sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Metodologias e Orçamento
A política orçamental deve ser anti-cíclica - e esta está a ser.
A critica não é a subida da despesa - é preocupante porque ainda era e é elevada para os serviços que o Estado presta e é preciso ter cuidado com estes expansionismos.
A critica é para a lamentável alteração da metodologia que exigiu um paciente trabalho de Sérgio Aníbal para fazer as comparações com 2009.
Porque contrariamente ao que acontece há vários anos - diria décadas - o Ministério das Finanças não publicou este ano os quadros da despesa e receita do Sector Público Administrativo por sub-sectores na óptica da contabilidade pública e nacional nem alertou que os grandes agregados que construiu não são comparáveis. Lamentável.
Não discuto a metodologia. Mas quando se alteram metodologias devem-se colocar os alertas nos quadros em que essas mudanças tiveram efeitos dizendo que os números não são comparáveis.
E continuo sem compreender porque não divulga o Ministério das Finanças os habituais quadros.
Eleições e Orçamento
Só conheço um trabalho para Portugal de Manuel Agria em que confronta as despesas de investimento com os calendários eleitorais - lá seguem o padrão esperado, aumentam os investimentos quando se aproximam as eleições.
Outros trabalhos internacionais - não me recordo exactamente das referências - mostram que a decisão do eleitor tem um racional - a sedução não pode ser feita nem muito perto das eleições (demasiado descarada?) nem muito afastada (a memória é curta) para que o voto vá para quem usou as políticas económicas para ganhar as eleições.
O PS pode ter a sua vitória eleitoral assegurada por causa da crise - é cedo para o dizer porque, apesar da longa lista de presentes no Orçamento a crise económica chegará aos nossos bolsos com gravidade já em 2009 - já o eleitor se pode ter esquecido destas ofertas - e a violência da crise pode ser tal que a decisão de votar acabe por ser uma decisão de castigar.
Se as eleições fossem no início do ano de 2009 dificilmente o PS perderia o poder. A crise, neste momento parece que salvou o Governo. Vamos no fim de 2009.
A crise não salvou os Republicanos de George W. Bush
Mas a crise pode ter salvo Gordon Brown - menos mediático que Tony Blair, Browm identificou bem o problema - um dos maiores segredos para encontrar as soluções.
Entrevistas - rumores e opiniões
Deve um jornalista fazer uma pergunta apoiada num rumor?
Perguntas como: "O crescimento previsto para a economia não é optimista?" Valem a pena?
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Um Orçamento de fartura... Para quem a factura?
Até os funcionários públicos vão ter, no mínimo, um aumento salarial de 2,9%, o maior da década.
Como é possível? Quem paga?
Como não tivémos ainda acesso ao Relatório do Orçamento é difícil de compreender. Só s epode ler a proposta de lei.
Para já acabou a mensagem da redução do défice.
A crise casou com eleições.
Um desabafo:
Mais um Orçamento, mais um dia de loucura nos jornais.
Os governos sabem que todos os anos têm de fazer o Orçamento para entregar até 15 de Outubro à Assembleia da República. E todos os anos se atrasam. E todos os anos há incidentes de última hora. Enfim... pouco muda. Mesmo com "pen" e muitos computadores.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Fome que dá em fartura
Com a informação que já existe parece que vamos estar perante um Orçamento historicamente expansionista. Ver em Negócios
No segundo dia após a o fim de semana de Washington e Paris as bolsas continuam bastante animadas e mais importante ainda as taxas de juro Euribor e Libor caem significativamente.
Fomes e farturas...
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
A boa notícia

Os mercados gostaram... do apoio do Estado
- As bolsas dispararam - na Europa e nos Estados Unidos
- As taxas de juro desceram - as Euribor e as Libor
Que fizeram os Governos?
- Comprometem-se com dinheiro em cima da mesa a garantir a emissão de dívida por parte dos bancos - e não como inicialmente se disse, na sequência das declarações de alguns líderes europeus, garantias para as operações de mercado monetário interbancário
- Comprometem-se com dinheiro também em cima da mesa e dos contribuintes a injectar dinheiro nos bancos
Muito há a dizer sobre o que se passou e está a passar. Por enquanto ainda estamos a apagar o fogo. Quando se começar a reconstruir é preciso repensar o sistema financeiro - como criar um mercado num sector onde as empresas/os bancos não podem falir?
Para já as emissões de dívida pública vão aumentar, a dívida que deveria ser dos bancos, isto é, dos seus accionistas, passa a ser do Estado, isto é, dos contribuintes.
Não me parece que se possam esperar efeitos inflacionistas desta actuação dos governos e bancos centrais. Houve uma brutal destruição de liquidez com a desvalorização de activos com os efeitos que já se começam a sentir na queda da actividade económica.
Portugal não poderia deixar de oferecer uma garantia, mesmo que a banca não precisasse. O elevado endividamento português intermediado pela banca recomendava toda a cautela. E se todos os outros países fizeram o mesmo, a banca portuguesa não poderia ter a desvantagem de não ter a possibilidade de ter a sua emissão de dívida com garantia de Estado.