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segunda-feira, 23 de maio de 2016

A revolta dos accionistas. Atenção gestores

É o fim de uma era? 
Os accionistas estão a revoltar-se contra os excessos de bónus e prémios dos gestores.
Já é significativa a lista das empresas que mereceram um sinal vermelho dos accionistas, em votações não vinculativas mas mesmo assim importantes pelo sinal que dão de mudança dos tempos, de novas preocupações. 

Deutsche Bank e Goldman Sachs foram os mais recentes a receberem a censura dos accionistas. Mas já aconteceu com a Renault (com o Estado francês a liderar a revolta), o Citigroup e a BP.

Entre os accionistas de peso que já lançou uma campanha contra os excessos nos prémios, bónus e afins dos gestores está o fundo soberano da Noruega.

Eis o artigo do FT que faz uma boa síntese do tema: 


O mundo está a mudar para melhor? As preocupações com a desigualdade justificam a revolta. Os mais cínicos dirão que finalmente os accionistas começam a sentir na pele que ganham menos que os gestores - as empresa stêm prejuízos e desvalorizam em bolsa enquanto os gestores continuam a propor-se prémios. Seja qual for o motivo, o resultado que se promete é positivo.

(Sim estou de volta - a tentar pelo menos - ao Visto da Economia)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O poder dos accionistas (na EDP)

Ficámos hoje a saber o pouco poder que os accionistas da EDP têm, mesmo que seja um que tenha 20% do capital.

O presidente da assembleia-geral da EDP Rui Pena a proposta da Parpública para limitar os salárioos dos gestores "não é admissível" como ponto de discussão no encontro de accionistas de hoje porque "só a Comissão de Vencimentos tem legitimidade" para fazer propostas de aletrações dos salários dos gestores, como se pode ler hoje no Negócios.

Rui Pena explica que "não está em causa qualquer restrição ao exercício direito de participação dos accionistas" porque poderão discutir essa questão quando for apresentada a proposta oportunamente pela Comissão de Vencimentos".

Na pureza dos modelos que inspiraram a sua criação na sequência de trabalhos realizados por economistas e juristas que se dedicaram ao estudo do governo de sociedades em que os donos não controlam a gestão, as comissões de vencimentos foram sugeridas como ferramentas para impedir os abusos de quem controla a gestão.

Se um accionista com 20% do capital - e vamos esquecer que estamos a falar do Estado - não consegue alterar as regras ou propor mudanças numa reunião de accionistas - porque está limitado por um monopólio concedido à comissão de vencimentos - alguma coisa está errada no desenho das regras.

Os salários dos gestores

A posição da Parpública sobre a recusa do presidente da Assembleia Geral da EDP de colocar a  questão dos salários dos gestores na agenda da reunião de accionistas:


A Parpública, Participações Sociais SGPS tomou conhecimento da
decisão do presidente da Assembleia-Geral da EDP em não admitir a
discussão na próxima assembleia-geral da empresa, a sua proposta no
que respeita a alterações em matéria de remuneração.

Consequentemente, e tendo em conta as orientações constantes dos
despachos do Secretário de Estado do Tesouro e Finanças, de Abril de
2009, e do Ministro de Estado e das Finanças, de Março de 2010, em
matéria de remunerações, a Parpública irá votar contra a proposta que
estará em discussão pelos accionistas, apresentada pela Comissão de
Vencimentos da EDP.

A Parpública Participações Sociais detém, directa e indirectamente, uma
participação de 20,04% do capital social da EDP.

Lisboa, 14 de Abril de 2010

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Salários dos gestores...

...vale a pena ler o trabalho que o Negócios hoje publica sobre os salários dos gestores - o primeiro de outros trabalhos - como promete aqui Pedro Guerreiro.

O tema é controverso mas exige cuidado na avaliação dos números.

E a controvérsia não é de hoje. Em 2007 escrevi sobre o tema com o título "Executivos Ronaldos" e o ano passado nas páginas do Negócios tivémos um debate para responder à questão "Os prémios dos gestores devem ser cortados?"

E a controvérsia ultrapassa as fronteiras de Portugal - o que nada significa em si já que podia ser um tema apenas portugûês - como se pode ler nos contributos dados por um dos norte-americanos que mais tem escrito sobre este assunto relacionado com o governo das sociedades, Lucian Bebchuk.

sábado, 20 de março de 2010

A empresa SIM e os bónus dos gestores

Oiço na TSF que a empresa portuguesa SIM - Sociedade Irmãos Miranda que produz faróis para camiões - resolveu suspender os salários dos administradores em 2009 para evitar o despedimento e reisistir à crise. "Se eu não posso aguentar um ano sem receber salários, bom alguma coisa esteve mal", diz o administrador.

A SIM tem sede em Águeda,  85% da produção é exportada e tem 130 trabalhadores

Que diferença com as grandes empresas  onde os gestores tanto falam em concorrência, mercado... Ainda esta semana assistimos a uma briga muito feia na praça pública por causa dos bónus da REN. Sim, a REN...com mercado garantido, sem concorrência.

Felizmente Portugal é mais feito de SIM do que de REN.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

TAP: racionalidades em conflito

A renovação da frota automóvel por parte da TAP é um interessante caso de conflito de racionalidades.

A racionalidade financeira recomendava que se substituíssem os carros - reduz os custos. (não há a alternativa de acabar com o direito a carro a quem já o tem).

A racionalidade económica e social recomendava que se mantivessem os mesmos carros dada a conjuntura em que vive a empresa - prejuízos e salários sem aumentos.

Consciente ou inconscientemente, a administração da empresa escolheu a racionalidade financeira. E reacendeu a instabilidade económica e social na empresa.

Qual teria sido a melhor escolha? Se a greve assumir a dimensão que os sindicatos afirmam - 70% dos trabalhadores - os prejuízos financeiros causados podem ultrapassar a poupança

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Os salários dos gestores

Os salários dos nossos gestores.
De acordo com a Mercer o valor da mediana para os presidente das empresas é de 482.043 euros (ou seja, 50% dos presidentes de empresas ganham no máximo esse valor).Depois do discurso de Ano Novo do Presidente da República:

"(...)Sem pôr em causa o princípio da valorização do mérito e a necessidade de captar os melhores talentos, interrogo-me sobre se os rendimentos auferidos por altos dirigentes de empresas não serão, muitas vezes, injustificados e desproporcionados, face aos salários médios dos seus trabalhadores.(...).

É oportuno debater um assunto que foi durante 2007 também um tema nos Estados Unidos. O problema não está apenas no BCP.Confesso que não sei se é alto ou baixo, o que se paga aos gestores. Tudo depende do valor que criam ou criaram.