quinta-feira, 7 de abril de 2011

E Portugal pediu ajuda

No dia 6 de Abril de 2011, Portugal pede ajuda financeira à União Europeia. E assim sai dos mercados financeiros - deixa de se financiar no mercado e passa a financiar-se directamente junto da UE/FMI.

Uma ajuda que se tornou inevitável, ditada pela velocidade com que subiram as taxas de juro e desceram os 'ratings' da República desde que o Governo se demitiu na sequência do chumbo do chamado PEC IV.
Um pedido que José Sócrates concretiza contra a sua vontade.

Desde o início da semana assistimos a entrevistas de banqueiros à TVI afirmando em praça pública o que nunca imaginaríamos possíveis.
O presidnete do BCP foi o primeiro a dizer que Portugal devia pedir ajuda já. Seguiu-se o banqueiro dos banqueiros, Ricardo Salgado na terça-feira, afirmando exactamente o memso: Portugal tem de pedir ajuda.

Foram (as entrevistas dos banqueiros), e são, reveladoras da resistência do primeiro-ministro em pedir apoio financeiro à UE, fazendo o país correr um risco de colapso que nos custaria bastante caro.

E todo o calendário de dia 6 de Abril revela bem até que ponto o primeiro-ministro estava disposto a ir na sua recusa em pedir ajuda:

18:00 - O processo de pedido de ajuda começa com a entrevista do ministro das Finanças dada por escrito, e que é publicada praticamente à hora a que chegou ao mail. O objectivo era comentar o leilão de Bilhetes do Tesouro que deu um sinal dramático de encerramento dos mercados para Portugal. Eis que quando questionado sobre o pedido de ajuda responde:
"Perante esta difícil situação, que podia ter sido evitada, entendo que é necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu em termos adequados à actual situação política. Tal exigirá, também, o envolvimento e o comprometimento das principais forças e instituições políticas nacionais".

19:00 - Sabe-se que o primeiro-ministro vai fazer uma comunicação ao país às 20:30

Poucos minutos depois das 19:00 a Comissão Europeia dizia que ainda não tinha recebido um pedido de ajuda de Portugal

Quase às 20 horas sabe-se que foi convocado um Conselho de Ministros extraordinário.

Pouco depois das 20:30 o primeiro-ministro anuncia que pediu ajuda externa.

21:00 em Lisboa, 22:00 em Bruxelas, a Comissão Europeia revela em comunicado que o primeiro-ministro José Sócrates informou o presidente da Comissão que vai pedir ajuda.

Tudo correrá bem - e provavelmente melhor do que esperamos neste momento - se os partidos do arco da governação actuarem responsavelmente. Têm de assumir compromissos em plena campanha eleitoral.
Será a credibilidade desses compromissos que evitará medidas ainda mais duras de austeridade. Quanto mais for a capacidade de os partidos se entenderem, de cooperarem, menos será o aperto do nosso cinto.

Vamos ter de reduzir o nosso nível de vida, mas poderemos fazê-lo à bruta ou mais lentamente - tudo depende dos nossos líderes políticos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ainda na Economist, os líderes fragilizados

@Economist Peter Schrank
Líderes cansados, sociedades em mudança e crises que parecem eternas. Vale a pena ler pelo que se diz das tendências das sociedades actuais - os partidos de massas acabaram -, pelos vários factores identificados como fragilizadores da União - por exemplo, o tempo, demasiado, que estão no poder - e especialmente pelo olhar sobre as mudanças no eleitorado - os partidos de massas acabaram, diz-se.
E finalmente pela fantástica síntese final:
"If Mr Sarkozy were less mercurial, Mrs Merkel less prone to panic, Mr Zapatero more convincing and Mr Berlusconi less of a buffoon, Europe would be less handicapped."

A Economist sobre Portugal, Grécia e Irlanda, a ler


"Eles vão rebentar. Reconheçam"
"(...)
These economies [Greece, Ireland and Portugal] are on an unsustainable course, but not for lack of effort by their governments. Greece and Ireland have made heroic budget cuts. Greece is trying hard to free up its rigid economy. Portugal has lagged in scrapping stifling rules, but its fiscal tightening is bold. In all three places the outlook is darkening in large part because of mistakes made in Brussels, Frankfurt and Berlin.

At the EU’s insistence, the peripherals’ priority is to slash their budget deficits regardless of the consequences on growth. But as austerity drags down output, their enormous debts—expected to peak at 160% of GDP for Greece, 125% for Ireland and 100% for Portugal—look ever more unpayable, so bond yields stay high. The result is a downward spiral.

This newspaper has argued that Greece, Ireland and Portugal need their debt burdens cut sooner rather than later.
(...)
The big obstacle is not technical but political. Since many at Europe’s core, particularly the ECB, remain implacably opposed to debt restructuring (...)
It is time the Fund’s top brass said so publicly and, by refusing to lend more without a deal on debt, pushed Europe’s pusillanimous politicians into doing the right thing.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Taxas de juro mais altas e salários mais baixos

Os argumentos de Jürgen Stark para o BCE aumentar as taxas de juro estão no Financial Times. Aqui se transcrevem alertas que são especialmente importantes para Portugal.
           (...)
The “optimality of a currency area” is not a given or static state of affairs. It is the result of the determination of all policymakers to increase the resilience of all the constituent parts of the area. One-size-fits-all requires downward unit labour cost adjustments in countries with high unemployment and major competitiveness problems; it also requires all national fiscal and supervisory policies to avoid any build-up of imbalances and boom-bust cycles.

At the European level, this needs to be supported by stricter rules and more effective surveillance mechanisms of national economic policies.

It goes without saying that implementing the necessary reforms not only benefits the countries concerned, but is also an obligation for all governments so as to ensure that their economies function smoothly within our monetary union. It is in this sense that one size fits all.

O BCE e as suas taxas de juro

Será que Juergen Stark defende a subida das taxas de juro na Zona Euro porque está preocupado com a inflação ou porque está preocupado com a perspectiva de uma nova onda recessiva numa Europa sem instrumentos de política para combater um novo mergulho das economias?

Subir as taxas permitia depois descê-las. E uso aqui um contributo de F., na caixa de comentários que é hoje ainda mais actual:

(...)Mas eu vejo mais a subida anunciada da taxa de refinanciamento como uma questão de política económica quase pura (se é que isso existe...). Como ainda não está devidamente antecipado o impacto negativo que vai ser sério da incerteza no mercado do petróleo em bruto, o BCE procura desde já criar algum “espaço monetário”. Para poder mais tarde ter “espaço” (acima do zero) para fazer descer outra vez.(...)


A subida das taxas poderia ainda contribuir para aumentar efectivamente o custo do dinheiro aos bancos que usam o BCE para comprarem dinheiro a saldo que depois vendem a bom preço a países como a Grécia, Irlanda - no mercado apenas nas maturidades curtas - e ainda a  Portugal, a Espanha, à Bélgica...e às empresas.

(Sei que é politicamente incorrecto falar nisto, mas começa a ser tempo de começarmos a pensar fora do esquema que aprendemos nos livros - o que está nos livros é Concorrência Perfeita com uma enorme quantidade de pressupostos fortíssimos, o um mundo que não existe na realidade)

Claro que para as famílias e empresas portuguesas - e como tal para a banca - seria  mais uma desgraça a juntar-se às que já tempos.

Conselhos a Portugal

Por tudo o que tem acontecido vale a pena ler:

Bit of friendly advice, Portugal  no Independent - and I say, thank you Ireland but I don't we have any other solution.

e ainda
Brazil to annex Portugal? no FT, and I say What???? and after that...Why Not?

Se os soberanos desistiram da sua soberania, é capaz de ser preferível integrar nações com culturas semelhantes do que estar sujeito aos obscuros critérios da avaliação de risco das agências de "rating" - não me acusem de não ser a favor do mercado, porque não sou e porque as agências de "rating" são tudo menos mercado e querem tudo menos mercado.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Em plena crise financeira...

... o Parlamento derrubou o Governo.
Resta-nos saber se os líderes políticos dos partidos de poder sabem exactamente o que fizeram.

Por causa das medidas consagradas no Programa de Estabilidade e Crescimento 2011-2014 conhecido como o PEC IV, mas que é na verdade o PEC I de 2011.
Adiámos os remédios, vamos tomá-los em dose maior.