Mostrar mensagens com a etiqueta emprego. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta emprego. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Mais de 170 mil postos de trabalho destruídos

Começam a ver-se nas estatísticas do emprego os primeiros efeitos da crise pandémica especialmente do confinamento:

Mercado de Trabalho Junho/Julho

Destruídos 171,7 mil postos de trabalho entre Julho de 19 e 20

Dados provisórios de Julho:

População empregada: -3.5% yoy

Taxa de desemprego: 8,1% da população activa, +1,6pp yoy

Taxa de subutilização: 15,7% e +2,8pp yoy

Dados finais Junho:

População empregada: -3,4% yoy

Taxa de desemprego: 7,3% ou +0,7pp yoy

Taxa de subutilização: 15,5% ou +2,5pp yoy

Não esquecer que as regras de deifinição de desempregado, na linha da Organização INternacional do Trabalho, impede que se veja na totalidade os efeitos da crise pandémica no desemprego, como tem sublinhado o INE. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Emprego, indicador avançado da retoma?

O Ministério das Finanças pronuncia-se sobre os dados de evolução do PIB divulgados pelo INE nestes termos:
 "A economia portuguesa cresceu 0,8 por cento face ao segundo trimestre de 2015. Uma evolução inferior à que está subjacente ao Orçamento do Estado de 2016. A economia está assim a levar mais tempo a acelerar o ritmo de crescimento".

Pensei que finalmente se ia reconhecer que a economia está a travar e é preciso reorientar a política económica (em tempos de incerteza e restrição financeira desculpem lá mas continuo convencida que a ferramenta de actuação mais importante é a conquista da confiança de quem investe).

Mas a seguir leio:
"Contudo, nos próximos meses, o crescimento económico deverá ser sustentado nos sinais de franca recuperação do mercado de trabalho".

Os números do emprego relativos ao primeiro trimestre foram de facto muito positivos como se pode ver aqui e ler o que escrevi sobre isso aqui. Mas são do segundo trimestre de 2016 e reflectem o passado, não antecipam o futuro.

Todos os estudos em todos os países provam que o mercado de trabalho reage com atraso em relação à recuperação da economia. Em Portugal as estimativas são de seis a nove meses. É aliás por causa disso que os cidadãos em geral não compreendem que os economistas falem em retoma muito antes de eles a sentirem no emprego, seu ou dos seus amigos e familiares. É aliás por causa disso que, partidos que estão no poder, quando a economia já está a sair da crise, perdem eleições.

O emprego sempre foi um indicador "atrasado" da recuperação económica e nunca um indicador "avançado".

Penso que percebo a teoria subjacente a este comunicado: mais emprego vai gerar mais consumo e com isso o PIB vai subir.
É outra linha da teoria: recuperação dos salários da função pública e redução do IRS vão aumentar o poder de compra e por sua vez o consumo e por sua vez o PIB. O que não aconteceu. Não tendo efeitos pelo preço (subida do poder de compra), espera-se agora que tenha efeito pela quantidade (subida do número de postos de trabalho).

Não conheço nenhuma investigação que prove que o emprego é um indicador avançado do crescimento económico tendo por base este ou outro raciocínio.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O desemprego visto pelo emprego


O desemprego que veio para ficar, o meu editorial de hoje que aborda o problema do desemprego na óptica do que aconteceu ao emprego durante os últimos cinco anos e em linha com O desemprego inevitável que escrevi em Junho do ano passado. E ainda a conversa com Manuel Acácio no Fórum da TSF de hoje que teve como tema  "O desemprego e o estado do país".

Eis os factos que podem ser vistos nos gráficos em baixo, com restrições de leitura pro ter havido uma ruptura na série do inquérito ao emprego em 2011:
1. A destruição de emprego concentrou-se nas baixas qualificações (até nove anos de escolaridade)
2. Durante os últimos cinco anos houve criação de emprego para qualificações superiores aos nove anos de escolaridade.

As possíveis consequências num quadro em que nem as políticas do Governo nem as pessoas mudam:
1. A taxa de desemprego vai manter-se elevada;
2. O crescimento da economia será medíocre, condicionado pela falta de qualificação.

O que pode moderar essa tendência:
1. Emigração de não qualificados;
2. Imigração de qualificados;
3. Políticas que qualificação profissional dos activos e mudança de política educativa para as novas gerações.

Comentário às medidas numa óptica de probabilidade de ocorrência:
A emigração e a imigração dependem de decisões individuais, sendo mais provável a sua ocorrência.
As políticas públicas para aumentar a qualificação exigem cooperação entre o Governo, os sindicatos e os patrões como revela este estudo da OCDE da autoria de Glenda Quintini. Uma cooperação que em Portugal se tem revelado impossível. 

Conclusão:
O que antecipo não é, infelizmente, positivo. Esperam-nos tempos de elevado desemprego e crescimento medíocre. Ou de políticas de mais do mesmo, ou seja, o regresso da construção e obras públicas que nos atirarão a prazo para uma nova crise.

Aqui deixo dois gráficos que têm como fonte o INE mas que devem ser olhados apenas como tendências face à ruptura da série em 2011

Fonte: INE, vários inquéritos aos emprego; * ruptura de série em 2011

 

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O 'call center'

A propósito do 'call center' que a PT lançou hoje em Santo Tirso - que vai criar 1200 postos de trabalho e onde esteve o primeiro-ministro - leio:

Será dada prioridade a candidatos que tenham o 12º ano, garantindo desta forma a contratação de emprego qualificado.

O emprego qualificado mudou de sentido: uma empresa de limpezas pode passar a dar prioridade a licenciados que assim garante a contratação de emprego qualificado? Estaremos a ficar perturbados?

Pobre país em que primeiro-ministro se congratula com a criação de emprego num 'call center', o equivalente ao sector têxtil dos tempos modernos.

Pobre país em que uma das maiores empresas de telecomunicações faz do lançamento de um 'call center' um dos seus investimentos criadores de emprego.