As máquinas de imprimir dinheiro vão ligar-se em força na América.
Na América não se teoriza, faz-se.
Numa acção esperada mas surpreendente pela dimensão, a Reserva Federal norte-americana anunciou que vai comprar mais 600 mil milhões de dólares de títulos de dívida pública e vai ainda reinvestir 250 e 300 mil milhões de euros.
Claro que o euro reforçou de imediato a sua subida - um dólar está a custar 1,41 euros - e as bolsas norte-americanas reagiram em alta.
Ben Bernanke também conhecido por "helicopter Ben" pelos remédios que defendeu para uma crise como a japonesa - injecção de dinheiro em grandes quantidades - dá o tudo por tudo para reanimar a economia norte-americana.
Contrariamente ao que aconteceu no passado, a economia norte-americana não dá sinais de ter saído sustentadamente da crise. E mais grave ainda está com sintomas de ruptura na relação entre crescimento e emprego: em geral o emprego aumentava, após uma crise, mais rapidamente que na Europa - tal como o desemprego, que também subia mais depressa. Nesta crise o mercado de trabalho norte-americano não está a revelar a mesma flexibilidade.
Fed vai comprar até 900 mil milhões de dólares em activos
Fed to Buy Extra $600 Billion of Treasuries to Boost Growth
Na Zona Euro continuamos focados nos aspectos financeiros.
Hoje as taxas de juro da dívida pública portuguesa e irlandesa voltaram a subir, com os irlandeses a registarem um agravamento superior ao dos portugueses - a diferença entre os dois voltou a alargar-se. Porquê? A razão que está a ser atribuída pelos analistas de dívida pública é a mesma : o fundo permanente que só entrará em vigor em 2013 e que ainda exige a revisão do Tratado de Lisboa. Mas sobre o qual a Alemanha tem falado de mais, acusam alguns líderes políticos, como Zapatero.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Portugal, Grécia e Irlanda no olho do furacão
Quando esperávamos que os mercados nos dessem o prémio da austeridade eis que somos castigados de novo. O regresso da subida das taxas de juro, apesar da aprovação já garantida do Orçamento do Estado, só nos deixa uma consolação - antes era a Grécia que estava pior que nós, agora é a Irlanda. A Espanha já conseguiu sair do radar das preocupações dos investidores.
A razão deste novo abalo está, diz quem investe, na decisão da Cimeira Europeia do fim da semana passada de criar um fundo permanente de ajuda aos países em dificuldades no euro mas com um mecanismo que se traduza também em perdas para os investidores. Consequência: nunca mais as taxas de juro voltarão a ser as mesmas.
O novo fundo só entrará em vigor daqui a três anos mas os devedores de maior risco já estão a ser castigados.
Vale a pena ler o que já disse Angela Merkel e as reacções que já teve sobre este assunto:
European officials including Spanish Prime Minister Jose Luis Rodriguez Zapatero are concerned that announcing bond investors will have to shoulder a part of any future bailout will spook traders at a time when Ireland and Portugal are struggling to cut their budget deficits.
(...)
In subsequent remarks today in Brussels, Merkel dismissed the concerns that planning now to make investors help pay for any future debt crisis may drive up the borrowing costs of nations with high budget deficits. She said a distinction exists between the temporary and future mechanisms.
Mas parece que não está a haver distinção entre as actuais regras e as que vão ser criadas e que exigem até uma revisão do Tratado de Lisboa. E assim sobem os juros de Portugal, da Irlanda e da Grécia.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
E Sócrates foi Sócrates
Negociações de cinco dias entre Governo e PSD colapsaram: a explicação de Eduardo Catroga e a explicação do ministro das Finanças.
Presidente da República convoca Conselho de Estado
Como se previa, José Sócrates caiu na tentação da sua convicção de ter Pedro Passos Coelho em xeque-mate e não viabilizou nenhum acordo com o PSD.
Não sei o que vai fazer Pedro Passos Coelho mas à medida que vou conhecendo o Orçamento, feito com raiva e total falta de cuidado, e que vou percebendo o que se tem passado nas contas públicas nos últimos anos e no banquete em que se transformou o dinheiro dos contribuintes para alguns grupos, cresce em mim a dúvida se não seria melhor inviabilizar o Orçamento.
O pântano de que se queixou um dia António Guterres já é muito mais que isso. Lamentavelmente para a nossa auto-estima, uma intervenção externa poderia limpar um pouco essas águas cada vez mais turvas em que nos movemos e que escondem as vantagens que alguns retiram de comerem cada vez mais e mais à mesa do Orçamento, do dinheiro que todos pagamos para o Estado. Enquanto se vai estrangulando a economia.
É muito triste que tenhamos chegado até aqui. É com tristeza que escrevo tudo isto. Mas olhar para o futuro com esperança exige uma limpeza que seja efectivamente geral.
Presidente da República convoca Conselho de Estado
Como se previa, José Sócrates caiu na tentação da sua convicção de ter Pedro Passos Coelho em xeque-mate e não viabilizou nenhum acordo com o PSD.
Não sei o que vai fazer Pedro Passos Coelho mas à medida que vou conhecendo o Orçamento, feito com raiva e total falta de cuidado, e que vou percebendo o que se tem passado nas contas públicas nos últimos anos e no banquete em que se transformou o dinheiro dos contribuintes para alguns grupos, cresce em mim a dúvida se não seria melhor inviabilizar o Orçamento.
O pântano de que se queixou um dia António Guterres já é muito mais que isso. Lamentavelmente para a nossa auto-estima, uma intervenção externa poderia limpar um pouco essas águas cada vez mais turvas em que nos movemos e que escondem as vantagens que alguns retiram de comerem cada vez mais e mais à mesa do Orçamento, do dinheiro que todos pagamos para o Estado. Enquanto se vai estrangulando a economia.
É muito triste que tenhamos chegado até aqui. É com tristeza que escrevo tudo isto. Mas olhar para o futuro com esperança exige uma limpeza que seja efectivamente geral.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Andamos a brincar com coisas sérias
O entretenimento em torno do Orçamento do Estado para 2011 é uma brincadeira que nos pode sair bastante cara.
Amanhã vamos entrar no quarto dia de negociações entre o Governo, num grupo liderado pelo ministro das Finanças, e o PSD, com Eduardo Catroga à frente. Do ponto de vista estritamente político, as negociações prometem não dar nada.
Porque vai um primeiro-ministro com o perfil de José Sócrates aceitar, por proposta do PSD, aumentar a taxa do IVA apenas em 1%, desistir dos limites nas deduções à colecta e alterar a sua decisão de colocar em taxa agravada produtos como o leite com chocolate?
Do ponto de vista financeiro podemos estar a falar de valores ridículos, mas na versão partidária a história pode ser outra: o PSD sairia como vencedor, poderia dizer que conseguiu moderar a subida dos impostos.
Terá José Sócrates essa generosidade de salvar o PSD?
E será o PSD capaz de aguentar a culpa e os efeitos de ter desencadeado a entrada do FMI em Portugal com um chumbo do Orçamento?
À primeira vista, José Sócrates tem a faca e o queijo na mão. O PSD está em xeque-mate e não parece conseguir sair dessa posição.
Nestas contas partidárias ninguém parece ter a noção de que se está a brincar com um fogo muito perigoso.
Espanha, Grécia e Irlanda já tomaram medidas duríssimas.
Se não fizermos o mesmo rapidamente a situação financeira vai precipitar-se. Mesmo aprovando o Orçamento ninguém é capaz de garantir que o problema financeiro está resolvido e que o FMI está colocado de parte.
Se nada fizermos por nós, os riscos são enormes - de uma dimensão tal que até se recomenda que não se imagine.
Num mundo em que os agentes políticos pensassem mais no País do que no gozo de ser vencedor de tácticas político-partidárias e na conquista de votos, o Orçamento já estava há muito viabilizado.
O PSD seguiu uma péssima táctica. José Sócrates foi muito hábil em encostar o PSD à parede. Muito bem, aplausos para todos. Agora vamos às coisas sérias e adoptem as medidas que o País precisa,
Amanhã vamos entrar no quarto dia de negociações entre o Governo, num grupo liderado pelo ministro das Finanças, e o PSD, com Eduardo Catroga à frente. Do ponto de vista estritamente político, as negociações prometem não dar nada.
Porque vai um primeiro-ministro com o perfil de José Sócrates aceitar, por proposta do PSD, aumentar a taxa do IVA apenas em 1%, desistir dos limites nas deduções à colecta e alterar a sua decisão de colocar em taxa agravada produtos como o leite com chocolate?
Do ponto de vista financeiro podemos estar a falar de valores ridículos, mas na versão partidária a história pode ser outra: o PSD sairia como vencedor, poderia dizer que conseguiu moderar a subida dos impostos.
Terá José Sócrates essa generosidade de salvar o PSD?
E será o PSD capaz de aguentar a culpa e os efeitos de ter desencadeado a entrada do FMI em Portugal com um chumbo do Orçamento?
À primeira vista, José Sócrates tem a faca e o queijo na mão. O PSD está em xeque-mate e não parece conseguir sair dessa posição.
Nestas contas partidárias ninguém parece ter a noção de que se está a brincar com um fogo muito perigoso.
Espanha, Grécia e Irlanda já tomaram medidas duríssimas.
Se não fizermos o mesmo rapidamente a situação financeira vai precipitar-se. Mesmo aprovando o Orçamento ninguém é capaz de garantir que o problema financeiro está resolvido e que o FMI está colocado de parte.
Se nada fizermos por nós, os riscos são enormes - de uma dimensão tal que até se recomenda que não se imagine.
Num mundo em que os agentes políticos pensassem mais no País do que no gozo de ser vencedor de tácticas político-partidárias e na conquista de votos, o Orçamento já estava há muito viabilizado.
O PSD seguiu uma péssima táctica. José Sócrates foi muito hábil em encostar o PSD à parede. Muito bem, aplausos para todos. Agora vamos às coisas sérias e adoptem as medidas que o País precisa,
Negociações PS e PSD - em busca de 450 milhões?
As negociações entre o PSD e o Governo, que se vão reiniciar às cinco da tarde, procuram aparentemente encontrar, no mínimo, 450 milhões de euros se o Governo aceitar a proposta de aumentar apenas 1 ponto percentual na taxa do IVA - para 22% - e pagar os limites em deduções com títulos de dívida pública.
A proposta do PSD de corte de 5% nos serviços intermédios não anulam as perdas de receita das alterações dos impostos.
Os 450 milhões de euros representam uns meros 0,3% do PIB implícito no Orçamento de 2011 (175.977,4). Mas pode existir pouca margem na redução do défice público de 7,3% do PIB deste ano para os 4,6% em 2011 com o rácio calculado com um crescimento do PIB de 0,2%.
Depois há a margem política. Como podem os dois partidos surgir como vencedores?
A razão do Orçamento 2011
Fonte: Banco de Portugal
A dívida externa bruta aumentou 54,5% entre Junho de 2004 e Junho de 2010. Claro que há dívida que financiou activos mas que não geraram ou estão a gerar o rendimento necessário para amortizar esta dívida.
São estes números em ligação com a nossa falta de crescimento que assustam quem nos está a financiar.
São estes números que são a razão da violência do Orçamento de 2011.
Os agentes não são racionais para olharem para esta dinâmica de endividamento e começarem a contrariar os seus consumos ajustando-os ao rendimento presente e não a um crescimento futuro que não chegou nem parece que vai chegar.
O Orçamento de 2011 é a mão visível que nos empurra para a racionalidade de regressar ao nível de vida que o rendimento que geramos torna financeiramente viável o país.
domingo, 24 de outubro de 2010
O Orçamento em jogo de sombras
As negociações em torno da viabilização do Orçamento revelam mais a vontade de viabilizar a proposta do Governo por parte do PSD do que antecipam qualquer mudança significativa.
Amanhã o ex-ministro das Finanças Eduardo Catroga vai encontrar-se de novo com o actual ministro das Finanças Fernando Teixeira dos Santos.
As mudanças possíveis serão sempre de pormenor. Não é possível fazer alterações significativas face à violência do que é exigido em matéria de redução do défice público. O PSD sabe isso.
De tudo o que se tem passado fica-nos a hipótese de o PSD ter percebido demasiado tarde o estado em que estavam as contas públicas e a dimensão do corte orçamental exigido por Bruxelas.
Neste momento estas negociações são mais pelo PSD do que por outra razão qualquer.
Amanhã o ex-ministro das Finanças Eduardo Catroga vai encontrar-se de novo com o actual ministro das Finanças Fernando Teixeira dos Santos.
As mudanças possíveis serão sempre de pormenor. Não é possível fazer alterações significativas face à violência do que é exigido em matéria de redução do défice público. O PSD sabe isso.
De tudo o que se tem passado fica-nos a hipótese de o PSD ter percebido demasiado tarde o estado em que estavam as contas públicas e a dimensão do corte orçamental exigido por Bruxelas.
Neste momento estas negociações são mais pelo PSD do que por outra razão qualquer.
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