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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ainda a Jerónimo Martins (2)

Vale a pena ler Pedro Lains:
Obrigado sr. Soares dos Santos de que destaco:
"(...)O que Soares dos Santos vai fazer é pagar os impostos onde eles são mais baixos. O IRS aqui, no Marrocos de cima, e o IRC lá, na terra da justiça fiscal. É legal? É. É moralmente correcto? Mais ou menos. Devia este homem com intervenção pública fazê-lo? Não. Há alguma coisa a fazer? Há.(...)"

Ainda a Jerónimo Martins

A operação realizada pela família Soares dos Santos revela uma complexidade que inviabiliza conclusões rápidas e antecipadas.

Vale a pena ler o que escreve hoje o Negócios assim como editorial de Pedro Santos Guerreiro e a análise de Elisabete Miranda no Massa Monetária.

Não se pode ir muito para além de admitir que com a transferência, para a Holanda, da holding familiar que detém a Jerónimo Martins, a receita fiscal do Estado português poderá diminuir aumentando a da Holanda (e o poderá, é mesmo poderá). Mais do que isso depende dos projectos de expansão da JM.

Como já tinha escrito aqui esta é a lógica do regime em que vivemos e da natureza humana que na economia como em tudo reage a incentivos. Um facto que se conhece desde, pelo menos, Adam Smith.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

PT -Vivo-Telefónica: perguntas sem resposta

1. Porque é que um gestor com a experiência de Cesar Alierta tenta comprar a Vivo à PT, uma empresa de outro país e onde o Estado tem uma 'golden share' sem falar com o primeiro-ministro desse país?
(Dizem-me que Alierta diz que pensava que Ricardo Salgado estava a falar com José Sócrates)

2. Porque é que um banqueiro de família e gestor experiente como Ricardo Salgado avança com um negócio que reduz a PT a uma empresa local sem falar com o primeiro-ministro, sabendo que o Estado tem uma 'golden share'? 

Nenhum deles cometeu um erro. Gestores, empresários e banqueiros deste nível, habituados a negociar no mundo, sabem que têm de falar com os governos mesmo quando fazem pequenos negócios. Não cometem erros tão básicos como estes. 
Não sendo erro é táctica.
Como táctica é esta saída de cena da Telefónica. Agora é a PT a pedir por favor comprem a Vivo.

Ver aqui dossier PT/Telefónica

quinta-feira, 8 de julho de 2010

PT Vivo-Telefónica: o que todos fazem bem feito

(...) Los expedientes abiertos por la Comisión Europea durante la última década contra los llamados "derechos especiales" han sido en la inmensa mayoría de los casos contra aciones de oro en vigor nunca utilizadas (en Francia, España, Reino Unido, Dinamarca, Italia, etcétera). Algunos países, incluido España, han ejercido un veto tácito a nivel político (como el que frenó la fusión de Telefónica y KPN hace 10 años), pero sin violar directamente las normas comunitarias. Otros, como Italia, reformaron la ley de concesiones de autopistas de manera urgente para intentar frenar la entrada de una compañía española como Abertis.(...)
No Cinco Dias
O que é preciso é saber fazer as coisas, contornar a legislação comunitária.
Portugal não o conseguiu fazer no caso Totta/Banesto/Santander.
No caso da golden share da PT também não mudou a situação a tempo. Talvez, quem sabe, por nunca ter passado pela cabeça aos sucessivos responsáveis políticos que os accionistas portugueses de referência se iam aliar à Telefónica colocando o Governo - fosse este ou outro, porque o PSD faria o mesmo - perante o facto consumado de, com um acto e por uns bons milhões, transformar a PT global numa empresa local.

 
Casa roubada, trancas na porta
"O acórdão do Tribunal de Justiça europeu não conclui pela ilegalidade da existência de direitos especiais. O que este acórdão faz é pronunciar-se quanto à configuração dos direitos especiais existentes nos actuais estatutos da PT. (...) O Goverbno não deixará de procurar uma solução que simultaneamente assegure o respeito pelo direito comunitário, tal como interpretado pelo Tribunal de Justiça europeu, mas também a salvaguarda dos interesses nacionais".
Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, hoje, após o Conselho de Ministros

Agora iremos fazer bem - ser proteccionistas dentro da lei como permite (e até incentiva) a União Europeia. E a bem da realidade, nem fazemos nada mal. 
As vantagens da livre circulação de capitais e estabelecimento são positivas quando analisadas em termos absolutos.

PT-Vivo-Telefónica - Os vazios europeus

Como se previa, no quadro da aplicação da lei comunitária, o Tribunal de Justiça da União Europeia considera que Portugal, com a 'golden share' que detém na PT não cumpre os artigos 43 e 53 das Comunidades Europeias.

Concretamente, Portugal, segundo o Tribunal, viola regras do Mercado Único que estabelecem a liberdade de circulação de capitais e de estabelecimento no espaço dos 27.

A notícia pode ser lida aqui assim como na imprensa espanhola: no Expansion (vale a pena ler o comentário que cita o caso Endesa que acabou vendida à Enel - empresa controlada pelo Estado italiano - ou seja, passou de privada espanhola a 'nacionalizada' italiana) e no Cinco Dias.

A decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia em comunicado e a sentença, com todo o caso aqui alinhado.

O caso tem estado recheado de interrogações, jogos de sombras e, em Portugal, expõe mudanças de posicionamento político de alguns dos protagonistas privados - começa a cheirar a mudança de regime.

Na União Europeia temos mais um caso que alimenta as contradições do edifício comunitário.
O Estado-Nação existe e não existe, ao mesmo tempo.
Os estados têm menos direitos que os agentes privados - estes podem ter as 'golden share' que quiserem - sem que se tenha criado um poder que substitua o poder que os estados tinham.
Como se garante assim o poder político? Não se garante. A actual arquitectura europeia colocou o poder na economia pela acção das regras europeias e omissão de um poder político europeu.
A crise do euro expôs dramaticamente esse vazio de poder político na Europa da União.
Deixar a política às forças do mercado é um erro que se pagará caro.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O dito Mercado também é assim

PT sobe 32% desde a primeira oferta da Telefónica pela compra da Vivo
  1. É o grande valor que hoje tem ter dinheiro vivo?
  2. Mesmo sabendo que a nova PT - depois de vender a Vivo - atirará para as calendas a ambição de ser uma empresa de nível global.
  3. Mesmo sabenod que com a venda da Vivo a PT terá menos capacidade de gerar valor.
(Estes são momentos em que nos lembramos de como de grande sdescobridores nos tornámos tão pequenos e dependentes, como o porque nunca conseguimos ser como o Reino Unido)

Uma Nação endividada III

A Cimpor foi vendida e com ela
a Teixeira Duarte encaixou cerca de mil milhões de euros, pela venda à Camargo Corrêa a 6,5 euros por acção pelos 22,45% que detinha na empresa.

A PT está a caminho de vender a Vivo, o tal activo estratégico e que gerou mais uma daquelas ondas nacionalistas que antecedem as vendas a empresas espanholas - ah quantas vezes já vimos disto. Para já, com o trá-lá-lá publico de accionistas de referência e dos gestores conseguiram aumentar a oferta me 800 milhões de euros. Vamos ver se conseguem mais.
Para já estamos a falar de muito dinheiro. É fazer as contas: se por hipótese todo o encaixe de 6,5 mil milhões de euros for distribuído - esperemos que se consiga ter a sensatez de não o fazer, comprando um novo activo - alguns accionistas de referência vêm os seus problemas de falta de financiamento moderados. Como o BES que detém quase 8% da PT ou a CGD com 7,3%.

Depois da Cimpor e da PT vamos ver o que se segue
As dívidas também se pagam assim

terça-feira, 13 de abril de 2010

Lições da Cimpor

Castro Guerra será o charmain da Cimpor

o que nos dá uma bela imagem do país e das empresdas cotadas:
  1. Os accionistas privados da Cimpor precisam do Estado, que é como quem diz, do Governo que lá estiver. (Serão bons consumidores de cimento já que a Cimpor é bastante rentável)
  2. Depois da guerra da escolha de nomes, os accionistas privados preferiaram Castro Guerra a Mário Lino.
  3. Poucas são as empresas cotadas em Portugal que não são influenciadas pelos governos da altura. Mercado accionista? Capitalismo?

sábado, 20 de março de 2010

A empresa SIM e os bónus dos gestores

Oiço na TSF que a empresa portuguesa SIM - Sociedade Irmãos Miranda que produz faróis para camiões - resolveu suspender os salários dos administradores em 2009 para evitar o despedimento e reisistir à crise. "Se eu não posso aguentar um ano sem receber salários, bom alguma coisa esteve mal", diz o administrador.

A SIM tem sede em Águeda,  85% da produção é exportada e tem 130 trabalhadores

Que diferença com as grandes empresas  onde os gestores tanto falam em concorrência, mercado... Ainda esta semana assistimos a uma briga muito feia na praça pública por causa dos bónus da REN. Sim, a REN...com mercado garantido, sem concorrência.

Felizmente Portugal é mais feito de SIM do que de REN.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Empresas endividadas

Os encargos com juros das empresas cotadas na bolsa portuguesa estão a aumentar. Por subida da dívida e aumentos dos juros. Vinte por cento dos recursos gerados tiveram como destino o pagamento de juros, no primeiro semestre. O pior caso é o da EDP. Uma análise que se pode ler hoje no Jornal de Negócios.

sexta-feira, 11 de abril de 2008