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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Cavaco e "nós é que mandamos"

“Só o governo ou a Assembleia da República é que podem incluir essas matérias [alteração da legislação laboral] na agenda política portuguesa e, quanto sei, até este momento ninguém a colocou. (...)   “nenhuma entidade exterior pode colocar matérias dessas na agenda portuguesa, ninguém pode".
Presidente da República, ontem, sobre as recomendações e afirmações (insensatas, digo eu) do comissário europeu, assunto sobre o qual escrevi aqui
 
Há anos que a Comissão Europeia faz estes considerandos, tipo ladainha. A diferença, que pode ser substancial, é que desta vez Olli Rehn mostrou que não sabia do que estava a falar ao pedir, além da habitual reforma do mercado laboral, reformas na segurança social, metendo Portugal no mesmo saco que a Grécia. Para depois reconhecer que não o podia fazer.
 
As palavras do Presidente só podem revelar que atrás do pano da vida que vemos na União Europeia estão a desenvolver-se movimentos complexos, para não dizer graves.
Vivemos tempos perigosos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Cavaco e Sócrates IV

Uma "boa conversa" que durou 40 minutos.
Esperemos que assim tenha sido.
Já basta a crise económica - outros cenários, como os que se foi ouvindo hoje de não convidar o líder do partido mais votado a formar governo - seria... todos sabemos

Cavaco e Sócrates III

Imprescindível ler Marina Costa Lobo.
Uma análise distanciada.

Especial relevo:
1. Cavaco Silva fez "um discurso que foi um bom exercício de contenção de danos"
2. Cavaco Silva não explicou o que foi o caso das escutas que aqueceu este Verão.

Digo eu:
  • Cavaco Silva estava (ou deixou-se colocar) em xeque-mate - devia ter logo dito dia 18 que só o Presidente falava em nome do Presidente
  • Com a intervenção que fez na sexta-feira deixou de estar em "xeque-mate" - ou seja está em melhor posição do que estava antes de falar -, embora continue em posição de "xeque".
  • A sua narrativa controlou danos e até podemos ( versão especulativa) ver nela pistas sobre o que poderá ter ocorrido no dito "caso das escutas" - na declaração que está a ser ridicularizada sobre a vulnerabilidade dos mails. Hoje o DN diz que o PR substituiu o responsável pela informática em Junho.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sócrates e Cavaco II

"Eu sempre me empenhei - e nunca contribui para alimentar esta polémica - numa relação com o senhor Presidente da República e com a Presidência da República que seja institucionalmente adequada e correcta"
José Sócrates, o garante da estabilidade

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Cavaco e Socrates - declaração de guerra


Acabou a guerrilha.
Está declarada a guerra entre dois titãs da política portuguesa.
Por causa de escutas que nunca existiram.
Cada um com a sua narrativa sobre o que aconteceu desde Agosto até agora.

E aqui a de Silva Pereira

O campo de batalha passou a ser público.
Cavaco Silva ganhou margem de manobra com a declaração que fez.
E Sócrates mostrou que vai entrar na batalha.
Assim foi a primeira batalha - em empate técnico.

Vamos ter tempos difíceis.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Desabafos

Gostava mesmo muito que a Presidência da República não me estivesse a fazer assistir a isto:

1. Presidência da República teme estar a ser vigiada, no Público de 18 de Agosto pela manhã
"Como é que os dirigentes do PS sabem o que fazem ou não fazem os assessores do Presidente? Será que estão a ser observados, vigiados? Estamos sob escuta ou há alguém na Presidência a passar informações? Será que Belém está sob vigilância?". diz membro da Casa Civil do Presidente

2. Presidência não comenta temor de estar a ser vigiada, notícia generalizada no dia seguinte, 19 de Agosto.

Numa história que começa aqui, no Público, com José Junqueiro e Vitalino Canas do PS a "uma eventual participação de assessores do Presidente da República na elaboração do programa do PSD". Diz Junqueiro: "Se isso se confirmar, se Cavaco Silva autorizar, há uma clara interferência na campanha eleitoral"

3. Afinal o Semanário foi o primeiro jornal a divulgar a colaboração de assessores do Presidente no programa do PSD como se pode ver na síntese de Paulo Querido.

4. E Manuela Ferreira Leite fez eco desse apoio dos assessores do Presidente no seu site Falar Verdade no dia 7 de Agosto.

O que leva a Casa Civil do Presidente da República de Portugal a revelar, dia 17 de Agosto, ao Público, que receia estar sob vigilância, por causa de um comentário feito por socialistas, dia 15 de Agosto, sobre a colaboração de assessores da Presidência no programa do PSD, que já estava nos jornais e no site da líder social-democrata desde dia 9 de Agosto?

Confesso que a última coisa que esperava era assistir a uma guerrilha entre a Presidência da República de Portugal e o Governo a pouco mais de um mês de umas eleições em que se corre o risco de não ter um resultado que garanta estabilidade governativa. Em plena e grave crise económica.

Questões como a possibilidade de um Governo estar a vigiar outros órgãos de soberania são demasiado graves para serem usadas como parecem estar a ser.

Gostava mesmo muito de não estar a assistir a isto.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Em Belém mantém-se a sensatez

O Presidente da República não promulgou as alterações à lei do financiamento dos partidos.

Aquela lei meio aprovada à socapa por todos os partidos e que apenas mereceu criticas de um deputado, o socialista António José Seguro.

Um dos argumento do Presidente é obviamente o mundo em que queriam ficar os partidos: um modelo de financiamento "tendencialmente público" como tinha aprovado anteriormente, e aumentar significativamente a possibilidade de doações privadas sem se saber quem dava o quê.

O mal que o financiamento dos partidos está a fazer às democracias recomendava que a classe política fosse mais sensata e procurasse solução mais adequadas para um tema destes, tão debatido no mundo.

Por vezes parece que o maior inimigo dos partidos e da democracia são os próprios políticos.

A actuação do Presidente da República tem sido determinante para limitar os danos que se estão a fazer ao regime.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O BPN e o Presidente

Pode o Presidente da República demitir um Conselheiro de Estado?
Não me parece pelo que se lê da Lei nº 31/84 de 6 de Setembro a que cheguei via Câmara Corporativa.

O Presidente remeteu hoje os jornalistas para a legislação quando questionado sobre o Conselheiro Dias Loureiro, escolhido por si.

Pouco tempo depois Dias Loureiro declarou à TSF que renunciaria ao cargo se a sua presença no Conselho de Estado causasse incómodo ao Presidente.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

O Presidente na TV III

Se anunciar ao país que os poderes de um órgão de soberania estão a ser atacados não é importante, não sei o que é importante. Cavaco Silva disse-nos que estavam a reduzir os seus poderes com uma lei- e não com uma revisão constitucional.

1Não parece ter sido muito feliz a intervenção, feita com pompa e circunstância, através das televisões, pelo sr. Presidente da República, no último dia de Julho passado, quando a maioria dos portugueses se preparava para ir de férias, procurando esquecer, por um mês, os problemas graves e complexos que os esperam no regresso. Não porque o tema que levantou não tenha pertinência e não seja uma preocupação legítima que lhe respeita. Mas pelas expectativas criadas e pelo momento e a forma que escolheu para o transmitir aos portugueses. (...) Mário Soares no Diário de Notícias

Mário Soares não diz que não é importante. Critica as expectativas criadas, o momento e a forma.

O perfil das reacções à intervenção de Cavaco Silva reforçam a convicção de que estamos perante uma nova fase nas relações entre Belém e São Bento. Do lado do PS e possivelmente do Governo estavam a ser criados pequenos cercos ao Presidente, uma acção mais ou menos de guerrilha ditada pelas ligações de Cavaco à nova líder do PSD. Belém resolveu fazer o convite à batalha a céu aberto. O outro lado recuou, desvalorizando a intervenção e ao que parece acatando todas as recomendações de Cavaco Silva para - de que é que estamos mesmo a falar? ... Ah, sim, do estatuto dos Açores.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O Presidente na TV II

A intervenção do Presidente da República foi muito importante.
Está lançada a contra-táctica sobre o fim da cooperação estratégica.

Cavaco Silva na TV

A intervenção do Presidente da República hoje às 20 horas gerou - e está a gerar - ao longo do dia as mais variadas especulações.

Será que o mesmo aconteceria em Maio, quando Manuela Ferreira Leite ainda não era líder do PSD?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Os salários dos gestores

Os salários dos nossos gestores.
De acordo com a Mercer o valor da mediana para os presidente das empresas é de 482.043 euros (ou seja, 50% dos presidentes de empresas ganham no máximo esse valor).Depois do discurso de Ano Novo do Presidente da República:

"(...)Sem pôr em causa o princípio da valorização do mérito e a necessidade de captar os melhores talentos, interrogo-me sobre se os rendimentos auferidos por altos dirigentes de empresas não serão, muitas vezes, injustificados e desproporcionados, face aos salários médios dos seus trabalhadores.(...).

É oportuno debater um assunto que foi durante 2007 também um tema nos Estados Unidos. O problema não está apenas no BCP.Confesso que não sei se é alto ou baixo, o que se paga aos gestores. Tudo depende do valor que criam ou criaram.