quinta-feira, 2 de junho de 2011

Trichet e o seu E que falta na UEM

O ainda presidente do BCE defende um Ministério das Finanças europeu como se pode ler aqui e aqui:

“Nesta união de amanhã... será que seria demasiado audaz a ideia de um Ministério das Finanças Europeu?”
A audácia não é, infelizmente, uma qualidade dos políticos que lideram hoje os países da União Monetária. Políticos que não olham à sua volta, olham apenas para os gráficos de popularidade e sondagens.

Todos sabem que a União Monetária tem falta de União Económica e Política. A ausência destes dois últimos pés do tripé ameaça acabar com o euro. Mas por enquanto parecem contentar-se, os líderes do euro, a gritar contra a Grécia, a Irlanda e Portugal para gáudio dos que não pensam.

Jean-Claude Trichet tem outros gráficos para onde olha, os do valor do euro. É verdade que coincide hoje, a defesa desse valor do euro, com os interesses da União Monetária. E Trichet ainda (ou já é) é livre das sondagens. 

De olhos na Grécia

A Grécia é a nossa bola de cristal. Se não quisermos que o presente da Grécia seja o futuro de Portugal temos de cumprir rigorosamente o acordo assinado com o FMI e a com a UE.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O dia seguinte, 6 de Junho

O grau de exigência do plano de ajuda externa logo em Junho e Julho é aterrador não porque o que lá está seja especialmente difícil mas por aquilo que se tem passado em Portugal - de há quase duas décadas a esta parte - quando mudam os partidos do Governo: a limpeza total de dossiers sem que se deixei ao sucessor nenhum trabalho.

As obrigações do Governo de Sócrates é o meu editorial de hoje. Esperemos que tudo esteja a ser feito para que, logo na primeira avaliação da troika em Julho, se possa dizer a Bruxelas e Washington que tudo foi cumprido. Para que se passe de imediato à fase seguinte - a decisão política.

Vale a pena ler a este propósito o Insurgente onde Ricardo Arroja em não se dão ao trabalho chama nomeadamente á atenção para a falta de hábito de estudar antes de decidir - metodologia que é agora imposta como se pode ler no Acordo do empréstimos externo.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A Grécia (quase) sem soberania

Foi a manchete de hoje do Financial Times:
Greece set for severe bail-out conditions

European leaders are negotiating a deal that would lead to unprecedented outside intervention in the Greek economy, including international involvement in tax collection.


Um sério aviso a Portugal. O acordo assinado com a União Europeia e o FMI é mesmo para cumprir.
A saída do euro é a alternativa.

domingo, 29 de maio de 2011

Ooops...Afinal não é só a Grécia que revê contas públicas

Encontrado no Alphaville uma análise do BCE Fiscal Data Revisions in Europe  a revelar que, embora a Grécia tenha ultrapassado bastante a média, não é caso único na revisão em alta dos défices públicos. E que esta revisão não é um atributo dos pequenos países nem dos ditos periféricos e que está correlacionado com os períodos eleitorais, de crise económica e ainda com as alterações metodológicas do Eurostat.

Aqui está um dos quadros:

terça-feira, 26 de abril de 2011

Teixeira dos Santos e José Sócrates

Sobre a manchete deste sábado do Expresso "Sócrates e Teixeira dos Santos em rutura total" vale a pena revisitar o minuto a minuto do dia em que foi anunciado o pedido de ajuda.

O ministro das Finanças, consciente do risco que Portugal estava a correr e depois de ter tentado por todos os meios convencer o primeiro-ministro, precipitou o pedido de ajuda externa.

Depois de o ministro das Finanças ter dito, em resposta à questão sobre o pedido de ajuda externa: "(...)entendo que é necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu em termos adequados à atual situação política", õu demitia o ministro - provocando um terramoto brutal - ou pedia ajuda como o fez.

O ministro das Finanças fez o que tinha de fazer face aos riscos a que Portugal estava a ser exposto pela não decisão do primeiro-ministro. E o país deve estar-lhe agradecido por isso.

O PS, pelo menos uma parte, já se percebeu que não está agradecido. Nem agradecido pelo que Teixeira dos Santos fez nesse dia 6 de Abril, nem pelo que tentou fazer há quase mais de um ano para evitar que Portugal acabasse a pedir assistência financeira.

O que alguns socialistas têm dito sobre a ausência de Teixeira dos Santos das listas de deputados do PS é, no mínimo lamentável. As excepções são Ana Gomes e Edite Estrela.

As democracias não vivem sem partidos. Por isso mesmo os patidos, naquilo em que se transformaram, constituem hoje o maior risco para as democracias - nao apenas em Portugal, claro.

Em linguagem de economistas, a sua função objectivo - conquistar e manter o poder - parece ter ficado sem restrições activas - como por exemplo conquistar o poder desde que não se prejudique os cidadãos do país.