quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Crise financeira com humor

Gosto especialmente

- da última parte quando o investidor diz que a crise será resolvida se os governos lhes derem o dinheiro que perderam;

- do reempacotamento do empréstimo ao quase sem abrigo em fundos com nome muito criativos.

- do aborrecimento que foi perguntarem: mas afinal quanto vale a casa.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Quando quem sabe está perplexo

Quando quem sabe e tem experiência viu neste 6 de Outubro um dia sem racional ...

Aqui no Especulador Prudente:
"Nos mais de 25 anos de acompanhamento dos mercados, NUNCA assisti a algo tão perigoso como o que estamos a viver. Aconteceram quedas brutais e Bear Markets sim senhor, mas nunca o sistema financeiro esteve tão seco como o está hoje.
O comportamento de hoje assemelha-se à Capitulação, termo que descreve a venda de activos ao desbarato e em grandes quantidades, com que termina um Bear Market, faltando unicamente o volume, pois os volumes negociados foram "normais"."

E quando quem sabe e tem experiência, sem racional em que se apoiar olha para as estrelas, via Especuldor Prudente no Trader Tom:
"(...)why are they so reluctant to lend even at high rates???
--also GE capital had to go to warren buffet and issue more stock to raise capital--GE is AAA rated and should have been able to raise this amount easily-I sent an article about the panic of 1837 which was based on the same thing that is going on now-A WORLD WIDE SQUEEZE ON CREDIT-what is also interesting is that the astro aspects from 1837 are present now in the same positions--this is why i am so cautious--"


A "astroeconomics" foi usada também nos tempos de elevada volatilidade que se seguiram ao 'crash' das dotcom em 2000.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Segunda-feira negra - 6 de Outubro

"Aconteça o que acontecer as poupanças dos portugueses em qualquer banco em Portugal estão garantidas"
Ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos no Luxemburgo hoje

Não há um aumento do limite de garantia dos depósitos - 25 mil euros - mas sim uma afirmação política de que se salvará qualquer banco em território português que enfrente dificuldades. Como aliás já se antevia e já se tinha dito aqui.Depois de o Reino Unido ter salvo o Northern Rock é politicamente impossível deixar cair um banco.

Hoje foi mais um dia de loucura - pânico absoluto nas bolsas do mundo inteiro, da Ásia, a primeira a entrar na semana, aos Estados Unidos.
A bolsa de Lisboa foi uma das que mais desceu com a EDP e a Galp a liderarem as quedas. Um símbolo dessa irracionalidade: empresas como estas são, quando a racionalidade impera, activos de investimento a longo prazo já que têm proveitos praticamente estáveis - ainda que reguladas não registam perdas de clientes, ninguém deixa de ter luz ou reduz drasticamente o consumo de combustível.

Porquê? E Porquê?
Resposta difícil. Depois da aprovação do Plano Paulson esperava-se alguma acalmia.
No fim-de-semana o que se passou?
Sim, viu-se a Europa desunida, exposta na sua falta de instrumentos para enfrentar uma crise destas.
O encontro do Grupo dos Quatro parece hoje ter sido um erro. França, Alemanha, Reino Unido e Itália não se deveriam ter reunido à margem dos 27 numa altura em que os cidadãos em geral precisam de confiança, de sinais de estabilidade.
Um problema ainda mais grave quando se viu os países da UE a entrarem numa espécie de "guerra dos depósitos" - como dizia o El Pais , num processo iniciado pela Irlanda - mas com dinheiro na mesa - e prosseguido pela Grécia e no fim de semana pela Alemanha.
E ainda a lançar incerteza quando se viu a Holanda a nacionalizar o braço holandês do Fortis numa decisão unilateral quando se estava a prosseguir uma acção conjunta Holanda, Bélgica Luxemburgo.
Somando a isto assistimos no fim-de-semana a Alemanha a não conseguir salvar o Hypo Real State - acabou por chegar a acordo ontem à noite numa corrida contra o tempo da abertura das bolsas asiáticas. E depois de verificar que o buraco era maior do que o inicialmente contabilizado.

Enfim. Quando se pensa que a instabilidade se está acalmar ela regressa com mais violência.

O Presidente e a crise

Vale a pena ler o discurso do Presidente da República neste 5 de Outubro.
O Presidente está preocupado com a crise financeira, considera que o Governo não está a ter a melhor actuação nesta conjuntura e ainda que se está a distanciar da realidade dos problemas que os portugueses enfrentam. E ficam ainda recomendações para o Orçamento do Estado de 2009.

Confesso que não compreendo as razões que levam o Governo a evitar falar sobre a crise financeira, a dizer formalmente como a vê e como a está a enfrentar.

O fim de semana foi marcado por mais instabilidade na Europa.
Na Alemanha o Governo já chegou a acordo - já no início da noite - para apoiar o Hypo Real State em conjunto com bancos privados.
O caso Fortis: a Holanda decidiu nacionalizar o braço holandês do banco o que inclui a parcela relativa ao ABN Amro. Há quem analise esta acção como uma vingança de Haia à compra do seu banco.

A Alemanha anunciou também no fim de semana que garante os depósitos bancários a cem por cento. É o terceiro país da UE a fazê-lo. Primeiro foi a Irlanda e depois a Grécia. Angela Merkel foi indiferente às criticas do Reino Unido à Irlanda e aos alertas da Comissão Europeia.

Em Paris no sábado ficou decidido que cada país tratará dos seus bancos em coordenação com os outros Estados membros.

Hoje, segunda-feira há reunião dos ministros das Finanças dos Vinte Sete.
A vida na União não está fácil. A União sabe que está incompleta para enfrentar esta crise.

Em Portugal o Governo parece não saber o que dizer sobre a crise financeira.

domingo, 5 de outubro de 2008

A depressão - uma visão

Via Causa Liberal uma visão de America's Great Depression

A banca está sólida?

Este meu post desencadeou algumas reacções criticas - Gaston fala em optimismo da vontade, anónimos acusam mensagens de manipulação rapidamente verificadas pelo cruzamento de informação.

Há uma reflexão que se poderia fazer sobre como devem actuar os media em situações de extrema instabilidade - como a que vivemos nestes tempos no mundo financeiro.
Numa reflexão rápida diria que o caminho é simples: recusar a manipulação, cingir-se aos factos, analisar com base em factos e declarações das autoridades, evitar fazer previsões e/ou, em suma, contribuir para o esclarecimento da situação respondendo a questões concretas. Foi o que o
Negócios fez lançando um fórum e respondendo a perguntas dos leitores, algumas das quais com respostas dos bancos às quais eram dirigidas. É simplesmente jornalismo, como sempre deve ser.

Quanto à situações europeia e portuguesa reafirmo que não existem razões para nos preocuparmos. O que significa:
  1. que podem obviamente existir alguns bancos em Portugal com problemas de acesso a liquidez - é óbvio que serão aqueles que não captam depósitos ou têm um número reduzido de balcões; Veja-se aqui o que diz o FMI sobre a banca portuguesa (ponto 28) e aqui uma síntese
  2. que os bancos em geral registarão perdas -algumas determinadas pelo facto de terem de contabilizar os seus activos por valores de mercado - e que poderão de precisar de reforçar capitais;
  3. que também na Europa, como se viu e se poderá ainda ver, haverá bancos com problemas.

Mas face ao que já se passou até agora nos países europeus, nenhum país vai deixar cair um banco. Como já me afirmaram, depois do que o Reino Unido fez com o Northern Rock - garantindo a totalidade dos depósitos dos clientes e salvando o banco -, nenhum governo tem margem política para deixar cair um banco no seu país. Obviamente que tudo isto será caro e pago pelos contribuintes.

Os países europeus vão resolver os problemas caso a caso o que lhes dá mais margem - era um erro tentar elaborar neste momento, com a casa a arder um plano centralizado, o «não» da Alemanha e do BCE a um Plano tipo Paulson é muito sensato. Veja-se a confusão que deu o plano Paulson nos Estados Unidos, até ser aprovado na sexta-feira. E como vai sair caro, com todas as cedências que foi ainda preciso fazer para garantir os votos necessários.

Por último: a crise financeira ainda não passou e segue-se a crise económica, neste momento já tornada inevitável. O próximo ano promete dificuldades, para Portugal e para a Europa. A economia portuguesa vai estagnar, é já a previsão do Fundo.

Uma semana negra para a banca


A semana foi violenta, preocupante mas menos assustadora que a anterior, no dia 16 de Setembro terça-feira em que vimos as taxas de juro interbancária nos Estados Unidos - a Libor do dólar 'overnight' - chegar aos 6% quando a taxa de referência está nos 2%. Um violento sinal da falta de liquidez.



Nesta última semana o furacão com o olho em Washington - como titulava na terça-feira o The Times - chegou com violência à Europa.
Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo, Holanda, França e ainda Islândia viram-se envolvidos em operações de salvação de bancos. A Irlanda, num plano que ataca directamente o problema - a falta de confiança - resolveu garantir a 100% os depósitos bancários e algumas dívidas dos seus maiores bancos - o que envolve 400 mil milhões de euros. Veja-se aqui os montantes já injectados ou comprometidos - neste último caso a Irlanda.
Vivemos a pior crise financeira desde 1929. Disso não parecem existir dúvidas.