segunda-feira, 26 de julho de 2010

Stress zen na banca

Os mercados estão a dizer nim aos testes de stress - aliviou-se a pressão.
Mas muitos estão a dizer que esta foi uma oportunidade perdida. Vozes de quem sabe o que diz - porque há muitos que dizem sempre o mesmo como é o caso de Nouriel Roubini que também pôs em causa o grau de exigência dos testes de stress realizados pelos norte-americanos em Maio de 2009.

O cenário para a banca portuguesa que pode ver-se em baixo. O que me causa perplexidade é testar-se um cenário em que há, ao mesmo tempo, recessão e desemprego (normal) com... subida das taxas de juro

Um dos factos que justificou os bons resultados dos quatro bancos portugueses - com um deles a registar até um rácio de solvabilidade mais elevado em stress do que no cenário base - foi exactamente esse "se as taxas de juro subirem". Como a banca faz reflectir a subida dos juros praticamente de imediato no crédito - veja-se o caso da habitação indexada à Euribor - e com desfasamento nos depósitos~, a sua margem aumenta tanto que é capaz de compensar as perdas com os incumprimentos gerados pela recessão/desemprego.

As notícias dos testes de stress em Portugal
A CGD, ESFG, BCP e BPI, este o melhor dos maiores ibéricos e o 18º europeu e ainda Porque têm os bancos portugueses bons resultados

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Estimular a economia? Não e não, diz Trichet

É tempo de todos apertarem as finanças públicas. Não a mais estímulos orçamentais. Assim fala o presidente do BCE no artigo que hoje escreve para o FT.

Trichet entra no debate que está a colocar em confronto os Estados Unidos e a ala do Euro mais preocupada com as contas públicas no centro da qual está a Alemanha.

A apoiar a preocupação de Trichet está a indicação de que a economia europeia, com especial relevo para a alemã, está a sair da tempestade em que estava metida na sequência da crise grega de forma mais clara do que os Estados Unidos estão a sair dos problemas do subprime que já remontam a 2007.

O que se tem passado nesta crise tem colocado a nu o pouco que sabemos de economia. Uma ignorância que é ainda mostrada pelo debate que o FT está a promover entre os que são a favor da manutenção das medidas de estímulo à economia e os que consideram, como Trichet, que é preciso reduzir urgentemente os défices públicos.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Vale pena ler e ouvir Ricardo Salgado

Foto: Miguel Baltazar

Hoje numa iniciativa do Negócios, a Hora H, Ricardo Salgado falou da situação da banca e da PT. Vale a pena ler e ouvir o que disse aqui.

Racionalidade é o que melhor caracteriza o único banqueiro de origem familiar que Portugal tem. Tudo é analisado e descrito com a frieza do raciocínio. Como quando diz que não se pode falar de traições.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

PT -Vivo-Telefónica: perguntas sem resposta

1. Porque é que um gestor com a experiência de Cesar Alierta tenta comprar a Vivo à PT, uma empresa de outro país e onde o Estado tem uma 'golden share' sem falar com o primeiro-ministro desse país?
(Dizem-me que Alierta diz que pensava que Ricardo Salgado estava a falar com José Sócrates)

2. Porque é que um banqueiro de família e gestor experiente como Ricardo Salgado avança com um negócio que reduz a PT a uma empresa local sem falar com o primeiro-ministro, sabendo que o Estado tem uma 'golden share'? 

Nenhum deles cometeu um erro. Gestores, empresários e banqueiros deste nível, habituados a negociar no mundo, sabem que têm de falar com os governos mesmo quando fazem pequenos negócios. Não cometem erros tão básicos como estes. 
Não sendo erro é táctica.
Como táctica é esta saída de cena da Telefónica. Agora é a PT a pedir por favor comprem a Vivo.

Ver aqui dossier PT/Telefónica

terça-feira, 13 de julho de 2010

Condenados a um crescimento medíocre

A dívida que acumulámos condena-nos a um crescimento medíocre, a instabilidade e desconfiança dos mercados financeiros inviabiliza aterragens suaves.
Há uma nova recessão à vista. O ânimo deste primeiro semestre vai desaparecer antes do fim do ano.

sábado, 10 de julho de 2010

O BCP como instrumento

Nenhum banco pode neste momento dizer que nada em liquidez - todos andam a titularizar para irem ao BCE. Mas os rumores - desta vez com uma violência invulgar - só envolvem o BCP. De tal maneira que o banco teve de comunicar sobre boatos:

Há algum tempo que o BCP está a ser atacado com boatos. Ondas que vêm e vão, incapazes até hoje de gerarem uma notícia - é factualmente falso que o BCP esteja em dificuldades diferentes das dos seus parceiros. Mais: o banco anunciou esta semana que passou vias alternativas de financiamento.

Mas, quem andou a alimentar a boataria conseguiu gerar a onda gigante que desejava e transformar o rumor em notícia.
É preciso fazer a pergunta: Quem ganha com a instabilidade e a ameaça destes rumores e boatos?


»Hipótese 1: Quem quer esconder as suas próprias fragilidades (vêm aí os testes de stress);
»Hipótese II: Quem quer criar um terramoto financeiro em Portugal para capitalizar politicamente como salvador.


Cheira demasiado a vontade de mudar o regime. Passámos da habitual criação de uma onda de insegurança física, - que precede os períodos de fragilidade política lembram-se? -, para a amplificação da insegurança financeira onde o terrendo anda mais fértil.
 
Temos aprendido que vale tudo, que alguns achams que os seus fins justificam todos meios. Mas o que se está a passar é de uma irresponsabilidade sem qualificação. Quem quer que seja está a brincar com o fogo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O preço do crédito escasso


Portugal, Espanha, Itália, Irlanda e Grécia precisam de 300 mil milhões de euros neste segundo semestre e têm de concorrer no mercado com países como os EUA, Reino Unido, Japão e outros países do euro que precisam de ir ao mercado buscar 4 biliões de dólares.

São dados da última actualização do relatório global de estabilidade financeira do FMI com os valores das necessidades de financiamento até 2012 dos cinco países que mais têm sofrido, com o aumento das taxas de juro, com a crise do euro. As necessidades de financiamento dos outros países é indirectamente apresentada pelo FMI como explicação para o facto de as taxas de juro de longo prazo desses países como Portugal terem continuado a subir apesar das medidas adoptadas pela Zona Euro a 7 de Maio - a mais importante das quais foi a compra de títulos de dívida por parte do BCE.