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domingo, 28 de setembro de 2014

Ferramentas para jornalistas - a matemática que é preciso

Para os meus alunos de Jornalismo Económico na Universidade Lúsófona aqui ficam alguns links muito úteis - também para mim :-) e para nós.


Media Reporting - Math for journalists - Gosto especialmente da frase:
"No number has any meaning unless it is compared with something else."

Journalism and math
 

terça-feira, 2 de março de 2010

As recomendações da Business Week...

... para investir em Portugal: PT e EDP Reonováveis. A propósito de pérolas nos PIIGS.

Não é só por cá que se encontra fraco jornalismo. Não pelas recomendações mas pela fragilidade dos argumentos que as sustentam.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A recessão e o jornalismo




Dia 14 de Novembro de 2008 a primeira página do Negócios:

"Portugal vai terminar 2008 em recessão"

o segundo título mais importante do Negócios no dia em que o INE publicou a estimativa rápida da evolução do PIB no terceiro trimestre. O trabalho estava fundamentado com as previsões da Comissão Europeia e alguns economistas da banca.

Estava o jornal na bancas com este título quando saíram os números do INE. Parecia que o Negócios se tinha enganado. O Instituto dizia que a economia tinha estagnado.

O primeiro-ministro manifestou nesse dia, em publico, o seu desagrado com o título de primeira página do Negócios.
Ainda que o texto estivesse inatacável - citava fontes credíveis como a Comissão Europeia.

Aos jornalistas disse: "A nossa economia resiste e continuará a resistir", afirmou José Sócrates, à margem de uma conferência promovida pela Caixa Geral de Depósitos.

Dia 9 de Dezembro o INE publica os dados finais do PIB do terceiro trimestre e afinal a economia tinha caído ligeiramente face ao trimestre anterior (menos 0,1%).

E dia 13 de Fevereiro o INE revela que o PIB caiu 2% no quarto trimestre face ao trimestre anterior.

De acordo com a definição simplista de recessão Portugal terminou o ano em recessão, como antecipou o Negócios usando apenas as regras jornalísticas - citando fontes como a Comissão Europeia. Fizémos o nosso trabalho e é pena que mesmo quando é feito com toda a seriedade o poder - qualquer poder - seja tão irascível.

Os governos têm o direito e até o dever de gerir as expectativas. Os economistas têm o dever de analisar tecnicamente a conjuntura. Os jornalistas têm o dever de informar como uns e outros lêem a realidade.

O que os governos não têm o direito é de querer que também os jornalistas façam gestão de expectativas. Se o fizessem não estavam a cumprir o seu dever de informar/ relatar o que se passa de forma tão rigorosa como lhes seja possível.

Ninguém está feliz com o estado de recessão agravada pela queda da inflação em que o país vive. Bem pelo contrário. Quem me dera que estivéssemos errados.

Declaração de interesses: Sou jornalista e assumo neste momento funções como directora-adjunta do Negócios.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Porque não viram a crise, os jornalistas de economia?

Vale a pena ler ainda que só parcialmente aplicado em Portugal.

Por aqui fizémos entusiasmadas - ainda que incompreensíveis - notícias sobre titularizações, compras de acções a crédito e a euforia de todos comprarem casa.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Porque concordo... inflação e queda de preços

Encontrei e depois perdi este post de João Pinto e Castro que quero registar aqui:

Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.

O alerta é para os jornalistas, com a recomendação para editores e directores.

Tem toda a razão. Em causa própria, posso apenas dizer que sempre que é possível - e nem sempre é, pela voragem que é fazer a notícia - o alerta e a correcção é feita.

Este saber é especialmente importante na actual conjuntura. Vamos ter meses em que, de facto, vai haver queda de preços.

Como devemos escrever ou "dizer" a deflação?
Começo pelo que não deveríamos dizer:
"A inflação foi negativa" .... a evitar por todos os meios

Melhor, mais perceptível por todos é dizer:
Os preços caíram face ao mês anterior ou em relação ao ano passado
O cabaz do INE custa agora menos ...% que no mês passado e/ou ...% que há um ano.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Entrevistas - rumores e opiniões

A propósito de jornalismo:

Deve um jornalista fazer uma pergunta apoiada num rumor?

Perguntas como: "O crescimento previsto para a economia não é optimista?" Valem a pena?

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Desemprego dos jovens e jornalismo

João Pinto e Castro critica uma reportagem e análise feita pelo Jornal de Negócios dia 19 de Maio com a qual discordo. O tema é o desemprego de jovens qualificados e tem os seguintes títulos (que JPC destaca)
Primeira página: "Jovens qualificados em risco de viver pior que os pais"
Página 19: "Jovens com empregos mais precários e salários em queda"
Página 20: "Uma geração qualificada que vive pior do que os pais"

Começo por fazer uma declaração de interesses: sou subdirectora do Jornal de Negócios. Tenho por isso responsabilidade por esse trabalho que foi obviamente feito com toda a seriedade.
A minha discordância:
  1. JPC começa por dizer que "o primeiro e o terceiro título dizem coisas diferentes: o primeiro anuncia uma possibilidade, o segundo afirma um facto". E questiona "Onde está a verdade?". Não existe razão nesta critica porque: a) O primeiro título é o da primeira página do jornal, não contradiz em nada o de dentro, é apenas mais recuado porque titula todo o trabalho que vai das páginas 19 a 21 e não generaliza o que não é generalizável uma vez que: b) O segundo título, mais afirmativo, titula uma reportagem em que são revelados quatro casos. O título sintetiza exactamente esses quatro casos: qualquer um deles vive pior que os pais.
  2. "Segundo o jornal, as estatísticas do INE (que não tive oportunidade de confirmar) revelariam que, em 2007, o salário médio dos jovens entre os 25 e os 34 anos representaria 87% do salário médio nacional contra 96% em 1999", escreve JPC. Os dados são do INE e não há nada a dizer. Concordaremos que nesse período aumentou o número de licenciados e era de esperar que a percentagem do salário médio, no mínimo, se mantivesse.
  3. Acrescenta que: "Esses dados referem-se à totalidade dos jovens, não aos mais qualificados". Claro, por isso é que o título da primeira página opta pela expressão "em risco" e o título do trabalho onde estão esses dados sintetiza o quadro que os números dão: precariedade e salários em queda...
  4. ...Os salários em queda merecem também a critica de JPC: "A queda dos salários relativos não implica a queda dos salários reais em termos absolutos". Tem toda a razão. O salário médio nacional aumentou entre 1999 e 2007 e para dizer que o salário caiu em termos absolutos e nominais é preciso verificar se essa subida do "bolo" foi inferior à queda da "fatia", ou seja, se a queda de nove pontos na fatia não foi compensada pela subida no salário médio. E essa conta o Jornal de Negócios não faz. Os dados que fornecemos aos leitores do Jornal de Negócios não permitem concluir que o salário caiu mas permitem concluir que o salário em percentagem do salário médio caiu, ou seja, comparativamente a 1999 ganham relativamente menos. O que está explícito no texto mas não no título. O título não mente, está incompleto.

Por tudo isto não me parece que nós, Jornal de Negócios, tenhamos merecido as criticas que JPC nos faz.

À margem diria que não parece que existam dúvidas quanto às dificuldades que os recém-licenciados enfrentam nos dias que correm. Todos conhecemos histórias.

domingo, 10 de fevereiro de 2008