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quinta-feira, 15 de maio de 2008

Sócrates, o cigarro e o exemplo

O primeiro-ministro fumou três cigarros - pelas contas que se conseguem fazer das notícias - na viagem para a Venezuela, num voo fretado onde em regra se pode fumar.
Perante a publicidade aos seus cigarros fumados, José Sócrates pede desculpa, diz que não sabia que não se podia fumar e promete que vai deixar de fumar. Porque tem de dar o exemplo.

Já não sei o que é pior. Ter-se transformado em notícia três cigarros fumados pelo primeiro-ministro. Ou o primeiro-ministro ter prometido que vai deixar de fumar.

Mais uma vez sublinho que não estamos numa espécie de Lei Seca do tabaco - embora isto já se aproxime desse tempo dos Estados Unidos, só que agora com o tabaco.

E o que é isso do primeiro-ministro dar o "exemplo"? O que espero de um primeiro-ministro é que governe bem o país. Não preciso de um primeiro-ministro que me dê "exemplos".

Querer pessoas perfeitas no poder é como reivindicar "reis Sol". É passar atestados de menoridade aos cidadãos, é dizer que são incapazes de conviver com protagonistas do poder que dão imagens humanas, com defeitos e qualidades, aquilo que toda a gente é. Quem lidera um Governo, numa democracia, é um de nós em nosso lugar.

A falta de tradição democrática revela-se nestes pequenos pormenores, nestes 'chinfrins' porque o primeiro-ministro fuma... Uma tristeza.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Do tabaco

Mapa do fumador em Portugal no Apdeites. Para contribuir.

Via Atlântico no Jantar das Quartas: Umberto Eco puxa de uma cigarrilha nos restaurantes e afirma: "Não é tabaco, é cocaína".

Hoje nas reportagens que todas as televisões fizeram sobre a nova lei do tabaco alguém que estava ao frio a fumar dizia: "Também deviam proibir os escapes dos carros; E espero que daqui a dois anos não nos obriguem a fazer 'jogging' todos os dias".

A melhor classificação desta vertente dos tempos actuais, de Pacheco Pereira: "O fascismo higiénico".