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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Um dia histórico para a Irlanda (e para Portugal?)

A Irlanda conseguiu converter uma dívida detida pelo seu banco central no montante de 25 mil milhões de euros com uma maturidade média de 8 anos e um custo anual de 3,1 mil milhões de euros em obrigações do Tesouro com uma maturidade média de 34 anos e um custo anual em juros de 2 mil milhões de euros. O acordo de reestruturação  foi hoje anunciado pelo primeiro-ministro irlandês depois de uma maratona na quarta-feira para obter o acordo com o BCE e que acabou com a liquidação do Anglo Irish Bank.

Os principais pontos do acordo, num resumo a partir de documentos oficiais elaborado originalmente pela Reuters.
Os efeitos orçamentais e na dívida assim como a explicação de todo o processo no Department of Finance

A Irlanda já teve a sua reestruturação em linha com os compromissos assumidos de tratamento igual quando se fez a última reestruturação para a Grécia.
Aguarda-se agora o dia histórico de Portugal.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O euro em violento abalo

 Os investidores estão em figa dos títulos de dívida pública italianos e espanhóis, as bolsas caíram com especial relevo para a banca - o Stoxx da banca caiu 3,19%, subindo apenas dois (gregos, a ironia) dos 49 bancos que integram o índice. O euro está em queda como também o dólar.
Em Portugal o BCP chegou neste dia a valer menos do que 30 cêntimos por acção e caiu 7,23%. O único banco que subiu foi o BPI - a instituição financeira que estava preparada para estes tempos turbulentos e perigosos. (Para que serviram os testes de stress, nesta versão dois? Mais uma invenção para gerar mais ruído do que informação, mais problemas que soluções, com especial relevo para países como Portugal - ler aqui Com amigos assim...)

Isto é o que s epode ler no FT:
Italian and Spanish borrowing costs hit fresh euro-era records and bank shares dropped on Monday as markets increased the pressure on European leaders ahead of a crucial summit on the eurozone debt crisis.
Italy’s benchmark 10-year bond yields rose above 6 per cent and were up 27 basis points at 6.03 per cent in midday trading. Spanish yields hit 6.35 per cent, their highest level since 1997, ahead of debt auctions on Tuesday and Thursday.

Como já se sabia e tenho escrito até à exaustão, é a políticaSe os líderes europeus - leia-se Angela Merkel - não mudarem de estratégia na abordagem da crise do euro, sem incumprimentos e com uma intervenção musculada do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) nos mercados de dívida pública para os estabilizar, estaremos à beira de uma gravíssima crise. A próxima Cimeira extraordinária de quinta-feira não pode deixar de ser a Cimeira decisiva.

Cada dia que passa parece mais um dia para o abismo. O mundo está mesmo muito eprigoso. (Resta-nos esperar que a União actue como sempre, no último minuto e à beira do precipício)

terça-feira, 12 de julho de 2011

E a desunião do euro continua

Ministros das Finanças concordam com participação dos privados no segundo empréstimo à Grécia, diz Olli Rehn, comissário europeu dos assuntos económicos e monetários, em linha com o comunicado de segunda-feira do Eurogrupo.

"Participação de privados na ajuda á Grécia não é uma boa ideia", diz a ministra das Finanças espanhola Elena Salgado.

E depois admiram-se com o facto de as agências de 'rating' considerarem que os países como a Grécia, Irlanda e Portugal, que estão a ser teoricamente ajudados pelos seus parceiros da Zona Euro, estão cada vez mais arriscados para os investidores financeiros.

(A participação de investidores privados é, em abstracto, uma boa ideia - não só justa como racional no quadro de um regime capitalista. Mas envolver os privados neste momento, depois de tudo o que já aconteceu, é condenar o euro)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O BCE, sim, é consequente nas criticas às agências de rating

O BCE suspendeu esta quinta-feira o requisito de rating mínimo para aceitar instrumentos de dívida ou títulos garantidos por Portugal como colateral  nas operações de concessão de liquidez, tal como já o tinha feito com a Grécia Uma decisão tomada na sequência da decisão da Moody's de colocar a dívida da República Portuguesa no nível de especulativa ou "lixo".
O BCE sim, tem sido consequente nas afirmações que faz e consistente nas decisões e posições que assume. Não se fica pelas criticas às agências de 'rating' como fazem os líderes de alguns dos grandes ou importantes países do euro para depois lhes dar, às agências, munições para fragilizarem ainda mais os países fragilizados.

O que fez a Moodys, como escrevi aqui, foi internalizar a possibilidade de incumprimento da Grécia colocada em cima da mesa pelos líderes europeus, nomeadamente da França e da Alemanha, e daí retirar as consequências: Portugal será o próximo. Uma mensagem transmitida pelos parceiros de Portugal no euro.

Os muitos sublinhados que Jean-Claude Trichet fez - "we [ECB] say 'no' credit event, no selective default" - são dirigidos aos responsáveis europeus. A Europa, defendeu, deve seguir a "doutrina internacional". E deu o exemplo da abordagem feita na crise do sudeste asiático, em 1997, vários países foram ajudados pelo FMI e/ou pelos seus vizinhos.

Vale a pena ver o vídeo da conferência de imprensa para se perceber como Frankfurt está afastada de Bruxelas. Trichet recordou, basicamente, que não se parte para um plano de reajustamento financeiro com propostas de incumprimento, como está a acontecer com a Grécia.

Vale ainda a pena ver como Trichet anda irritado. Aos 60 minutos, respondendo a uma questão sobre a possibilidade de a credibilidade do BCE estar afectado pelo seu envolvimento no apoio à Grécia, Irlanda e Portugal, mostrou-se bastante irritado: "Yes, sir, we are credible".

Não vale a pena matar os mensageiros como a Moody's que reflectem basicamente o caos em que está a União Europeia. Antes da crise no euro e do processo de ajuda à Grécia, um apoio financeiro internacional - do FMI - abria os mercados, não os fechava ainda mais, como está a acontecer agora. O fecho dos mercados está a ser ditado por um único acontecimento: a ausência de entendimento político dentro da União.

(Mais uma vez isto não quer dizer que não devem existir mudanças no sector das agências de 'rating' - além de viverem num oligopólio, como disse Trichet, são pró-cíclicas, ou seja, como também escrevi aqui, alimentam as euforias e os pânicos) 

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A Moody’s tem razão (e não tem)

A decisão da Moody’s de colocar o ‘rating’ de Portugal em lixo é um banho de gelo sobre a expectativa de que plano da troika e novo Governo significa salvação. Uma enorme ilusão. O problema não é (apenas) técnico, é político. O que significa que temos de ser mais troikistas que a troika.

As agências de rating ouvem o que nós ouvimos e ouvem mais, ouvem aquilo que se diz nos corredores do euro. E perguntam: será que os líderes do euro querem mesmo salvar a Grécia e Portugal?

Vejamos o argumento da Moody’s:

1. Portugal corre o risco de não cumprir os objectivos de redução do défice orçamental e de estabilização do endividamento acordados com a troika por causa dos “enormes desafios que o País enfrenta ao nível da redução da despesa e do combate à fuga fiscal, para impulsionar o crescimento económico e apoiar o sistema financeiro."

2. A banca portuguesa regista a "possibilidade não negligenciável” de “precisar de mais apoio do que o que está previsto no acordo” com a Troika

3. Como consequência (de 1. e 2.) Portugal corre um "risco crescente de precisar de um segundo plano de assistência financeira antes de conseguir regressar aos mercados financeiros".

4. E em face da probabilidade de precisar de mais ajuda (concluído em 3.) a abordagem recente à crise da dívida na Grécia criou “uma maior possibilidade de colocar como pré-condição para novos empréstimos a participação dos credores privados".

Ou seja, o mundo mudou outra vez, mostrando mais uma vez que o problema é político:
  • A Moody’s, que defende os interesses dos investidores, dada a probabilidade de Portugal precisar de um empréstimo adicional – já previsto e admitido antes – e face à nova perspectiva, que a Zona Euro gerou com a Grécia, de envolver os credores privados, avisa os investidores financeiros que podem perder mais dinheiro com activos portugueses do que previam ou do que já estão perder.
E o mundo não mudou outra vez, revelando mais um vez como o problema é político:
E o mundo expõe os desejos políticos secretos por linhas tortas:
E eis que voltamos à pergunta fundamental: Querem alguns países do euro que Portugal se mantenha no euro? Ou querem expulsar do euro Portugal, tal como a Grécia, a Espanha e, como efeito colateral, a Irlanda?

Esta é a pergunta que os líderes dos países do euro têm de responder com actos e declarações públicas e privadas. Porque são dúvidas quanto à vontade política de manter o euro como está que justificam o comportamento das agências de ‘rating’ e a reacção dos mercados financeiros.

As agências de ‘rating’ sabem que alguns países do euro estão convencidos que estariam melhores sem a Grécia, Portugal, Espanha e, porque parecia mal, a Irlanda. Gostariam também de ver a Itália fora, mas isso é mais difícil. Passámos do Clube Med como chamava a este grupo de países, em 1998, o então ministro das Finanças holandês Gerrit Zalm para os PIIGS e GIPSI. O problema é o mesmo.

É exactamente porque o problema é político que hoje como na altura temos de cumprir o plano da troika e ser até mais troikistas que a troika.

Não podemos dar um único pretexto técnico – como não o demos na altura do exame para a entrada no euro em 1998 – para a justificação política do lamentamos, mas não são capazes de estar na União Monetária.

É por isso que devíamos ter aprovado o PEC IV. Mas o passado pouco importa.

Hoje o Governo tem de cumprir escrupulosamente as medidas impostas pela União Europeia e pelo FMI e, no que for possível, adoptar ainda mais medidas que reduzam rapidamente as necessidade de financiamento externo da economia portuguesa. Por isso é que o imposto extraordinário é uma boa medida. E cada um de nós, na medida do que pudermos e se queremos continuar no euro, tem de consumir menos e poupar mais.

O problema das agências de ‘rating’? Sim, são um problema.

É verdade que se a Zona Euro tivesse tido outra abordagem do problema grego, se mostrasse vontade política de o resolver, a Moody’s não teria cortado o rating de Portugal em 4 níveis para Ba2. Uma possível abordagem, que efectivamente resolveria o problema foi em devida altura defendida por Tremonti e Juncker e hoje temos mais uma nova abordagem de Stuart Holland e Yanis Varoufakis.

Mas há mais. As agências de ‘rating’ mostraram que são factores de instabilidade dos mercados, alimentando as euforias e os pânicos. Têm o poder de confirmar as suas próprias previsões. É preciso mudar e reduzir o seu poder. Mas esse é outro problema que tem de ser resolvido a nível global mas que não resolverá o problema de Portugal.

A nós apenas nos resta, neste jogo do finge que ajuda, não dar pretextos técnicos. Isso significa mais do que cumprir o plano da troika, com a prudência que o elevado endividamento das famílias e empresas exige. A alternativa, sair ou ser expulso do euro, é muitissimo pior, um autêntico pesadelo.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Trichet e o seu E que falta na UEM

O ainda presidente do BCE defende um Ministério das Finanças europeu como se pode ler aqui e aqui:

“Nesta união de amanhã... será que seria demasiado audaz a ideia de um Ministério das Finanças Europeu?”
A audácia não é, infelizmente, uma qualidade dos políticos que lideram hoje os países da União Monetária. Políticos que não olham à sua volta, olham apenas para os gráficos de popularidade e sondagens.

Todos sabem que a União Monetária tem falta de União Económica e Política. A ausência destes dois últimos pés do tripé ameaça acabar com o euro. Mas por enquanto parecem contentar-se, os líderes do euro, a gritar contra a Grécia, a Irlanda e Portugal para gáudio dos que não pensam.

Jean-Claude Trichet tem outros gráficos para onde olha, os do valor do euro. É verdade que coincide hoje, a defesa desse valor do euro, com os interesses da União Monetária. E Trichet ainda (ou já é) é livre das sondagens. 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

E Portugal pediu ajuda

No dia 6 de Abril de 2011, Portugal pede ajuda financeira à União Europeia. E assim sai dos mercados financeiros - deixa de se financiar no mercado e passa a financiar-se directamente junto da UE/FMI.

Uma ajuda que se tornou inevitável, ditada pela velocidade com que subiram as taxas de juro e desceram os 'ratings' da República desde que o Governo se demitiu na sequência do chumbo do chamado PEC IV.
Um pedido que José Sócrates concretiza contra a sua vontade.

Desde o início da semana assistimos a entrevistas de banqueiros à TVI afirmando em praça pública o que nunca imaginaríamos possíveis.
O presidnete do BCP foi o primeiro a dizer que Portugal devia pedir ajuda já. Seguiu-se o banqueiro dos banqueiros, Ricardo Salgado na terça-feira, afirmando exactamente o memso: Portugal tem de pedir ajuda.

Foram (as entrevistas dos banqueiros), e são, reveladoras da resistência do primeiro-ministro em pedir apoio financeiro à UE, fazendo o país correr um risco de colapso que nos custaria bastante caro.

E todo o calendário de dia 6 de Abril revela bem até que ponto o primeiro-ministro estava disposto a ir na sua recusa em pedir ajuda:

18:00 - O processo de pedido de ajuda começa com a entrevista do ministro das Finanças dada por escrito, e que é publicada praticamente à hora a que chegou ao mail. O objectivo era comentar o leilão de Bilhetes do Tesouro que deu um sinal dramático de encerramento dos mercados para Portugal. Eis que quando questionado sobre o pedido de ajuda responde:
"Perante esta difícil situação, que podia ter sido evitada, entendo que é necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu em termos adequados à actual situação política. Tal exigirá, também, o envolvimento e o comprometimento das principais forças e instituições políticas nacionais".

19:00 - Sabe-se que o primeiro-ministro vai fazer uma comunicação ao país às 20:30

Poucos minutos depois das 19:00 a Comissão Europeia dizia que ainda não tinha recebido um pedido de ajuda de Portugal

Quase às 20 horas sabe-se que foi convocado um Conselho de Ministros extraordinário.

Pouco depois das 20:30 o primeiro-ministro anuncia que pediu ajuda externa.

21:00 em Lisboa, 22:00 em Bruxelas, a Comissão Europeia revela em comunicado que o primeiro-ministro José Sócrates informou o presidente da Comissão que vai pedir ajuda.

Tudo correrá bem - e provavelmente melhor do que esperamos neste momento - se os partidos do arco da governação actuarem responsavelmente. Têm de assumir compromissos em plena campanha eleitoral.
Será a credibilidade desses compromissos que evitará medidas ainda mais duras de austeridade. Quanto mais for a capacidade de os partidos se entenderem, de cooperarem, menos será o aperto do nosso cinto.

Vamos ter de reduzir o nosso nível de vida, mas poderemos fazê-lo à bruta ou mais lentamente - tudo depende dos nossos líderes políticos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Economist sobre Portugal, Grécia e Irlanda, a ler


"Eles vão rebentar. Reconheçam"
"(...)
These economies [Greece, Ireland and Portugal] are on an unsustainable course, but not for lack of effort by their governments. Greece and Ireland have made heroic budget cuts. Greece is trying hard to free up its rigid economy. Portugal has lagged in scrapping stifling rules, but its fiscal tightening is bold. In all three places the outlook is darkening in large part because of mistakes made in Brussels, Frankfurt and Berlin.

At the EU’s insistence, the peripherals’ priority is to slash their budget deficits regardless of the consequences on growth. But as austerity drags down output, their enormous debts—expected to peak at 160% of GDP for Greece, 125% for Ireland and 100% for Portugal—look ever more unpayable, so bond yields stay high. The result is a downward spiral.

This newspaper has argued that Greece, Ireland and Portugal need their debt burdens cut sooner rather than later.
(...)
The big obstacle is not technical but political. Since many at Europe’s core, particularly the ECB, remain implacably opposed to debt restructuring (...)
It is time the Fund’s top brass said so publicly and, by refusing to lend more without a deal on debt, pushed Europe’s pusillanimous politicians into doing the right thing.

domingo, 28 de novembro de 2010

A ajuda à Irlanda concluída


Fonte:Comunicado do Ecofin; MEEF: Mecanismo Europeu e Estabilização Financeira; FEEF: Fundo Europeu de Estabilização Financeira
O acordo de ajuda à Irlanda foi concluído no conselho de ministros das Finanças da UE que acabou por ser menos dramático do que se esperava.
Dos 85 mil milhões de euros, 67,5 mil milhões de euros é que vêm do exterior, o restante será garantido pela própria Irlanda. A taxa de juro será de 5,83%, à partida superior à aplicada à Grecia (5,2%).

A Alemanha acabou por recuar na intenção de trasnferir perdas para o sector privado, ficando-se pela análise "acaso a caso".

As notícias:
Irish Times - Irlanda recebe 85 mil milhões de euros
Bloomberg: Irlanda ganha 85 mil milhões de euros
Reuters:  UE suporta ajuda à Irlanda

Os comunicados:
Acordo FMI e Irlanda
Declaração do Ecofin

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Argentina

Nos últimos dias tenho pensado muito a Argentina.
Tenho de estudar melhor o que aconteceu à Argentina quando acabou com a ligação ao dólar um por um.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

E depois da Irlanda

Portugal pagou 4,8% para se financiar a um ano. Em Janeiro, para o  mesmo prazo pagou 0,928%. Além de uma taxa mais elevada, a procura foi mais baixa - 1,8 vezes a oferta, contra 2,2 vezes na emissão de Novembro

Portugal's Borrowing Costs rise escreve o Wall Street Journal:

"The sharp rise in borrowing costs highlights the impact Irish concerns have on yields in other euro-zone peripherals, and if Ireland gets an aid package, markets are likely to sooner or later push for a deal on Portugal," Brown Brothers Harriman said in a note to clients.
O efeito dominó está em acção. Os investidores já construíram a sua profecia e a respectiva confirmação.

Assim que a Irlanda disser sim, assim que se vergar à análise técnica dos homens e mulheres do BCE, FMI e Comissão Europeia que amanhã aterram em Dublin, Lisboa concentra a elevada de probabilidade de ser a próxima paragem.

O roteiro deste processo que os líderes europeus pré-traçaram com esta insistência de ajudar publicamente e aos gritos a Irlanda pode ser uma viagem de pesadelo. De Atenas para Dublin, de Dublin para Lisboa, de Lisboa para... pode já não haver este caminho para Madrid e Roma. Aqui a única saída será para Frankfurt, para as máquinas de imprimir moeda com que se quer acabar rapidamente com o fim da compra de títulos aos bancos da Zona Euro e que tanto se odeia por ali.
Ou o fim de um projecto.

Todos conhecemos os riscos. Imprimir dinheiro é inflação, é alimentar a dependência, é desincentivar a redução da dívida. Mas prometer ajuda que não se vai conseguir garantir até às últimas consequências, ameaça o colapso do euro - ou o recuo para a impressão de dinheiro

O FMI, o BCE e a Comissão chegam à Irlanda

Amanhã chegam à Irlanda as equipas t+ecnica dos FMI, BCE e Comissão Europeia para avaliarem se a Irlanda é capaz de resolver o problema da sua banca sozinha.

Vale a pena ler Ireland Braces for Bank Exam  ou ainda a narrativa do Guardian.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Não queremos, e não queremos, diz a Irlanda

A reunião do Eurogrupo continua, a conferência de imprensa marcada para as 20 horas está atrasada.

Confesso a minha simpatia pela posição irlandesa ainda que ache graça a este título do WSJ - For Europe's Sake, Take the Money. Vale a pena ler o texto.

Assim como vale a pena seguir quer o Negócios - sim, eu sei que sou suspeita - como o que está a fazer o Guardian, uma excelente ideia.

Em Bruxelas o ambiente deve estar bastante quente.

Irlanda sob pressão - e o pânico de alguns

A Irlanda está sob uma violentissima pressão para aceitar ajuda, com vários líderes europeus a dramatizarem a situação até ao limite de dizerem que é o euro que está em causa

Para Portugal, uma intervenção na Irlanda, é a antecâmara para a entrada do fundo europeu e internacional também aqui, como já defendi.

A forma como os líderes europeus estão a lidar com esta crise da dívida legitima as perspectiva smais sombrias: Euro Dominos Will Fall Until Currency Is Split: Matthew Lynn. Com toda a racionalidade.

No Guardian mostra o minuto a minuto da pressão sobre a Irlanda e da desorientação na Europa (veja-se, por exemplo, a Áustria a dizer que quer deixar de ajudar a Grécia para depois dizer que afinal não é assim)

É possível - era possível, se assim o quisessem - resolver o problema financeiro em que está a Irlanda sem este alarido. Bastava ser-se menos ortodoxo em matéria de emissão monetária - mais emissão de moeda como está a fazer e se tem feito nos Estados Unidos.

O que é melhor? Ter mais inflação ou deixar de ter o euro?

domingo, 14 de novembro de 2010

Ajuda à Irlanda, o erro

A Irlanda está a ser pressionada aparentemente pela Alemanha para pedir ajuda ao Fundo financeiro europeu e ao FMI, apesar de só precisar de se financiar no mercado no próximo ano.

A Europa o FMI estão divididos sobre as vantagens deste pedido de ajuda.
Uns pensam que acalmará os mercados financeiros, outros, pelo contrário, receiam que a intervenção na Irlanda coloque Portugal na linha da queda, seguindo-se depois a Espanha... E para a Espanha não haverá recursos suficientes no fundo criado em Maio para a Grécia.

Outra razão para a pressão sobre a Irlanda está directamente ligada a Berlim: o governo alemão considera que se a Irlanda for intervencionada fica com as mãos mais livres para continuar a  falar sobre o castigo aos investidores que será consagrado no novo mecanismo de ajuda financeira aos países em dificuldades a ser discutido na reunião dos ministros das Finanças na próxima semana.

Angela Merkel está a ser acusada pela Irlanda, como já foi criticada pelo BCE e pela Espanha, de ter gerado a tempestade financeira que se viveu no mercado de dívida pública desde há quinze dias, quando na Cimeira Europeia se lançou o tema do fundo permanente com castigo a investidores privados.

Em Seul, na Cimeira dos G20, Merkel acabou por reconhecer que estava a falar para o seu eleitorado e pediu aos mercados que compreendessem os políticos. 

A intervenção na Irlanda pode ser uma gravíssimo erro. Para a Irlanda, para Portugal e para o euro.
A Alemanha está a actuar demasiado concentrada em si própria e não pode ser responsabilizada por isso. O euro expõe neste drama as contradições de políticas centralizadas e eleições nacionais.

Aqui a informação mais recente:
Ireland Urged to Take Aid by Officials Amid Debt Crisis

Europa pressiona Irlanda a pedir ajuda no Negócios

Government campaigns to avoid EU financial bailout no Irish Times

Ireland 'can manage own affairs', Srauss-Khan, FMI no Irish Times

Vale ainda pena ler
Is Ireland’s number up? de Mary Regan, no Irish Examiner via The Irish Economy

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Irlanda vs Portugal, Espanha e Grécia

O Orçamento do Estado da Irlanda:
» Salários da função pública reduzidos em 5% ( até ao limite 30 mil euros); 7,5% ( sobre valores até 40 mil euros - o que, se bem percebi, incide sobre os valores que vão dos 30 mil aos 70 mil euros) e 10% para os últimos 55 mil euros.
» O salário do primeiro-ministro será reduzido em 20% e dos ministros em 15%.

E muito mais que se pode ler aqui.

Em Portugal estamos na fase de discutir um rectificativo que é um formalismo - legitimar o que já está gasto como se verifica na emissão de dívida.

É pela história já construída e por aquela que se está a fazer neste momento que as agências 'rating' são depois mais "benevolentes" com os anglo-saxónicos.

As criticas que se fizeram às agências d e'rating' por se terem apressado a fazer alertas a países como Portugal deixando a Irlanda mais aliviada da pressão tem nesta história a sua explicação.

domingo, 15 de junho de 2008

O não da Irlanda a Lisboa

Por fora uns dias, regresso.

A Irlanda disse não ao Tratado de Lisboa.
Está instalado o drama, de novo, na União Europeia.
O Tratado, como se diz no EurActiv, foi rejeitado por 862.415 irlandeses, 0,00175% dos 495 milhões de cidadãos europeus. Pequeno pormenor: este foi o único Estado membro a ratificar o Tratado de Lisboa.

O que fazer agora? O que se passou não é inédito. Como lembra o Público Esta não é uma situação inédita na história da UE. No início da década de 1990, a Dinamarca aprovou a ratificação do Tratado de Maastricht numa segunda votação, depois de ter obtido uma cláusula que lhe permitia não aderir ao euro. Em 2002, a Irlanda votou pela segunda vez o Tratado de Nice, depois da vitória do “não” num primeiro referendo ter colocado em causa o alargamento da UE a Leste.

Sendo Lisboa um Tratado de reorganização das instituições, não me parece viável manter estados de fora, reforçando a Europa a várias velocidades que já se verifica com Schengen e o Euro. O caminho mais prático é acrescentar um protocolo ao Tratado que leve em consideração as preocupações reais - e não as fictícias criadas por campanhas populistas - dos irlandeses.