sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O mergulho da economia portuguesa

O Banco de Portugal divulgou hoje os Indicadores de Conjuntura. Os valores do indicador coincidente da actividade económica e do consumo privado - que têm acompanhado muito de perto o que se passa na economia - expõem um mergulho profundo da economia portuguesa. Vamos ver quão fundo será. Para já temos o facto de estarmos perante a mais grave recessão desde o 25 de Abril de 1974 com dados apenas até 2011:
A notícia:
Actividade económica e consumo privado caem para novos mínimos desde 1978

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

1,2,3, teste ...uma boa notícia

Portugal vai emitir dívida a um ano pela primeira vez desde pedido de ajuda externa

As taxas de juro no mercado secundário de dívida pública a longo prazo têm descido e Portugal faz um pequeno ensaio de regresso aos mercados em maturidades mais longas que o muito curto prazo.

Vamos ver, vamos ver. Se funcionam estas tentativas de evitar contágios de decisões que parecem tomadas.




quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ainda a Jerónimo Martins (2)

Vale a pena ler Pedro Lains:
Obrigado sr. Soares dos Santos de que destaco:
"(...)O que Soares dos Santos vai fazer é pagar os impostos onde eles são mais baixos. O IRS aqui, no Marrocos de cima, e o IRC lá, na terra da justiça fiscal. É legal? É. É moralmente correcto? Mais ou menos. Devia este homem com intervenção pública fazê-lo? Não. Há alguma coisa a fazer? Há.(...)"

Ainda a Jerónimo Martins

A operação realizada pela família Soares dos Santos revela uma complexidade que inviabiliza conclusões rápidas e antecipadas.

Vale a pena ler o que escreve hoje o Negócios assim como editorial de Pedro Santos Guerreiro e a análise de Elisabete Miranda no Massa Monetária.

Não se pode ir muito para além de admitir que com a transferência, para a Holanda, da holding familiar que detém a Jerónimo Martins, a receita fiscal do Estado português poderá diminuir aumentando a da Holanda (e o poderá, é mesmo poderá). Mais do que isso depende dos projectos de expansão da JM.

Como já tinha escrito aqui esta é a lógica do regime em que vivemos e da natureza humana que na economia como em tudo reage a incentivos. Um facto que se conhece desde, pelo menos, Adam Smith.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Desigualdade em Portugal, porque o poder quer

O estudo da Comissão Europeia "The distributional effects of austerity measusres: a comparison of six EU countries" é extremamente interessante.

Portugal é o único país inde as medidas de austeridade ainda adoptadas pelo anterior goverbo foram claramente regressivas.

Um estudo primeiro comentado por Pedro Lains, depois por João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas e a seguir por Rui Peres Jorge como se pode ler aqui no Massa Monetária e aqui no Jornal de Negócios (só para assinantes e que s epode ler também na edição que hoje esteve nas bancas).

Não me parece que as medidas adoptadas por este Governo tenham alterado essa regressividade. Pelo contrário. Uma avaliação que já fiz por exemplo em Alerta Amarelo, na sequência da greve geral.  Espera-se que este ano algumas medidas possam mudar este estado de coisas. Vamos ver. Manter a mesma orientação política - de fazer pagar mais a quem tem menos - é alimentar a revolta.

sábado, 12 de novembro de 2011

A banca e a suposta fúria de nacionalizar

A propósito das queixas dos bancos à Comissão Europeia sobre a legislação que reforça os mecanismos preventivos da supervisão e os processos de resolução de uma instituição financeira em dificuldades, assim como as criticas à proposta de diploma que vai regulamentar a entrada do Estado no capital dos bancos que não conseguirem outras alternativas de recapitalização vale a pena ler e recordar:

1. A revisão da legislação faz parte dos objectivos que o Estado português tem de cumprir até finais de Novembro e tem de ser feita mediante consulta da Comissão Europeia, do BCE e FMI, conforme se pode ler no documento relativo à primeira avaliação do Plano de Ajustamento Económico e Financeiro (é um benchmark estrutural) e aqui citado:
"(...) 6 Amend relevant legislation in consultation with the EC, the ECB and the IMF to strengthen the  early intervention framework, introduce a regime for restructuring of banks as a going concern under official control and strengthen deposit insurance framework.".

2. Vale a pena ler o que escreveu hoje Ricardo Reis no Expresso (não disponível online para não assinates). Gostaria também de o ter escrito também depois do que escrevi aqui no Negócios. 

3. Vale a pena recordar o que se passou, por exemplo no Reino Unido em matéria de intervenção do Estado na banca. Foi criada a UK Financial Investment com o último relatório sobre a matéria aqui. O Royal Bank of Scotland ainda tem como maior accionista o Reino Unido (67% dos direitos de voto) há controvérsias bem recentes sobre o pagamento de bónus. No Lloyds tem 41%. A intervenção foi bastante violenta como se lembram com substituição de gestores - o que não me parece justificar-se em Portugal. 


Obviamente que os ingleses não quiseram nacionalizar bancos. Nem em Portugal se quer. Como diz Ricardo Reis no seu artigo, a proposta de lei para a recapitalização dos bancos está aliás desenhada para incentivar os bancos a tirarem o Estado do capital o mais depressa possível.