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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O BCE... vale mais tarde



O BCE fez hoje um corte histórico nas suas taxas de juro de referência.

A partir de dia 10 o dinheiro passa a custar aos bancos 2,5% - operacções semanais de refinanciamento a uma taxa fixa desde 15 de Outubro e satisfazendo todos os pedidos de recursos.

O BCE percebeu finalmente que deve estar mais preocupado com o sistema financeiro que com a inflação.

É extraordinário o tempo que levou a entender a dimensão do problema. A Reserva Federal está a descer agressivamente a sua taxa de referência de 18 de Setembro de 2007, pouco mais de um mês (9 de Agosto) da primeira intervenção global para enfrentar os efeitos da crise dita "subprime".

O BCE, pelo contrário, resolveu aumentar a sua taxa de referência de 4% - onde se manteve - para 4,25% dia 3 de Julho de 2008 - sim já este ano. E porquê? Por causa da inflação que estava a subir para valores da ordem dos 3%.

E porque estava a subir a inflação? Por causa da subida dos preços do petróleo e dos cereais... Ou seja, não era inflação.

Por inacreditável que pareça o BCE comete nesta crise exactamente o mesmo erro que em 2000 e 2001 quando, apesar do crash bolsista e de todos os sinais de recessão nos EUA insistiu em subir as taxas de juro e teimosamente afirmou - na altura Wim Duisenberg - que a Zona Euro não seria afectada pela crise norte-americana.

A análise económica no BCE está a precisar de ser mais aberta e menos ortodoxa. De olhos postos na Fed.

Como consequência da sua ortodoxia, o efeito de alívio no orçaento das famílias e empresas, tão necessário já neste momento arrastar-se -á por todo o primeiro semestre.

É verdade que a política monetária tem nesta crise efeitos limitados e pode até em parte ser nefasta, mas poderia contribuir mais para a moderação da crise.

O que disse hoje Jean-Claude Trichet

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Choque de corte de juros

Numa semana a Reserva Federal cortou a sua taxa de referência em 1,25 pontos, primeiro 0,75 e hoje mais 0,5 pontos percentuais. A taxa do dólar está em 3% que compara com 4% na área do euro.

É o tudo por tudo para evitar a recessão já que o abrandamento já aí está: a economia norte-americana cresceu 0,6% no terceiro trimestre o que, de acordo com o FT, é o valor mais baixo desde 2002.

Nas entrelinhas fica a possibilidade de novos cortes, com a Reserva Federal a dizer que os riscos no sentido da moderação da actividade económica se mantêm: (...)However, downside risks to growth remain(...).

A bolsa fechou a cair nos Estados Unidos assim como o dólar face ao euro.

Por aqui, pela área do euro, fazem-se reuniões em Londres a quatro.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

BCE e Fed, que diferenças

A Reserva Federal está preparada para adoptar "medidas adicionais significativas" no sentido de combater o abrandamento da actividade económica. Assim o disse esta quinta-feira Ben Bernake, entendendo-se as suas palavras como o anúncio de nova descida das taxas de juro já na reunião de 30 de Janeiro.

O BCE na sua habitual reunião de quinta-feira sobre política monetária decidiu manter as taxas de juro como se esperava mas Jean-Claude Trichet afrmou que o BCE está preparado para actuar de forma "preventiva" no sentido de combater a subida da inflação.

É um exercício de "veja as diferenças". BCE actua contra a inflação indiferente aos riscos de abrandamento. Fed actua contra o abrandamento e esquece os riscos de inflação.

Para que se note: o euro está a valorizar, o que por si só corresponde a uma política monetária mais restritiva e alivia as pressões inflacionistas vindas do exterior. O dólar está desvalorizar, o que torna a política monetária mais expansionista e agrava as pressões inflacionistas via importações.

Será que é este BCE que queremos?
Nos tempos que precederam a crise de 2003 o BCE cometeu o erro de avaliação ao considerar que o bloco era já suficientemente fechado para não ser contagiado pela crise norte-americana. Chegou a aumentar a taxa de juro para depois a ter de descer.

O fundamentalismo é tão negativo na política económica como na política.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Em fuga para as mercadorias...

O primeiro dia de trabalho de 2008 antecipa o pior.

Os investidores estão mesmo receosos. Estão apostados que os EUA vão entrar em recessão e, se tudo se mantiver - eu sei que irrita o 'ceteris paribus' mas é assim, como diz o NYT, estamos no anos dos "se" - nós por cá seguiremos o mesmo caminho.

O petróleo ultrapassou hoje, dia 2 de Janeiro, a barreira dos 100 dólares em Nova Iorque.O ouro atingiu o máximo de sempre, a 861,10 dólares por onça, acima do recorde de 850 dólares a que chegou em Janeiro de 1980. (Ver FT ).

Assistimos à fuga para as mercadorias, metais e petróleo. As acções em queda.

Num dia em que a Reserva Federal se revelou mais pessimista quanto às persectivas da actividade económica nos Estados Unidos de acordo com a minuta da reunião de 11 de Dezembro, divulgada dia 2 de Janeiro. O crescimento em linha com a tendência deverá regressar, prevêem, em 2009. Quanto à inflação, "os recentes aumentos dos preços da energia provocarão uma subida temporária da inflação". Mas dada a perspectiva de descida dos preços do petróleo subjacente no mercado de futuros e um alívio na pressão sobre a utilização dos recursos, a Fed está convencida que a inflação se manterá moderada nos próximos anos.

A situação no sector financeiro ligada à deterioração do mercado imobiliário levam a Fed a apontar para novas reduções das taxas de juro. A última descida ocorreu no dia da reunião a que esta munita diz respeito, 11 de Dezembro, para 4,25%.

Ver ainda NYT e CNNMoney.