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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O mergulho da economia portuguesa

O Banco de Portugal divulgou hoje os Indicadores de Conjuntura. Os valores do indicador coincidente da actividade económica e do consumo privado - que têm acompanhado muito de perto o que se passa na economia - expõem um mergulho profundo da economia portuguesa. Vamos ver quão fundo será. Para já temos o facto de estarmos perante a mais grave recessão desde o 25 de Abril de 1974 com dados apenas até 2011:
A notícia:
Actividade económica e consumo privado caem para novos mínimos desde 1978

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sem lei nem ordem

Pilhagem e violência no Reino Unido:
Porquê? Onde foram estas crianças, adolescentes e jovens buscar coragem, como perderam o medo da lei e da ordem? (sem, são bandidos, que existem em todo o lado mas que, porque há polícia, há lei, há ordem, não conseguem impor a desordem)
Será isto que sabiam:



Ou é um acontecimento, depois de outros, que recomenda mais reflexão:
Enquanto cresce uma micro-cultura de abandonados a quem se prometeu luxos baratos,"(...) a cultura dominante - nós - abandonou a virtude e adoptou a ética da indiferença, vestida de liberalismo", Danny Kruger no FT.
Ou ainda a narrativa e racionalização possível que escrevi com o título  As ortodoxias também se abatem depois de ver entre outros, o vídeo de Abdul Hamid:

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O euro em sucessivos erros

A crise da dívida na zona euro agrava-se. Depois do "ajuda/não ajuda", entrámos agora na fase do reestrutura/não reestrutura.

A reestruturação é agora o debate da moda entre os líderes europeus - começou no fim da semana passada com o mote dado pelo ministro alemão das Finanças.

Na família do euro todos ralham uns com os outros, em publico e sonoramente, sem consciência de que podem estar a abrir a caixa de Pandora que levará ao fim de um projecto que nasceu com grande esforço em Roma, nos idos de 1958.

Os juros da dívida grega a dois anos ultrapassaram hoje os 22%. Os títulos portugueses para o mesmo prazo estão com taxas superiores a 11%. O comportamento de hoje no mercado aqui sintetizado.

É nas maturidades curtas que agora se registam as fugas aos títulos de dívida pública dos ditos países periféricos - reestruturação ou perda efectiva por entrada em vigor do novo mecanismo europeu de ajuda explica esse comportamento.

Aquilo a que se assistiu nos últimos dias revela bem como a família do euro anda pouco amiga.
Apenas um exemplo:
Líderes dos Verdadeiros Finlandeses querem que banca espanhola tamb+em participe na ajuda a Portugal por estar exposta... a Portugal
Se essa regra se aplicasse, também outros países seriam arrastados - como a França e a Alemanha.
Isto não está nada bonito.

domingo, 10 de abril de 2011

A Europa zangada com Portugal, e com toda a razão

O que disseram alguns dos ministros das Finanças europeus em Godollo, na Hungria, mostra bem como devíamos ter vergonha.

Finlândia
O ministro finlandês das Finanças afirma que Portugal só deve ser ajudado se apresentar e cumprir um plano de austeridade mais apertado que o PEC IV.

A Finlândia está a dias de eleições, a extrema direita ganha terreno e a maioria dos finlandeses (60%) é contra  plano de ajuda aos países endividados do euro desenhado pela UE.  A ajuda a Portugal tem de ser aprovada no Parlamento finlandês, condição que Helsinquia colocou para participar no Fundo Europeu de Estabilização Financeira (cada caso é um caso e terá de ser aprovado pelos parlamentares).

Suécia
O ministro das Finanças sueco Anders Borg  afirma que Portugal merece duras criticas. "Os portugueses colocaram-se a si e à Europa numa situação muito difícil", diz, citado pela Reuters. E considera que Portugal já devia ter pedido em finais do ano passado.

No Público podemos ainda ler que Borg afirma que o Governo tem uma grande responsabilidade no que se passou e que lhe foi pedido para enfrentarem a situação em finais do ano passado. Critica ainda o processo de ajuda: chegou na quinta à noite "para tomarmos uma decisão na sexta".

(E, digo eu, mesmo assim, o pedido chegar quinta à noite para uma ajuda que tem de chegar em Junho exigiu um esforço que o ministro sueco não imagina)

O montante em causa, diz ainda Borg, é demasiadó elevado para se para um Estado-membro pedir aos outros que tome uma decisão num período de tempo tão curto.

As estimativas do ministro sueco é de que Portugal precisa de 15 a 20 mil milhões de euros nos próximos meses. No Negócios escrevemos, com base em fontes conhecedoras da situação financeira portuguesa, que Portugal precisa de 25 mil milhões de euros nos próximos seis meses.

Não se faz o que o Governo está a fazer a um país, aos seus cidadãos e ao projecto europeu.
E - mais grave - parece que nem se repara que isto está a acontecer. Quando a Grécia estava a colapsar em Maio e com ela o euro, festejava-se o Benfica. Hoje o Governo festeja o líder.

Devíamos ter vergonha

Sim, "shame on we", pela figura que Portugal está a fazer internacionalmente.
Têm sido dias negros para o país.
Para exemplificar o desprezo que agora merecemos de alguns dos nossos parceiros europeus basta ler

  • o editorial de ontem do FT e a Lex, com o novo termo para dívidas insustentáveis, Portugalling. Eis uma pequena e bastante ilustrativa citação do editorial de 8 de Abril:
If European partners are confident that Lisbon is willing and able to repay its debt at an interest rate above the EFSF’s cost of funding, but below what a panicked market demands, it is irresponsible of them not to lend (and make money in the process).
For Portugal, that willingness is a bigger “if” than even for Greece. Lisbon has shown little appetite for the necessary belt-tightening and structural reforms of the economy to restore its long-lost ability to grow. The rest of Europe should be ready to extend rescue loans, but before it does so, it must demand that Portuguese politicians use the election campaign to seek a mandate from the people for a programme of reform. If this is achieved, and a loan is granted, all sides must accept that if the loan conditions are not met, aid will stop and a default triggered.

  • o que disseram este sábado dia 9 de Abril em Gondollo, perto de Budapeste, o comissário europeu para os Assuntos Económicos e Monetários Olli Rehn e o presidente do BCE Jean-Claude Trichet - mandaram, basicamente, as lideranças portuguesas falarem menos e trabalharem mais:
Olli Rehn e Trichet apelam a menos diálogo na praça pública em Portugal

Um país à beira do colapso financeiro, da bancarrota, dá-se ao luxo de brincar com quem o pode ajudar. Já que não existe qualquer preocupação com os cidadãos portugueses - tem de ser Olli Rehn a falar dos cidadãos portugueses -, que pelo menos actuem de outra forma por vergonha de si próprios. Porque com o país, já percebemos, poucos estão preocupados.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Economist sobre Portugal, Grécia e Irlanda, a ler


"Eles vão rebentar. Reconheçam"
"(...)
These economies [Greece, Ireland and Portugal] are on an unsustainable course, but not for lack of effort by their governments. Greece and Ireland have made heroic budget cuts. Greece is trying hard to free up its rigid economy. Portugal has lagged in scrapping stifling rules, but its fiscal tightening is bold. In all three places the outlook is darkening in large part because of mistakes made in Brussels, Frankfurt and Berlin.

At the EU’s insistence, the peripherals’ priority is to slash their budget deficits regardless of the consequences on growth. But as austerity drags down output, their enormous debts—expected to peak at 160% of GDP for Greece, 125% for Ireland and 100% for Portugal—look ever more unpayable, so bond yields stay high. The result is a downward spiral.

This newspaper has argued that Greece, Ireland and Portugal need their debt burdens cut sooner rather than later.
(...)
The big obstacle is not technical but political. Since many at Europe’s core, particularly the ECB, remain implacably opposed to debt restructuring (...)
It is time the Fund’s top brass said so publicly and, by refusing to lend more without a deal on debt, pushed Europe’s pusillanimous politicians into doing the right thing.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Taxas de juro mais altas e salários mais baixos

Os argumentos de Jürgen Stark para o BCE aumentar as taxas de juro estão no Financial Times. Aqui se transcrevem alertas que são especialmente importantes para Portugal.
           (...)
The “optimality of a currency area” is not a given or static state of affairs. It is the result of the determination of all policymakers to increase the resilience of all the constituent parts of the area. One-size-fits-all requires downward unit labour cost adjustments in countries with high unemployment and major competitiveness problems; it also requires all national fiscal and supervisory policies to avoid any build-up of imbalances and boom-bust cycles.

At the European level, this needs to be supported by stricter rules and more effective surveillance mechanisms of national economic policies.

It goes without saying that implementing the necessary reforms not only benefits the countries concerned, but is also an obligation for all governments so as to ensure that their economies function smoothly within our monetary union. It is in this sense that one size fits all.

O BCE e as suas taxas de juro

Será que Juergen Stark defende a subida das taxas de juro na Zona Euro porque está preocupado com a inflação ou porque está preocupado com a perspectiva de uma nova onda recessiva numa Europa sem instrumentos de política para combater um novo mergulho das economias?

Subir as taxas permitia depois descê-las. E uso aqui um contributo de F., na caixa de comentários que é hoje ainda mais actual:

(...)Mas eu vejo mais a subida anunciada da taxa de refinanciamento como uma questão de política económica quase pura (se é que isso existe...). Como ainda não está devidamente antecipado o impacto negativo que vai ser sério da incerteza no mercado do petróleo em bruto, o BCE procura desde já criar algum “espaço monetário”. Para poder mais tarde ter “espaço” (acima do zero) para fazer descer outra vez.(...)


A subida das taxas poderia ainda contribuir para aumentar efectivamente o custo do dinheiro aos bancos que usam o BCE para comprarem dinheiro a saldo que depois vendem a bom preço a países como a Grécia, Irlanda - no mercado apenas nas maturidades curtas - e ainda a  Portugal, a Espanha, à Bélgica...e às empresas.

(Sei que é politicamente incorrecto falar nisto, mas começa a ser tempo de começarmos a pensar fora do esquema que aprendemos nos livros - o que está nos livros é Concorrência Perfeita com uma enorme quantidade de pressupostos fortíssimos, o um mundo que não existe na realidade)

Claro que para as famílias e empresas portuguesas - e como tal para a banca - seria  mais uma desgraça a juntar-se às que já tempos.

Conselhos a Portugal

Por tudo o que tem acontecido vale a pena ler:

Bit of friendly advice, Portugal  no Independent - and I say, thank you Ireland but I don't we have any other solution.

e ainda
Brazil to annex Portugal? no FT, and I say What???? and after that...Why Not?

Se os soberanos desistiram da sua soberania, é capaz de ser preferível integrar nações com culturas semelhantes do que estar sujeito aos obscuros critérios da avaliação de risco das agências de "rating" - não me acusem de não ser a favor do mercado, porque não sou e porque as agências de "rating" são tudo menos mercado e querem tudo menos mercado.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Em plena crise financeira...

... o Parlamento derrubou o Governo.
Resta-nos saber se os líderes políticos dos partidos de poder sabem exactamente o que fizeram.

Por causa das medidas consagradas no Programa de Estabilidade e Crescimento 2011-2014 conhecido como o PEC IV, mas que é na verdade o PEC I de 2011.
Adiámos os remédios, vamos tomá-los em dose maior.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Estado em Janeiro - o monstro


A despesas e receitas do sector público em Janeiro são uma surpresa desagradável. Contrariamente à expectativa criada com as notícias que o Governo foi dando desde sábado, os números estão longe de convencerem que a situação financeira está sob controlo. O monstro parece ter vida própria.
Eis uma síntese dos valores que se podem ler no relatório de execução orçamental:
Estado
»A receita aumentou 14,4%
» A despesa cresceu 0,9% - as despesas com pessoal subiram 4,9% apesar dos cortes salariais, evolução que é justificada por mudanças no universo de comparação com 2010.

Serviços e Fundos Autónomos
» Despesa aumentou aumentou 6,4% com contributo determinante da despesa corrente que subiu 5,1%.
» Organismos como a Assembleia da República e a Autoridade da Concorrência não deram às Finanças informação sobre as suas contas em Janeiro (ao todo são 16) - o que significa que os valores estão incompletos.

Segurança Social
»A receita aumentou 0,7%
» A despesa subiu 4,1% (pensões com mais 2,6%; outras prestações sociais caíram 1,6% e um inexplicável aumento de 48,1% nas "outras despesas correntes").

Nota final: o processo de divulgação das contas públicas revela que o Governo parece considerar que consegue evitar que se olhem para os números depois de feitas declarações sobre eles. A situação é demasiado séria para se conseguir convencer seja quem for com estratégias de comunicação.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Tudo dito sobre Portugal, numa frase

Pedro Soares dos Santos, que lidera a JM Foto hipersuper.pt
 
"O consumidor polaco é mais racional do que o português. Além disso, na Polónia a justiça funciona - é muito raro um processo arrastar-se nos tribunais por mais de dois anos - e as leis fiscais são previsíveis"
Pedro Soares dos Santos, filho de Alexandre Soares dos Santos e agora administrador delegado da Jerónimo Martins em entrevista ao Expresso, resposta à pergunta: "Quais são as grandes diferenças entre Portugal e a Polónia?

Uma síntese notável sobre os mais graves problemas que enfrentamos.
E que nos faz luz sobre a irritação revelada por Alexandre Soares dos Santos na apresentação de resultados. Ao ponto de responder a uma pergunta, que usou a metáfora truques para questionar as razões de sucesso da Jerónimo Martins, dizendo que truques é com o Sócrates, na Jerónimo trabalha-se.

Aqui a notícia e o vídeo das declarações de Alexandre Soares dos Santos

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Os juros que preocupam

Fonte: WSJ
A última semana dramática para Portugal. 
O BCE parece querer evitar a todo o custo que Portugal caia nas mãos do Fundo Europeus de Estabilização Financeira (FEEF) antes das mudanças que se esperam para Março.

Se não se fizerem progressos na cimeira extraordinária do euro dia 11 de Março que apontem claramente para um decisão no Conselho de finais de Março, dificilmente Portugal conseguirá resistir às pressões para pedir ajuda. Mesmo com bons resultados na frente orçamental.

A era do dinheiro grátis acabou - a BBC sobre Portugal

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Euro-discordâncias

E-bonds would end the crisis é o título do artigo, no Financial Times, escrito por Jean-Claude Juncker - primeiro-ministro do Luxemburgo e presidente do Eurogrupo - e Giulio Tremonti - ministro das Finanças italiano.

Claro que os países financeiramente disciplinados já disseram "não" à ideia de fazer emissões de Eurobonds ou Obrigações Europeias, reagindo de maneiras diferentes à entrada da reunião dos ministros das Finanças do Euro que está a decorrer hoje.
“We’ve come here to decide what we prepared Sunday a week ago. We don’t need to have new debates every week. I think we’ve prepared the necessary decisions.” - a reacção do ministro das Finanças Wolfgang Schaeuble reportada pela Bloomberg
 “Countries committed to economic discipline that do the hard work and maintain stability” shouldn’t be forced to subsidize the fiscally weak, assim disse o ministro das Finanças austríaco  Josef Proell , refectindo bem o que pensam os países financeiramente disciplinados sobre a ideia das emissões de dívida europeia. 

Vale a pena ler este artigo da Bloomberg

Estamos perante um problema que vai assumindo proporções cada vez maiores:
  • O BCE não quer continuar a comprar dívida e apenas concordou em continuar a fazê-lo numa decisão que não mereceu unanimidade- durante a semana passada comprou 1965 milhões de euros que garante estar a esterelizar .
  • A Alemanha não quer reforçar o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) nem quer avançar para uma medida mais estrutural como a emissão de Obrigações Europeias;
  • Estes países endividados, por razões diferentes, como a Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália - os GIPSI - a que os analistas vão juntando outros como a Bélgica, quanto mais medidas de austeridade aplicam mais reforçam a perspectiva de que não serão capazes de satisfazer os compromissos com a dívida, no mínimo a de curto prazo, devido aos efeitos recessivos das medidas. 
  • Toda a gente sabe que o FEEF chegará para Portugal mas já não chega para Espanha.
A União Europeia - e não apenas o euro - vive um dos mais preocupantes momentos da sua história.

O euro ameaçado, ortodoxias e heterodoxias

Há um ano, se alguém falasse na possibilidade do fim ou da fragmentação do euro seria dado como louco.

Hoje a probabilidade de fim do euro deixou de ser zero. Já se pensa nisso, e mais do que isso, já se desenham saídas.
Hoje, na edição em papel do Negócios procuram-se as respostas para a pergunta: E se Portugal saísse do euro?

O Economist á um passo em frente e oferece um guia: Como sair do euro?

Vitor Bento no blogue da Sedes faz uma reflexão especialmente interessante por ser assinada por um economista que viveu por dentro da crise do mecanismo de taxas de câmbio do sistema monetário europeu e por defender uma resposta heterodoxa à actual crise da dívida soberana.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Irlanda e Islância, quem paga a crise faz diferença

A Islândia está a recuperar
A Irlanda vai afundar-se
Economicamente falando, obviamente.
Parece haver uma grande diferença nos efeitos de quem paga a crise.
A Islândia provocou a revolta do mundo - sim estou a exagerar - por ter colocado o fardo do lado dos accionistas e obrigacionistas dos bancos e hoje está a recuperar (é verdade que tem também moeda própria).
A Irlanda resolveu tomar as dores das asneiras dos seus bancos e chegou ao ponto que conhecemos.

Vale a pena ler o que escreve a Bloomberg:
Iceland Bankruptcy-to-Rebound Reveals Models Ireland Won't Take

domingo, 28 de novembro de 2010

A ajuda à Irlanda concluída


Fonte:Comunicado do Ecofin; MEEF: Mecanismo Europeu e Estabilização Financeira; FEEF: Fundo Europeu de Estabilização Financeira
O acordo de ajuda à Irlanda foi concluído no conselho de ministros das Finanças da UE que acabou por ser menos dramático do que se esperava.
Dos 85 mil milhões de euros, 67,5 mil milhões de euros é que vêm do exterior, o restante será garantido pela própria Irlanda. A taxa de juro será de 5,83%, à partida superior à aplicada à Grecia (5,2%).

A Alemanha acabou por recuar na intenção de trasnferir perdas para o sector privado, ficando-se pela análise "acaso a caso".

As notícias:
Irish Times - Irlanda recebe 85 mil milhões de euros
Bloomberg: Irlanda ganha 85 mil milhões de euros
Reuters:  UE suporta ajuda à Irlanda

Os comunicados:
Acordo FMI e Irlanda
Declaração do Ecofin

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

E ainda sssim os juros subiram

A última emissão de Obrigações do Tesouro foi colocada. O Estado conseguiu o montante que desejava e a taxa de juro foi alta mas acabou por ficar abaixo das piores previsões.

Temos de parar de pensar nas culpas que Angela Merkel tem nesta subida dos juros. Temos de conseguir que Angela Merkel não consiga influenciar, com as suas palavras, as nossas taxas de juro. E isso está nas nossas mãos, nas mãos das lideranças políticas do país e em cada um de nós.
Vale a pena ler o que disse o ministro das Finanças.
Tudo se resume a garantir que a proposta do Orçamento do estado entra em vigor.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Reserva Federal e Euro - que diferenças

As máquinas de imprimir dinheiro vão ligar-se em força na América.
Na América não se teoriza, faz-se.
Numa acção esperada mas surpreendente pela dimensão, a Reserva Federal norte-americana anunciou que vai comprar mais 600 mil milhões de dólares de títulos de dívida pública e vai ainda reinvestir 250 e 300 mil milhões de euros.
Claro que o euro reforçou de imediato a sua subida - um dólar está a custar 1,41 euros - e as bolsas norte-americanas reagiram em alta.
Ben Bernanke também conhecido por "helicopter Ben" pelos remédios que defendeu para uma crise como a japonesa - injecção de dinheiro em grandes quantidades - dá o tudo por tudo para reanimar a economia norte-americana.

Contrariamente ao que aconteceu no passado, a economia norte-americana não dá sinais de ter saído sustentadamente da crise. E mais grave ainda está com sintomas de ruptura na relação entre crescimento e emprego: em geral o emprego aumentava, após uma crise, mais rapidamente que na Europa - tal como o desemprego, que também subia mais depressa. Nesta crise o mercado de trabalho norte-americano não está a revelar a mesma flexibilidade.

Fed vai comprar até 900 mil milhões de dólares em activos

Fed to Buy Extra $600 Billion of Treasuries to Boost Growth

Na Zona Euro continuamos focados nos aspectos financeiros.
Hoje as taxas de juro da dívida pública portuguesa e irlandesa voltaram a subir, com os irlandeses a registarem um agravamento superior ao dos portugueses - a diferença entre os dois voltou a alargar-se. Porquê? A razão que está a ser atribuída pelos analistas de dívida pública é a mesma : o fundo permanente que só entrará em vigor em 2013 e que ainda exige a revisão do Tratado de Lisboa. Mas sobre o qual a Alemanha tem falado de mais, acusam alguns líderes políticos, como Zapatero.