O banco alemão Helaba deverá sair dos testes de stress - que serão divulgados amanhã - porque iria chumbar. Está a pôr em causa os critérios da EBA e já tem em sua defesa a própria Alemanha.
(A Europa, mais uma vez, no descredibilizante processo de tratar de forma desigual o que é igual - lembram-se do Pacto de Estabilidade? Quando a Alemanha violou o Pacto, o Pacto foi flexibilizado para agora se descobrir que se fez mal e que devia até ser mais rígido)
quinta-feira, 14 de julho de 2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
E a desunião do euro continua
Ministros das Finanças concordam com participação dos privados no segundo empréstimo à Grécia, diz Olli Rehn, comissário europeu dos assuntos económicos e monetários, em linha com o comunicado de segunda-feira do Eurogrupo.
"Participação de privados na ajuda á Grécia não é uma boa ideia", diz a ministra das Finanças espanhola Elena Salgado.
E depois admiram-se com o facto de as agências de 'rating' considerarem que os países como a Grécia, Irlanda e Portugal, que estão a ser teoricamente ajudados pelos seus parceiros da Zona Euro, estão cada vez mais arriscados para os investidores financeiros.
(A participação de investidores privados é, em abstracto, uma boa ideia - não só justa como racional no quadro de um regime capitalista. Mas envolver os privados neste momento, depois de tudo o que já aconteceu, é condenar o euro)
"Participação de privados na ajuda á Grécia não é uma boa ideia", diz a ministra das Finanças espanhola Elena Salgado.
E depois admiram-se com o facto de as agências de 'rating' considerarem que os países como a Grécia, Irlanda e Portugal, que estão a ser teoricamente ajudados pelos seus parceiros da Zona Euro, estão cada vez mais arriscados para os investidores financeiros.
(A participação de investidores privados é, em abstracto, uma boa ideia - não só justa como racional no quadro de um regime capitalista. Mas envolver os privados neste momento, depois de tudo o que já aconteceu, é condenar o euro)
sexta-feira, 8 de julho de 2011
O BCE, sim, é consequente nas criticas às agências de rating
O BCE suspendeu esta quinta-feira o requisito de rating mínimo para aceitar instrumentos de dívida ou títulos garantidos por Portugal como colateral nas operações de concessão de liquidez, tal como já o tinha feito com a Grécia Uma decisão tomada na sequência da decisão da Moody's de colocar a dívida da República Portuguesa no nível de especulativa ou "lixo".
O BCE sim, tem sido consequente nas afirmações que faz e consistente nas decisões e posições que assume. Não se fica pelas criticas às agências de 'rating' como fazem os líderes de alguns dos grandes ou importantes países do euro para depois lhes dar, às agências, munições para fragilizarem ainda mais os países fragilizados.
O que fez a Moodys, como escrevi aqui, foi internalizar a possibilidade de incumprimento da Grécia colocada em cima da mesa pelos líderes europeus, nomeadamente da França e da Alemanha, e daí retirar as consequências: Portugal será o próximo. Uma mensagem transmitida pelos parceiros de Portugal no euro.
Os muitos sublinhados que Jean-Claude Trichet fez - "we [ECB] say 'no' credit event, no selective default" - são dirigidos aos responsáveis europeus. A Europa, defendeu, deve seguir a "doutrina internacional". E deu o exemplo da abordagem feita na crise do sudeste asiático, em 1997, vários países foram ajudados pelo FMI e/ou pelos seus vizinhos.
Vale a pena ver o vídeo da conferência de imprensa para se perceber como Frankfurt está afastada de Bruxelas. Trichet recordou, basicamente, que não se parte para um plano de reajustamento financeiro com propostas de incumprimento, como está a acontecer com a Grécia.
Vale ainda a pena ver como Trichet anda irritado. Aos 60 minutos, respondendo a uma questão sobre a possibilidade de a credibilidade do BCE estar afectado pelo seu envolvimento no apoio à Grécia, Irlanda e Portugal, mostrou-se bastante irritado: "Yes, sir, we are credible".
Não vale a pena matar os mensageiros como a Moody's que reflectem basicamente o caos em que está a União Europeia. Antes da crise no euro e do processo de ajuda à Grécia, um apoio financeiro internacional - do FMI - abria os mercados, não os fechava ainda mais, como está a acontecer agora. O fecho dos mercados está a ser ditado por um único acontecimento: a ausência de entendimento político dentro da União.
(Mais uma vez isto não quer dizer que não devem existir mudanças no sector das agências de 'rating' - além de viverem num oligopólio, como disse Trichet, são pró-cíclicas, ou seja, como também escrevi aqui, alimentam as euforias e os pânicos)
quarta-feira, 6 de julho de 2011
A Moody’s tem razão (e não tem)
A decisão da Moody’s de colocar o ‘rating’ de Portugal em lixo é um banho de gelo sobre a expectativa de que plano da troika e novo Governo significa salvação. Uma enorme ilusão. O problema não é (apenas) técnico, é político. O que significa que temos de ser mais troikistas que a troika.
As agências de rating ouvem o que nós ouvimos e ouvem mais, ouvem aquilo que se diz nos corredores do euro. E perguntam: será que os líderes do euro querem mesmo salvar a Grécia e Portugal?
Vejamos o argumento da Moody’s:
1. Portugal corre o risco de não cumprir os objectivos de redução do défice orçamental e de estabilização do endividamento acordados com a troika por causa dos “enormes desafios que o País enfrenta ao nível da redução da despesa e do combate à fuga fiscal, para impulsionar o crescimento económico e apoiar o sistema financeiro."
2. A banca portuguesa regista a "possibilidade não negligenciável” de “precisar de mais apoio do que o que está previsto no acordo” com a Troika
3. Como consequência (de 1. e 2.) Portugal corre um "risco crescente de precisar de um segundo plano de assistência financeira antes de conseguir regressar aos mercados financeiros".
4. E em face da probabilidade de precisar de mais ajuda (concluído em 3.) a abordagem recente à crise da dívida na Grécia criou “uma maior possibilidade de colocar como pré-condição para novos empréstimos a participação dos credores privados".
Ou seja, o mundo mudou outra vez, mostrando mais uma vez que o problema é político:
Esta é a pergunta que os líderes dos países do euro têm de responder com actos e declarações públicas e privadas. Porque são dúvidas quanto à vontade política de manter o euro como está que justificam o comportamento das agências de ‘rating’ e a reacção dos mercados financeiros.
As agências de ‘rating’ sabem que alguns países do euro estão convencidos que estariam melhores sem a Grécia, Portugal, Espanha e, porque parecia mal, a Irlanda. Gostariam também de ver a Itália fora, mas isso é mais difícil. Passámos do Clube Med como chamava a este grupo de países, em 1998, o então ministro das Finanças holandês Gerrit Zalm para os PIIGS e GIPSI. O problema é o mesmo.
É exactamente porque o problema é político que hoje como na altura temos de cumprir o plano da troika e ser até mais troikistas que a troika.
Não podemos dar um único pretexto técnico – como não o demos na altura do exame para a entrada no euro em 1998 – para a justificação política do lamentamos, mas não são capazes de estar na União Monetária.
É por isso que devíamos ter aprovado o PEC IV. Mas o passado pouco importa.
Hoje o Governo tem de cumprir escrupulosamente as medidas impostas pela União Europeia e pelo FMI e, no que for possível, adoptar ainda mais medidas que reduzam rapidamente as necessidade de financiamento externo da economia portuguesa. Por isso é que o imposto extraordinário é uma boa medida. E cada um de nós, na medida do que pudermos e se queremos continuar no euro, tem de consumir menos e poupar mais.
O problema das agências de ‘rating’? Sim, são um problema.
É verdade que se a Zona Euro tivesse tido outra abordagem do problema grego, se mostrasse vontade política de o resolver, a Moody’s não teria cortado o rating de Portugal em 4 níveis para Ba2. Uma possível abordagem, que efectivamente resolveria o problema foi em devida altura defendida por Tremonti e Juncker e hoje temos mais uma nova abordagem de Stuart Holland e Yanis Varoufakis.
Mas há mais. As agências de ‘rating’ mostraram que são factores de instabilidade dos mercados, alimentando as euforias e os pânicos. Têm o poder de confirmar as suas próprias previsões. É preciso mudar e reduzir o seu poder. Mas esse é outro problema que tem de ser resolvido a nível global mas que não resolverá o problema de Portugal.
A nós apenas nos resta, neste jogo do finge que ajuda, não dar pretextos técnicos. Isso significa mais do que cumprir o plano da troika, com a prudência que o elevado endividamento das famílias e empresas exige. A alternativa, sair ou ser expulso do euro, é muitissimo pior, um autêntico pesadelo.
As agências de rating ouvem o que nós ouvimos e ouvem mais, ouvem aquilo que se diz nos corredores do euro. E perguntam: será que os líderes do euro querem mesmo salvar a Grécia e Portugal?
Vejamos o argumento da Moody’s:
1. Portugal corre o risco de não cumprir os objectivos de redução do défice orçamental e de estabilização do endividamento acordados com a troika por causa dos “enormes desafios que o País enfrenta ao nível da redução da despesa e do combate à fuga fiscal, para impulsionar o crescimento económico e apoiar o sistema financeiro."
2. A banca portuguesa regista a "possibilidade não negligenciável” de “precisar de mais apoio do que o que está previsto no acordo” com a Troika
3. Como consequência (de 1. e 2.) Portugal corre um "risco crescente de precisar de um segundo plano de assistência financeira antes de conseguir regressar aos mercados financeiros".
4. E em face da probabilidade de precisar de mais ajuda (concluído em 3.) a abordagem recente à crise da dívida na Grécia criou “uma maior possibilidade de colocar como pré-condição para novos empréstimos a participação dos credores privados".
Ou seja, o mundo mudou outra vez, mostrando mais uma vez que o problema é político:
- A Moody’s, que defende os interesses dos investidores, dada a probabilidade de Portugal precisar de um empréstimo adicional – já previsto e admitido antes – e face à nova perspectiva, que a Zona Euro gerou com a Grécia, de envolver os credores privados, avisa os investidores financeiros que podem perder mais dinheiro com activos portugueses do que previam ou do que já estão perder.
- Portugal é, na visão da Moody’s, o segundo país mais arriscado do euro, logo a seguir à Grécia. Antes da mudança de ontem, dia 5 de Junho, era a Irlanda que ocupava a segunda posição. Em contrapartida, a Irlanda já admitiu que iria precisar de mais dinheiro, pela voz do seu ministro dos Transportes, no dia 29 de Maio. O ministro foi prontamente desmentido mas disse ser “muito improvável” que a Irlanda voltasse aos mercados em 2012, como está previsto no acordo, o que exigiria “um segundo programa ou a extensão do actual”. Portugal nunca disse isso e só terá de regressar aos mercados em 2013. Mas, apesar disso, a Irlanda está com um ‘rating’ melhor.
- Portugal é, aos olhos da Moody’s, tão arriscado para fazer investimentos financeiros como a Arménia e El Salvador e mais arriscado que o Uruguai e a Guatemala. A Grécia está quase no fim da tabela ao lado de Cuba. Só há uma racionalização possível para estas hierarquias: uma probabilidade não pequena de países como Portugal, Grécia e Irlanda saírem do euro.
Esta é a pergunta que os líderes dos países do euro têm de responder com actos e declarações públicas e privadas. Porque são dúvidas quanto à vontade política de manter o euro como está que justificam o comportamento das agências de ‘rating’ e a reacção dos mercados financeiros.
As agências de ‘rating’ sabem que alguns países do euro estão convencidos que estariam melhores sem a Grécia, Portugal, Espanha e, porque parecia mal, a Irlanda. Gostariam também de ver a Itália fora, mas isso é mais difícil. Passámos do Clube Med como chamava a este grupo de países, em 1998, o então ministro das Finanças holandês Gerrit Zalm para os PIIGS e GIPSI. O problema é o mesmo.
É exactamente porque o problema é político que hoje como na altura temos de cumprir o plano da troika e ser até mais troikistas que a troika.
Não podemos dar um único pretexto técnico – como não o demos na altura do exame para a entrada no euro em 1998 – para a justificação política do lamentamos, mas não são capazes de estar na União Monetária.
É por isso que devíamos ter aprovado o PEC IV. Mas o passado pouco importa.
Hoje o Governo tem de cumprir escrupulosamente as medidas impostas pela União Europeia e pelo FMI e, no que for possível, adoptar ainda mais medidas que reduzam rapidamente as necessidade de financiamento externo da economia portuguesa. Por isso é que o imposto extraordinário é uma boa medida. E cada um de nós, na medida do que pudermos e se queremos continuar no euro, tem de consumir menos e poupar mais.
O problema das agências de ‘rating’? Sim, são um problema.
É verdade que se a Zona Euro tivesse tido outra abordagem do problema grego, se mostrasse vontade política de o resolver, a Moody’s não teria cortado o rating de Portugal em 4 níveis para Ba2. Uma possível abordagem, que efectivamente resolveria o problema foi em devida altura defendida por Tremonti e Juncker e hoje temos mais uma nova abordagem de Stuart Holland e Yanis Varoufakis.
Mas há mais. As agências de ‘rating’ mostraram que são factores de instabilidade dos mercados, alimentando as euforias e os pânicos. Têm o poder de confirmar as suas próprias previsões. É preciso mudar e reduzir o seu poder. Mas esse é outro problema que tem de ser resolvido a nível global mas que não resolverá o problema de Portugal.
A nós apenas nos resta, neste jogo do finge que ajuda, não dar pretextos técnicos. Isso significa mais do que cumprir o plano da troika, com a prudência que o elevado endividamento das famílias e empresas exige. A alternativa, sair ou ser expulso do euro, é muitissimo pior, um autêntico pesadelo.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Trichet e o seu E que falta na UEM
O ainda presidente do BCE defende um Ministério das Finanças europeu como se pode ler aqui e aqui:
Todos sabem que a União Monetária tem falta de União Económica e Política. A ausência destes dois últimos pés do tripé ameaça acabar com o euro. Mas por enquanto parecem contentar-se, os líderes do euro, a gritar contra a Grécia, a Irlanda e Portugal para gáudio dos que não pensam.
Jean-Claude Trichet tem outros gráficos para onde olha, os do valor do euro. É verdade que coincide hoje, a defesa desse valor do euro, com os interesses da União Monetária. E Trichet ainda (ou já é) é livre das sondagens.
“Nesta união de amanhã... será que seria demasiado audaz a ideia de um Ministério das Finanças Europeu?”A audácia não é, infelizmente, uma qualidade dos políticos que lideram hoje os países da União Monetária. Políticos que não olham à sua volta, olham apenas para os gráficos de popularidade e sondagens.
Todos sabem que a União Monetária tem falta de União Económica e Política. A ausência destes dois últimos pés do tripé ameaça acabar com o euro. Mas por enquanto parecem contentar-se, os líderes do euro, a gritar contra a Grécia, a Irlanda e Portugal para gáudio dos que não pensam.
Jean-Claude Trichet tem outros gráficos para onde olha, os do valor do euro. É verdade que coincide hoje, a defesa desse valor do euro, com os interesses da União Monetária. E Trichet ainda (ou já é) é livre das sondagens.
De olhos na Grécia
A Grécia é a nossa bola de cristal. Se não quisermos que o presente da Grécia seja o futuro de Portugal temos de cumprir rigorosamente o acordo assinado com o FMI e a com a UE.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
O dia seguinte, 6 de Junho
O grau de exigência do plano de ajuda externa logo em Junho e Julho é aterrador não porque o que lá está seja especialmente difícil mas por aquilo que se tem passado em Portugal - de há quase duas décadas a esta parte - quando mudam os partidos do Governo: a limpeza total de dossiers sem que se deixei ao sucessor nenhum trabalho.
As obrigações do Governo de Sócrates é o meu editorial de hoje. Esperemos que tudo esteja a ser feito para que, logo na primeira avaliação da troika em Julho, se possa dizer a Bruxelas e Washington que tudo foi cumprido. Para que se passe de imediato à fase seguinte - a decisão política.
Vale a pena ler a este propósito o Insurgente onde Ricardo Arroja em não se dão ao trabalho chama nomeadamente á atenção para a falta de hábito de estudar antes de decidir - metodologia que é agora imposta como se pode ler no Acordo do empréstimos externo.
As obrigações do Governo de Sócrates é o meu editorial de hoje. Esperemos que tudo esteja a ser feito para que, logo na primeira avaliação da troika em Julho, se possa dizer a Bruxelas e Washington que tudo foi cumprido. Para que se passe de imediato à fase seguinte - a decisão política.
Vale a pena ler a este propósito o Insurgente onde Ricardo Arroja em não se dão ao trabalho chama nomeadamente á atenção para a falta de hábito de estudar antes de decidir - metodologia que é agora imposta como se pode ler no Acordo do empréstimos externo.
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