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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A razão do Orçamento 2011

Fonte: Banco de Portugal

A dívida externa bruta aumentou 54,5% entre Junho de 2004 e Junho de 2010. Claro que há dívida que financiou activos mas que não geraram ou estão a gerar o rendimento necessário para amortizar esta dívida.

São estes números em ligação com a nossa falta de crescimento que assustam quem nos está a financiar.
São estes números que são a razão da violência do Orçamento de 2011. 

Os agentes não são racionais para olharem para esta dinâmica de endividamento e começarem a contrariar os seus consumos ajustando-os ao rendimento presente e não a um crescimento futuro que não chegou nem parece que vai chegar. 

O Orçamento de 2011 é a mão visível que nos empurra para a racionalidade de regressar ao nível de vida que o rendimento que geramos torna financeiramente viável o país.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Investidores exigiram 5,973% nas Obrigações a 10 anos

Portugal foi hoje obrigado a pagar uma taxa de juro média ponderada de 5,973% para se financiar a dez anos. Em Março, para a mesma linha de títulos a taxa foi de 4,171%.

Resumindo: a taxa de juro paga pelo Estado para se financiar a dez anos subiu quase 50%.

Trata-se da emissão de OT a 10 anos com taxa do cupão de 3,85% e os resultados podem ser vistos aqui. Portugal acabou por colocar hoje menos dívida do que pretendia - o montante indicativo era de 750 a 1250 milhões de euros e foram apenas colocados 378 milhões de euros, menos que o procurado

A tempestade em Portugal começou ontem, com a diferença entre a taxa portuguesa (yield das OT a 10 anos) é a alemã a atingir um máximo histórico - nem na semana negra que levou à cimeira extraordinária de 7 de Maio a diferença face à Alemanha foi tão grande no mercado.

 Hoje, a taxa de rendibilidade das obrigações está a cair ligeiramente e a diferença face à Alemanha tem estado a diminuir, beneficiando também da subida das taxas alemãs.

Mas a nossa taxa de juro a longo prazo ainda está nos 5,86%.
O que se está a passar é preocupante.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O preço do crédito escasso


Portugal, Espanha, Itália, Irlanda e Grécia precisam de 300 mil milhões de euros neste segundo semestre e têm de concorrer no mercado com países como os EUA, Reino Unido, Japão e outros países do euro que precisam de ir ao mercado buscar 4 biliões de dólares.

São dados da última actualização do relatório global de estabilidade financeira do FMI com os valores das necessidades de financiamento até 2012 dos cinco países que mais têm sofrido, com o aumento das taxas de juro, com a crise do euro. As necessidades de financiamento dos outros países é indirectamente apresentada pelo FMI como explicação para o facto de as taxas de juro de longo prazo desses países como Portugal terem continuado a subir apesar das medidas adoptadas pela Zona Euro a 7 de Maio - a mais importante das quais foi a compra de títulos de dívida por parte do BCE.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Vale a pena ler

Jeffrey Sachs hoje no Financial Times (sem link aberto):
Cinco recomendações de política económica, entre elas: os governos devem explicar à opinião pública e esta deve aprender que a política económica pouco pode fazer no curto prazo para gerar empregos de elevada qualidade; os investimentos públicos devem ser orientados para transformações estruturais a longo prazo, entre os quais se contam os "projectos verdes" como os associados à energia; os governos devem criar apoios sociais, sistemas de saúde e investir em educação; e os governos devem aumentar os impostos sobre os rendimentos mais elevados - e di-lo com a brutalidade de afirmar que têm de ter coragem para tributar quem lhes paga as campanhas.

Um diagnóstico:
"O facto relevante é que os Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Espanha e Grécia [junto Portugal] sobreendividaram-se durante décadas, pelo que a queda no consumo não é uma anomalia que se deva combater mas sim um ajustamento que se deve aceitar"

E uma frase que sintetiza genialmente os limites actuais da política orçamental (que não existiam quando os mercados financeiros eram menos sofisticados, nos anos30 do século XX):
"(...) o resultado da política orçamental depende não apenas dos impostos e das despesas actuais mas também do que se espera que venham a ser no futuro".

Acrescento que a única política que pode impedir uma depressão é a monetária, moderada com os olhos no risco de inflação.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O dito Mercado também é assim

PT sobe 32% desde a primeira oferta da Telefónica pela compra da Vivo
  1. É o grande valor que hoje tem ter dinheiro vivo?
  2. Mesmo sabendo que a nova PT - depois de vender a Vivo - atirará para as calendas a ambição de ser uma empresa de nível global.
  3. Mesmo sabenod que com a venda da Vivo a PT terá menos capacidade de gerar valor.
(Estes são momentos em que nos lembramos de como de grande sdescobridores nos tornámos tão pequenos e dependentes, como o porque nunca conseguimos ser como o Reino Unido)

Uma Nação endividada III

A Cimpor foi vendida e com ela
a Teixeira Duarte encaixou cerca de mil milhões de euros, pela venda à Camargo Corrêa a 6,5 euros por acção pelos 22,45% que detinha na empresa.

A PT está a caminho de vender a Vivo, o tal activo estratégico e que gerou mais uma daquelas ondas nacionalistas que antecedem as vendas a empresas espanholas - ah quantas vezes já vimos disto. Para já, com o trá-lá-lá publico de accionistas de referência e dos gestores conseguiram aumentar a oferta me 800 milhões de euros. Vamos ver se conseguem mais.
Para já estamos a falar de muito dinheiro. É fazer as contas: se por hipótese todo o encaixe de 6,5 mil milhões de euros for distribuído - esperemos que se consiga ter a sensatez de não o fazer, comprando um novo activo - alguns accionistas de referência vêm os seus problemas de falta de financiamento moderados. Como o BES que detém quase 8% da PT ou a CGD com 7,3%.

Depois da Cimpor e da PT vamos ver o que se segue
As dívidas também se pagam assim

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Zapatero e Sócrates, argumentos ibéricos

Veja as diferenças:

(...)Su idea de que la mayor crisis financiera tras el crac de 1929 se podía sortear con eslóganes y gesticulación propagandística hizo perder un tiempo precioso para que el país encarase en mejores condiciones una gravísima coyuntura económica (...).

O editorial do El Pais aprsenta argumentos que ouvimos também há algum tempo contra a abordagem que José Sócrates fez à crise em Portugal.

Zapatero e Sócrates tiveram a expectativa - que s epoderia ter confirmado - de que era possível fazer uma aterragem suave desta crise.
A Grécia obrigou todos os endividados a avançarem para uma aterragem brusca.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Europa dos défices e dos excedentes (externos)

Muito interessante a caixa que o FMI faz sobre as contas externas dos países do euro partindo da constatação de que a parir do lançamento do euro os países do Sul do Área do Euro (SAE) registaram um acentuado agravemnto dos seus défices externos enquanto os países do Norte da Área do Euro (NAE) viram os seus excedentes aumentarem.

E diz o FMI, os défices externos continuam importantes numa União Monetária - diria uma união monetária à La UE - sem governo centralizado, sem política orçamental única, sem liberdade de circulação de pessoas.

É ou não importante o saldo externo é um debate antigo em Portugal entre Cavaco Silva - sim é importante - e Vitor Constâncio - não, não é importante - na homenagem a Silva Lopes no ISEG.. Quer Cavaco como Constâncio continuam a pensar da mesma maneira.

Vejam-se os riscos que o FMI identifica - ou a morte lenta ou um ajustamento abrupto - e as terapias - apertar a política orçamental é o que tem efeitos mais rápidos - retirar poder de compra às pessoas e cortar despesas, ou seja, aumentar a poupança do Estado. Outra terapia, para quem tem recursos, é reduzir as contribuições para a segurança social - o equivalente a uma desvalorização interna.

Vamos ver as medidas que aí vêm.

sábado, 8 de maio de 2010

É, de facto, um susto

As taxas de juro que os investidores estão a exigir para emprestar a Portugal, são d efacto um susto.

Krugman viu como se pode ler aqui e no sue blogue com o título "O Nao"  o que o jornalista do Negócios André Veríssimo detectou pouco depois do mercado fechar, com o título "Risco de incumprimento de Portugal segue padrão da Grécia".

Na sexta-feira a "yield curve" inverteu pela primeira vez para Portugal (depois disso já ter acontecido com a Grécia): os investidores exigem uma taxa de juro mais elevada no curto prazo que no longo prazo, colocando a yield curve positivamente inclinada apenas até aos três anos e negativamente inclinada a partir daí.

No fecho de mercado de sexta-feira em Lisboa estávamos assim:
a yield a 3 anos - 6,4%;
yield a 10 anos - 6,2%.

Pelo link que Krugman fez ao WSJ podemos ver como estavam as taxas d ejuro das Obrigações do esouro nas diversas maturidades:

Ainda se torna mais assustador quando se olha para o que se passava há um mês ou há um ano em Portugal:

 
Para empréstimos com o prazo de dois anos exigem hoje à República portuguesa mais 7 pontos percentuais que há um ano. Imagine-se o que que se está a exigir a instituições financeiras portuguesas.

sábado, 1 de maio de 2010

As poupança em dívida portuguesa

Rui L. Castro no "The Portugueses Economy" desafia quem está a criticar o comportamento dos investidores em relação à dívida pública portuguesa a investirem as suas próprias economias nesses títulos, pressupondo assim que esses activos valem (pouco) aquilo a que estão a ser cotados.

Uma abordagem que, na minha modesta opinião, não leva em consideração o seguinte:
  1. O short-selling - Os mercados financeiros têm hoje instrumentos que permitem ao investidor fazer grandes fortunas em muito pouco tempo - embora correndo elevados riscos: as vendas a descoberto. Peço emprestado o título, vendo, espero que o título caia, compro e devolvo ao credor do título.
  2. A dimensão do mercado do activo versus do investidor - Quando o mercado de um activo é estreito/reduzido e o investidor, pelo contrário, pode investir valores elevados, a sua profecia de queda do título auto-confirma-se pela sua actuação - quando despeja no mercado o título que pediu emprestado provoca a queda da sua cotação. Não é por acaso que não se verificam estas operações em mercados de grande dimensão - dívida americana por exemplo ou até espanhola e italiana. 
  3. Forte incentivo de venda para comprar a seguir - Mesmo quem não esteja a 'shortar'  e preveja a alta para o título, por considerar que o valor de mercado naquele momento não corresponde ao que vale o título dados os fundamentos do activo, tem um forte incentivo para vender reforçando o movimento de queda. Comprará mais tarde, mais barato, e a prazo registará mais-valias na sua carteira.
A pergunta: como se instala o comportamento de rebanho de fuga do activo que alimenta depois todos estes movimentos? No caso português foi determinate o artigo de Simon Johnson no New York Times a que se seguiu uma análise do próprio jornal.

O desafio de Rui L. Castro:
Os gestores de activos venderam a partir de dia 16 de Abril, reforçaram as suas vendas a seguir à queda do 'rating' e desde sexta-feira estão a comprar. E ganhou-se muito dinheiro com isso - investidores e operadores - estes com comissões. A liquidez dos mercados disparou na segunda metade de Abril.

Quem comprou títulos de dívida quando todos andaram a vender - especialmente no pior dia desta turbulência que foi quarta-feira - já começou a ganhar dinheiro.

Só quem está convencido que o euro está seriamente ameaçado vendeu para não voltar a comprar.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Acordos e desacordos

Presidente e Primeiro-Ministro estão de acordo quanto ao diagnóstico preocupante do doente/País

"A situação económica e social é preocupante"
Presidente da República na tomada de posse do XVIII governo constitucional

"Os tempos são exigentes e difíceis"
Primeiro-Ministro José Sócrates na sua tomada de posse

Mas discordam dos caminhos que se devem seguir.
Um dos exemplos dessa discordância está na importância que Cavaco Silva dá ao endividamento externo, considerando que limita as escolhas disponíveis para promover o crescimento - ou seja, o endividamento externo condiciona ou mesmo impede a concretização das grandes obras públicas.

(A intervenção do primeiro-ministro mostra que não vai ceder - antes quebrar que torcer pode ser o lema. Mais em linha com a sua personalidade mas também viabilizada pelas condições políticas - quem fizer cair o Governo pagará, pelo menos nesta fase, um preço muito elevado.)

sábado, 15 de agosto de 2009

(Des)Poupança pública e privada

Retirada de uma intervenção de Michael Porter sobre Portugal.

Dedicada a todos quantos estiveram obcecados pelo défice orçamental (incluindo eu).
Hoje a situação pode ser um pouco diferente.
Mas a falta de poupança privada continua a ser mais preocupante que a pública.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Empresas endividadas

Os encargos com juros das empresas cotadas na bolsa portuguesa estão a aumentar. Por subida da dívida e aumentos dos juros. Vinte por cento dos recursos gerados tiveram como destino o pagamento de juros, no primeiro semestre. O pior caso é o da EDP. Uma análise que se pode ler hoje no Jornal de Negócios.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

O mundo endividado... e o custo de se 'desendividar'?

A imagem é do NYT. Sobre o elevado grau de endividamento do mundo, que financiou a compra de activos com dívida...E que agora precisa de se 'desendividar'. Um processo que pode não ser fácil como alertava esta semana Vítor Constâncio.

Algumas questões sobre este 'endividamento':

  1. Será rigoroso dizer que esse 'endividamento' para comprar activos que agora não valem o suficiente para pagar as dívidas é... do MUNDO? Ou será dos Estados Unidos como todos já há muito sabíamos quando olhávamos para o preocupante défice externo e a respectiva acumulação da dívida?
  2. O inusitado dramatismo do FMI quer no seu relatório de estabilidade financeira como nas perspectivas económicas da Primavera agora divulgadas não terá como principal razão a situação norte-americana? A crise chegou à rua de Washington... aos banqueiros e 'hedge fund' da capital política da América.
  3. Sobre Portugal esta crise norte-americana não desarma o famoso argumento de desdramatização das dívidas dos portugueses: não é grave porque o crédito serviu para comprar activos? Não foi isso também que os americanos fizeram, compraram activos com dívida e estão como estão?