sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Um dia histórico para a Irlanda (e para Portugal?)

A Irlanda conseguiu converter uma dívida detida pelo seu banco central no montante de 25 mil milhões de euros com uma maturidade média de 8 anos e um custo anual de 3,1 mil milhões de euros em obrigações do Tesouro com uma maturidade média de 34 anos e um custo anual em juros de 2 mil milhões de euros. O acordo de reestruturação  foi hoje anunciado pelo primeiro-ministro irlandês depois de uma maratona na quarta-feira para obter o acordo com o BCE e que acabou com a liquidação do Anglo Irish Bank.

Os principais pontos do acordo, num resumo a partir de documentos oficiais elaborado originalmente pela Reuters.
Os efeitos orçamentais e na dívida assim como a explicação de todo o processo no Department of Finance

A Irlanda já teve a sua reestruturação em linha com os compromissos assumidos de tratamento igual quando se fez a última reestruturação para a Grécia.
Aguarda-se agora o dia histórico de Portugal.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Ainda a reforma do Estado

Vale a pena ler a intervenção do representante da Suécia do equivalente do nosso Conselho de Finanças Públicas para perceber que um dos nossos mais graves problemas está na confiança que temos nas instituições (vale a pena ver as páginas 34 e 35 das apresentações).
Aconteceu esta terça-feira na conferência promovida pelo Banco de Portugal, Fundação Calouste Gulbenkian e Conselho de Finanças Públicas.

Por muita boa vontade que exista em mudar o Estado e o país, sem maior confiança nos políticos, nos governos, enfim, nas organizações do país, muito pouco se poderá fazer. (Lamento ser tão pessimista mas tudo isto vem apenas dar razão aos que pensam que a única acção com efeitos no curto prazo será a da restrição financeira, aquela que obrigou o Estado, mal ou bem, a olhar de frente para os seus problemas financeiros).
 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A reforma do Estado, por que pode falhar

A conferência que está hoje a decorrer na Gulbenkian sobre a reforma do Estado - organizada e promovida pelo Banco de Portugal, Conselho de Finanças Públicas e a própria Gulbenkian - deu esta manhã algumas importantes razões para nos preocuparmos com os elevados riscos de fracasso das mudanças na adminitração pública.

O trabalho que merece ser lido de Christopher Pollitt, "What do we know about públic management reform? Concepts, models and some approximate guidelines" identifica 7 orientações básicas para uma mudança bem sucedida da administração pública, orientações essas que são inspiradas nos erros frequentes, que estiveram na base das reformas mal sucedidas. Eis quais são rapidamente e ainda em inglês as 7 regras construídas por Pollitt que são necessárias (mas podem mesmo assim não ser suficientes) para uma reforma bem sucedida do Estado:


1)     First, reforms should be based on detailed diagnosis, not just broad impressions.

2)     Second, management reform is not just a technical adjustment but rather, almost always, also a bureaupolitical action, and it therefore requires a coalition of support. Ideally this support would usually include both senior politicians and at least some part of the civil service leadership.

3)     Third, reformers should assure themselves that the administration posesses the requisite set of skills to implement the new reform. Many types of reform require leadership skills.

4)     Fourth,it is important to try to give a reform the time it will need to come to fruition. This has several aspects. One is that a realistic timetable should be set out at the beginning – no promises of instant improvement.

5)     Fifth, maximize the use of both internal and external expertise and experience. The people who know most about your organization are usually in your organization.

6)     Sixth, try to assemble an accurate picture of the culture(s) of the organizations which are to undergo reform, and use this to stress points of compatibility with cultural norms, whilst also identifying likely points of cultural resistance.

7)     Seventh, be aware that reform can (however unintentionally) undermine existing strengths in the public service, and strive to minimize any such negative effects. For example, some kinds of reform can undermine trust between civil servants,or between civil servants and their political masters. If existing trust levels are good this would be a very high price to pay, since trust makes all sorts of actions easier (lower transaction costs).

Exercício que fica como sugestão: qual, ou quais dessas orientações estão a ser respeitadas em Portugal?

O Chipre (não) desvalorizado

A semana que passou, a penúltima de Janeiro, foi de festa em Portugal e contagiou o euro.
Mas eis que se esqueceram do Chipre e a semana começa com aquele que pode ser a nova vaga da crise no euro:

» Fitch  corta rating do Chipre

» Draghi e Schäuble em contronto no Ecofin por causa do Chipre, uma história contada pelo Der Spiegel

» Claro que os juros da dívida pública já se coemçam a ressentir.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

E o prémio da troika ao bom aluno foi... mais austeridade

Rapidamente aqui para recordar o que escrevi há um ano sobre a descida da TSU:
A nova droga chamada taxa social única:

Continuo sem perceber o que se passou. Ou antes, só entendo esta medida de descida da TSU como uma imposição dos representantes dos credores, o FMI, a Comissão Europeia e o BCE. E, se assim foi, o Governo devia dizê-lo para que a responsabilidade ficasse nas mãos de quem a tem.

Porque o fracasso de hoje é o fracasso dos modelos dos que represnetam o credores - aqui, como na Irlanda, como na Grécia. Estão a matar os doentes com a cura.
E nós, portugueses, fizemos o ajustamento, tudo: poupámos, cortamos no consumo...De tal forma travámos que atingimos o reequilíbrio externo mais depressa que o previsto. E o prémio da troika ao aluno bem comportado foi... mais austeridade.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Draghi sobre a crise no euro

Vale a pena ler o que o presidente do BCE escreveu sobre a situação que se vive no euro.
Aqui o artigo da Eva Gaspar sobre o que escreveu Mario Draghi.
E aqui a versão em inglês do artogo publicado no Die Zeit: "The future of the euro: stability through change".
 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O lento regresso à superfície da economia

O interessante, para já, é a manutenção da trajectória de regresso à superfície da actividade económica - ou seja, de início do fim da recessão.
O maior e mais sério risco é que tudo isto esteja seriamente ameaçado por mais este violento abalo na Zona Euro agora com epicentro em Espanha.
Eis os indicadores coincidentes hoje divulgados pelo Banco de Portugal.