minha análise é feita sem esses casos - saliento que um dos sectores que mais contribuiu para os prejuízos foi o da saúde - significa isto que o Estado não está a fazer as transferências que deia para os hospitais.
Os registos que fiz aqui são complementados pelo editorial no Negócios que se pode ler em www.negocios.pt ou no posto acima.

Fábio disse...

Pesquisei no documento várias palavras: futuro, incerteza, exportações, importações, expectativa, pessimismo, óptimismo, competitividade. Nenhuma destas palavras consta do relatório.

Jose Teles disse...

Olhando para o quadro, o EBITDA é positivo, o resultado líquido só é negativo após encargos financeiros. Apesar de não estar completamente seguro daquilo que afirmo, por ter falta de informação no quadro (não sei se o EBITDA é antes ou depois de subsídios) parece-me desde já que as empresas públicas têm uma estrutura de capital pouco eficiente, com excesso de endividamento. Uma forma de evitar mostrar dívida financeira nas contas do Estado?