terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Desigualdade em Portugal, porque o poder quer

O estudo da Comissão Europeia "The distributional effects of austerity measusres: a comparison of six EU countries" é extremamente interessante.

Portugal é o único país inde as medidas de austeridade ainda adoptadas pelo anterior goverbo foram claramente regressivas.

Um estudo primeiro comentado por Pedro Lains, depois por João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas e a seguir por Rui Peres Jorge como se pode ler aqui no Massa Monetária e aqui no Jornal de Negócios (só para assinantes e que s epode ler também na edição que hoje esteve nas bancas).

Não me parece que as medidas adoptadas por este Governo tenham alterado essa regressividade. Pelo contrário. Uma avaliação que já fiz por exemplo em Alerta Amarelo, na sequência da greve geral.  Espera-se que este ano algumas medidas possam mudar este estado de coisas. Vamos ver. Manter a mesma orientação política - de fazer pagar mais a quem tem menos - é alimentar a revolta.

sábado, 12 de novembro de 2011

A banca e a suposta fúria de nacionalizar

A propósito das queixas dos bancos à Comissão Europeia sobre a legislação que reforça os mecanismos preventivos da supervisão e os processos de resolução de uma instituição financeira em dificuldades, assim como as criticas à proposta de diploma que vai regulamentar a entrada do Estado no capital dos bancos que não conseguirem outras alternativas de recapitalização vale a pena ler e recordar:

1. A revisão da legislação faz parte dos objectivos que o Estado português tem de cumprir até finais de Novembro e tem de ser feita mediante consulta da Comissão Europeia, do BCE e FMI, conforme se pode ler no documento relativo à primeira avaliação do Plano de Ajustamento Económico e Financeiro (é um benchmark estrutural) e aqui citado:
"(...) 6 Amend relevant legislation in consultation with the EC, the ECB and the IMF to strengthen the  early intervention framework, introduce a regime for restructuring of banks as a going concern under official control and strengthen deposit insurance framework.".

2. Vale a pena ler o que escreveu hoje Ricardo Reis no Expresso (não disponível online para não assinates). Gostaria também de o ter escrito também depois do que escrevi aqui no Negócios. 

3. Vale a pena recordar o que se passou, por exemplo no Reino Unido em matéria de intervenção do Estado na banca. Foi criada a UK Financial Investment com o último relatório sobre a matéria aqui. O Royal Bank of Scotland ainda tem como maior accionista o Reino Unido (67% dos direitos de voto) há controvérsias bem recentes sobre o pagamento de bónus. No Lloyds tem 41%. A intervenção foi bastante violenta como se lembram com substituição de gestores - o que não me parece justificar-se em Portugal. 


Obviamente que os ingleses não quiseram nacionalizar bancos. Nem em Portugal se quer. Como diz Ricardo Reis no seu artigo, a proposta de lei para a recapitalização dos bancos está aliás desenhada para incentivar os bancos a tirarem o Estado do capital o mais depressa possível. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Os banqueiros, a crise e o "passa-culpas"

Ricardo Salgado diz que "os accionistas do BES estão para ficar" e começa a responsabilizar os políticos porque não clarificam a resolução do problema das dívidas soberanas e por inistirem na recapitalização dos bancos.

Quando um gestor diz que os seus accionistas estão para ficar está de imediato criada a alternativa de não estarem para ficar.

Quanto á critica aos políticos, de facto, e como diz Fernando Ulrich, do BPI, andamos num jogo de "passa culpas".

Se há banco que foi cúmplice da estratégia de grandes investimentos e de indisciplina financeira do anterior Governo esse foi sem dúvida o BES. Enquanto o BPI demonstrava que a dívida pública estava numa trajectória explosiva, o BES continuava a defender o TGV.

E numa análise ao quadro geral que se vive hoje na Europa e nos Estados Unidos cada vez se torna mais claro que a responsabilidade do que se passa desde 2007 tem um responsável: o sistema financeiro. E sim, a classe política teve culpas: deixou-se capturar pelo sistema financeiro que correu riscos que não devia. E hoje, essa mesma classe política tem de pagar com o dinheiro dos contribuintes os erros que deixou que os bancos cometessem.

Portugal foi diferente? Talvez alguns bancos, poucos, tenha sido diferentes porque detectaram mais cedo a trajectória em que estavam a entrar. Não tiveram o "subprime" mas tiveram outros negócios, não decidiram a olhar para o risco, não geriram - tal como os seus parceiros dos outros países - com a perspectiva de longo prazo nem com a preocupação de conciliar as maturidades do crédito e com a dos fundos que o alimentam.

Enfim. Vivemos tempos muito difíceis em Portugal, nos países da União e nos Estados Unidos. A economia financeira está numa profunda crise.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O circulo virtuoso

Se as medidas hoje anunciadas por Pedro Passos Coelho tivessem começado a ser concretizadas há um ano hoje estaríamos muito mais perto da Irlanda.
São as medidas necessárias. Numa economia global que é financeira, ganhar credibilidade é uma política de crescimento.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Os custos unitários do trabalho, essa variável que pode enganar

Ainda a propósito da descida da TSU - proxy de desvalorização fiscal ou desvalorização interna vale a pena ler:
Eis uma parte da conclusões:

"We have argued that the recent debate about the need to reduce unit labour costs in the peripheral countries of the Eurozone is misguided. This is the consequence of using aggregate data to measure a variable that is only meaningful in physical terms. Indeed, aggregate unit labour costs are not just a weighted average of the firm’s unit labour costs. We have shown that aggregate unit labour costs can be interpreted as the product of the share of labour in output multiplied by the price deflator. The increase in aggregate unit labour costs observed across the Eurozone is the result of the increase in the second component, the deflator. In fact, except in Greece, labour shares have either remained stable since 1980, or declined.(...)"

A TSU e o FMI

A posição do FMI sobre a descida da TSU cria riscos adicionais à execução do plano de ajustamento que são necessários.
É isso mesmo que escrevo em A TSU e o FMI.
Vale ainda pena lei o que escreveu já
Miguel Frasquilho: A propósito da descida prevista da TSU
Mais incisivo João Galamba: Admirável mundo novo