segunda-feira, 1 de junho de 2009

Cavaco e o investimento

A notícia do Expresso sobre a compra e posterior venda de acções da SLN por parte de Cavaco Silva foi escrita com todo o cuidado e até justificada.
Só é notícia porque o Presidente fez um comunicado sobre o caso BPN e não revelou essa operação - e esse é o único erro que se pode apontar ao Presidente -um erro de comunicação.

As análises e opiniões que se seguiram à notícia do Expresso é que são inacreditáveis, irresponsáveis, marcadas pela ignorância ou até reveladoras de uma moral anti-investimento e lucro.

Vejamos os factos:
1. Aníbal Cavaco Silva, cidadão, investiu poupanças num grupo - a SLN - que tinha (e parcialmente ainda tem) no seu património, além do BPN, o British Hospital, a IMI - Imagens Médicas Integradas, a Real Seguros, o Hotel do Caramulo, a Murganheira, a Tapada de Chaves...

2. Investir numa empresa - para o caso de andarmos esquecidos - é dotá-la de capital para que ela possa criar valor - produzir mais, criar empregos, acrescentar valor .... Não é jogar - pode parecer pelas brincadeiras que têm sido notícia, mas não é. Quando investimos numa empresa estamos a investir num negócio.

3. Qualquer investimento tem como objectivo criar valor que se concretiza na distribuição de lucros ou na valorização do investimento - caso em que vendemos as participações com mais valias como aconteceu com Cavaco Silva.

4. Não é ilegal - todos reconhecem - nem ética e moralmente condenável investir empresas e daí retirar mais dinheiro do que se investiu - esse "mais dinheiro" corresponde ao valor criado. Pelo contrário, quem nos dera que mais pessoas investissem em empresas e mais pessoas as gerissem de forma a criarem valor - não seríamos tão pobres.

5. Um último ponto para dizer que no caso do investimento de Cavaco Silva, como o grupo não está cotado em bolsa, estamos perante um negócio entre privados.

É lamentável que se tenha chegado a este ponto.
Será necessário sujar toda a gente?
Alguém tem dúvidas que Aníbal Cavaco Silva é um político sério e que defende os interesses do País?
Foi dez anos primeiro-ministro e regressou à sua anterior profissão de professor.
Se não há dúvidas, onde queremos chegar? À auto-destruição?

Tenhamos juízo. Um dia, este sujar toda a gente, em vinganças contra moinhos de vento ou manobras de diversão, dá mau resultado.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Politiquice... da pior

Vital Moreira, o candidato que lidera as listas do PS às eleições europeias parece vacilar entre propostas sobre o futuro da União Europeia - que merecem o elogio - e a politiquice mais rasteira - que se deve obviamente condenar e lamentar.
“Não quero fazer más intenções, certamente por acaso, todos aqueles senhores são figuras gradas ... estamos à espera que o PSD se pronuncie sobre a vergonha a roubalheira no BPN”,
“É de uma tal gravidade, de uma tal imoralidade, que eu considero estranho que os banqueiros portugueses não se demarquem daquela situação. (...) O PSD deve dizer o que pensa sobre este escândalo".
Não desejo acreditar que a mudança de estratégia de Oliveira Costa em relação à Comissão de Inquérito - primeiro não quis falar, com o argumento de ser arguido no processo, o que continua a ser - possa estar relacionada com a campanha eleitoral.
Aos políticos exige-se responsabilidade, redobrada nos tempos difíceis em que vivemos.
Há caixas que, se abrirem, sabemos como a história começa mas nunca saberemos como acaba.
Ninguém na política, no actual modelo de financiamento das democracias, está livre de ser apanhado no turbilhão. Justa ou injustamente. E com efeitos brutais e imprevisíveis nos regimes democráticos que todos - em princípio - tanto gostamos e queremos preservar.
Não vale tudo.

Mercado? Que mercado!

O que surpreende não é o grupo Chamartín não querer a adjudicação da obra que ganhou - obviamente que os centros comerciais entraram em trajectória descedente e apenas se espera que alguns não tenham até de ser implodidos.
O que surpreende é uma autarquia envolver-se num plano destes - uma mega centro comercial?

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Animadora...



... a subida do indicador de Sentimento Económico na UE e na Área do Euro pelo segundo mês consecutivo



Lamentável...

... se o próprio PS resolver aprovar o relatório da Comissão parlamentar de inquérito ao BPN com criticas à actuação do governador do Banco de Portugal.

Já tem sido suficientemente lamentável ver alguns representantes do povo tratar mal quem cumpre os seus deves de serviço público respeitando a lei e bem quem é suspeito de ter violado as leis da República. Quando deviam tratar todos por igual.

Este caso BPN - tal como o BPP - expõem um país terrível.

As exposições e declarações que ouvimos - com especial relevo para esta última de Oliveira Costa e ainda para as declarações de Dias Loureiro - levaram-me por vezes a perguntar-me: estarei mesmo a ouvir pessoas que pertencem - ou pertenceram - às lideranças políticas, financeiras e de negócios do País?

Há momentos em que tudo parece uma conversa de barracas ou que estamos a ver uma má versão de "O Padrinho".

Resta a consolação - ou pelo contrário a preocupação - de que esta doença está generalizada nas democracias.

Ver os deputados a tentarem crucificar pessoas a instituições que tentaram cumprir o seu papel dentro dos limites da lei e dos poderes instituídos é, no mínimo, lamentável. E mais lenha para a fogueira que está a destruir as lideranças.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Portugal a convergir



Os valores estão coligidos pela OCDE que aponta para uma quebra de 2,1% para o conjunto dos países da Organização, uma redução da actividade económica nunca vista desde que iniciou nos anos 60 as séries.

Nestas primeiras avaliações da evolução do PIB Portugal aparece como o menos castigado pela crise.
Ironicamente, o rendimento português poderá aproximar-se da média comunitária não porque subiu mas porque desceu menos que os seus parceiros.

Miguel Beleza, ex-ministro das Finanças e do Banco de Portugal, há muito que ironizava com essa possibilidade - que afinal parece que se vai confirmar.

Regulamentar, regulamentar, regulamentar...

Estados Unidos apertam regulamentação dos cartões de crédito, proibindo aumentos arbitrários das taxas de juro, alterações de contratos e cobrança de despesas não explicitadas.

No Reino Unido aperta a supervisão a quem oferece crédito pelo telefone: as sociedades que oferecem crédito pelo telefone sem serem solicitadas poderão ser penalizadas.

Em Portugal ainda não se fez nada. Apesar de sermos manifestamente menos alfabetizados em matéria financeira que os ingleses e até que os americanos.