O Presidente da República pediu aos portugueses para passarem férias cá dentro e não no estrangeiro:
"Aqueles que podem passar férias, devem fazê-lo cá dentro para ajudar Portugal a vencer as dificuldades atuais, pois passar férias cá, é criar emprego, combater o desemprego e ajudar à melhoria das condições de vida dos portugueses (...) Ajudar é reduzir o sofrimento daqueles que não conseguem entrar no mercado de trabalho ou que perderam o seu posto de emprego e encontram dificuldade em recuperar um outro... (...) passar férias cá dentro, nesta altura difícil, é também uma atitude patriótica."
O ministro da Economia Vieira da Silva respondeu em Xangai desejando que os preisdentes dos outros países não fizessem o mesmo tipo de apelo:
“Só espero que outros chefes de Estado de outros países não façam o mesmo apelo senão perderemos um fonte importante de divisas em Portugal”
O Presidente da República voltou hoje a reafirmar o que disse afirmando:
"(...)férias passadas no estrangeiro são importações e aumentam a dívida externa portuguesa(...)
O que leva um Presidente da República que é economista a usar uma política que é condenada por tudo quanto estudou sobre economia?
Crescer "comendo" crecsimento aos outros é em economia conhecido como políticas de "beggar thy neighbour". E Vieira da Silva ilustrou bem os seus efeitos perniciosos - se os cidadãos de todos os países fizerem o que Cavaco Silva disse aos portugueses para fazerem, além de todos crescerem menos, países que dependem mais do turismo serão aind amais castigados que os outros.
As políticas de crescimento por "comer à conta do vizinho" têm como resultado todos ficarem pior e deram muito maus resultados nas anteriores recessões - alguns economistas consideram que a crise de 1929 poderia ter sido menos grave se não se tivessem aplicado políticas proteccionistas.
Vale a pena ler The protectionist temptation: Lessons from the Great Depression for today
Na actual crise vários países na Europa e na América do Norte têm, mais ou menos discretamente, usado a arma do proteccionismo.
Já assistimos ao "Buy American" e "British jobs for British workers" comentado criticamente por Buiter
Ainda recentemente os franceses avançaram com uma campanha "compre francês" e é possível encontrar na versão em inglês do Der Spiegel argumentos a favor do proteccionismo (não encontrei o link).
Cavaco Silva como Vieira da Silva sabem bem tudo isso. O que leva então o Presidente a fazer um apelo tão perigoso? O facto de sermos um pequeno país? Um grande mendigo viver à custa do vizinho não tem o mesmo efeito que um pequeno mendigo viver à custa do vizinho? (Para não falar das violações do Mercado ùnico, mas quem não as pratica que atire a primeira pedra)
Há outros argumentos a favor. Como os de Paul Krugman e João Rodrigues. Assim como o apoio que em geral a opinião pública dá ao proteccionismo, como se vê neste barómetro passado do Negócios - embora possa praticar pouco.
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segunda-feira, 7 de junho de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
Agora vai ser a sério
Vêm aí medidas duras de combate ao défice público com redução do poder de compra de todos.
As decisões adoptadas este fim-de-semana primeiro em Cimeira e depois em conselho de ministros das Finanças da UE e ainda pelo BCE têm subjacentes medidas muito mais violentas de ajustamento da economia portuguesa, o que, obviamente, não passa fundamentalmente pelas contas públicas - o excesso de consumo que se reflecte no défice externo tem de ser corrigido o que só s efaz com redução do poder de compra, com cuidado, é óbvio, para não criar um problema (mais grave) no sistema financeiro.
Portugal, com a Espanha, comprometeram-se a adoptar novas medidas.
As decisões adoptadas este fim-de-semana primeiro em Cimeira e depois em conselho de ministros das Finanças da UE e ainda pelo BCE têm subjacentes medidas muito mais violentas de ajustamento da economia portuguesa, o que, obviamente, não passa fundamentalmente pelas contas públicas - o excesso de consumo que se reflecte no défice externo tem de ser corrigido o que só s efaz com redução do poder de compra, com cuidado, é óbvio, para não criar um problema (mais grave) no sistema financeiro.
Portugal, com a Espanha, comprometeram-se a adoptar novas medidas.
As pressões sobre Portugal:
- O BCE, no seu comunicado, diz que para decidir comprar dívida pública levou em consideração "os compromissos adicionais precisos assumidos por alguns governos da área do euro no sentido de acelerar a consolidação orçamental e assegurar a sustentabilidade das suas finanças públicas".
- O comunicado do Conselho extraordinárioo de Ministro das Finanças no domingo à noite onde se decidiu criar o mecanismo Europeu de Estabilização Financeira com 500 mil milhões de euros identifica claramente Portugal: "(...)We therefore welcome and strongly support the commitment of Portugal and Spain to take significant additional consolidation measures in 2010 and 2011 and present them to the 18 May ECOFIN Council (...)" (sublinhados meus).
- O relatório do FMI sobre a Europa hoje publicado: "(...) For Greece there is an acute need to stabilize and ultimately reduce public debt. Ireland, Portugal, and Spain, which have stronger fiscal starting positions and credibility, will need to follow through with existing plans for consolidation.(...)"
- E ainda o Banco de Portugal num comunicado assinado pelo governador Vítor Constâncio."(...) torna-se necessária a adopção de novas medidas que, de forma convincente, reduzam o défice orçamental deste ano e do próximo, visivelmente mais do que se encontrava previsto no nosso Programa de Estabilidade e Crescimento".
- Temos de estar preparados para o aumento do IVA - dado como certo, aceite indirectamente pelo PSD e que pode ser dado como troca para os sociais-democratas votarem a favor da redução das deduções em sede de IRS.
- Um imposto extraordinário que pode incidir em parte ou na totalidade do subsídio de Natal.
sábado, 8 de maio de 2010
É, de facto, um susto
As taxas de juro que os investidores estão a exigir para emprestar a Portugal, são d efacto um susto.
Krugman viu como se pode ler aqui e no sue blogue com o título "O Nao" o que o jornalista do Negócios André Veríssimo detectou pouco depois do mercado fechar, com o título "Risco de incumprimento de Portugal segue padrão da Grécia".
Na sexta-feira a "yield curve" inverteu pela primeira vez para Portugal (depois disso já ter acontecido com a Grécia): os investidores exigem uma taxa de juro mais elevada no curto prazo que no longo prazo, colocando a yield curve positivamente inclinada apenas até aos três anos e negativamente inclinada a partir daí.
No fecho de mercado de sexta-feira em Lisboa estávamos assim:
a yield a 3 anos - 6,4%;
yield a 10 anos - 6,2%.
Pelo link que Krugman fez ao WSJ podemos ver como estavam as taxas d ejuro das Obrigações do esouro nas diversas maturidades:
Krugman viu como se pode ler aqui e no sue blogue com o título "O Nao" o que o jornalista do Negócios André Veríssimo detectou pouco depois do mercado fechar, com o título "Risco de incumprimento de Portugal segue padrão da Grécia".
Na sexta-feira a "yield curve" inverteu pela primeira vez para Portugal (depois disso já ter acontecido com a Grécia): os investidores exigem uma taxa de juro mais elevada no curto prazo que no longo prazo, colocando a yield curve positivamente inclinada apenas até aos três anos e negativamente inclinada a partir daí.
No fecho de mercado de sexta-feira em Lisboa estávamos assim:
a yield a 3 anos - 6,4%;
yield a 10 anos - 6,2%.
Pelo link que Krugman fez ao WSJ podemos ver como estavam as taxas d ejuro das Obrigações do esouro nas diversas maturidades:
Ainda se torna mais assustador quando se olha para o que se passava há um mês ou há um ano em Portugal:
Para empréstimos com o prazo de dois anos exigem hoje à República portuguesa mais 7 pontos percentuais que há um ano. Imagine-se o que que se está a exigir a instituições financeiras portuguesas.
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