quarta-feira, 12 de maio de 2010

Crescimento surpresa, muito interessante

Conhecemos mesmo mal a nossa economia dita real.

PIB cresceu 1% no primeiro trimestre face ao quarto trimestre de 2009 (em cadeia) e 1,7% relativamente aos primeiros três meses de 2009 (homólogo).

O impressionante é o crescimento em cadeia de 1%.

O aumento homólogo tinha condições para ser elevado por razões aritméticas: a economia tinha ido ao fundo no primeiro trimestre de 2009. Bastava que se produzisse o mesmo que no quarto trimestre para o aumento homólogo se aproximar de 1%.

Há um país real que não fala em Estado e que está a trabalhar com resultados - uma das locomotivas deste crescimento é, do lado da oferta,  o sector industrial e, do lado da procura, as exportações. Interessante.

Esperemos que resista às novas medidas que vêm aí.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Europa dos défices e dos excedentes (externos)

Muito interessante a caixa que o FMI faz sobre as contas externas dos países do euro partindo da constatação de que a parir do lançamento do euro os países do Sul do Área do Euro (SAE) registaram um acentuado agravemnto dos seus défices externos enquanto os países do Norte da Área do Euro (NAE) viram os seus excedentes aumentarem.

E diz o FMI, os défices externos continuam importantes numa União Monetária - diria uma união monetária à La UE - sem governo centralizado, sem política orçamental única, sem liberdade de circulação de pessoas.

É ou não importante o saldo externo é um debate antigo em Portugal entre Cavaco Silva - sim é importante - e Vitor Constâncio - não, não é importante - na homenagem a Silva Lopes no ISEG.. Quer Cavaco como Constâncio continuam a pensar da mesma maneira.

Vejam-se os riscos que o FMI identifica - ou a morte lenta ou um ajustamento abrupto - e as terapias - apertar a política orçamental é o que tem efeitos mais rápidos - retirar poder de compra às pessoas e cortar despesas, ou seja, aumentar a poupança do Estado. Outra terapia, para quem tem recursos, é reduzir as contribuições para a segurança social - o equivalente a uma desvalorização interna.

Vamos ver as medidas que aí vêm.

Agora vai ser a sério

Vêm aí medidas duras de combate ao défice público com redução do poder de compra de todos.
As decisões adoptadas este fim-de-semana primeiro em Cimeira e depois em conselho de ministros das Finanças da UE e ainda pelo BCE têm subjacentes medidas muito mais violentas de ajustamento da economia portuguesa, o que, obviamente, não passa fundamentalmente pelas contas públicas - o excesso de consumo que se reflecte no défice externo tem de ser corrigido o que só s efaz com redução do poder de compra, com cuidado, é óbvio, para não criar um problema (mais grave) no sistema financeiro.

Portugal, com a Espanha, comprometeram-se a adoptar novas medidas.

As pressões sobre Portugal:
Vêm aí medidas que vão doer.
  • Temos de estar preparados para o aumento do IVA - dado como certo, aceite indirectamente pelo PSD e que pode ser dado como troca para os sociais-democratas votarem a favor da redução das deduções em sede de IRS.
  • Um imposto extraordinário que pode incidir em parte ou na totalidade do subsídio de Natal.

domingo, 9 de maio de 2010

Euro-maratona

Os ministros das Finanças estão reunidos desde as 15 horas. A conferência de imprensa estava agendada para as 18 horas, passou para as 22 horas, depois para as 23 horas e agora não há hora agenda.

O acordo não está ser fácil.

Pois é,

Goodbye, stimulus. Hello, state budget cuts
Título da CNNMoney para os Estado americanos que se aplica que nem uma luva a Portugal.

O euro ataca a alcateia mercados

A expressão é do ministro das Finanças sueco e está difundida por todas agências:
"Estamos perante um comportamento de rebanho dos mercados, um comportamento de alcateia [wolfpack behavior]", afirmou o ministro das Finanças sueco Anders Borg, considerando que na segunda-feira não se pode desiludir os mercados, como lê aqui na Bloomberg.
A mesma atitude não está aparentemente a ter o Reino Unido. Alistair Darling diz que a responsabilidade cabe aos países da Zona Euro.

Após as decisões tomadas pela Cimeira do Eurogrupo, em comunicado aqui, os ministro das Finanças da UE estão reunidos, num encontro de emergência. Em cima da mesa está:
  • Criação de um Fundo de Estabilização para o Euro - financiado com empréstimos que seriam contraídos pela Comissão Europeia junto dos mercados e que teria como objectivo garantir os créditos aos países com problemas de acesso aos mercados financeiros.  O Fundo poderia ser semelhante (ou ser esse mesmo) ao que existe para a UE (facilidade para a balança de pagamentos) e que neste momento tem 50 mil milhões de euros. São necessários pelo menos mais 60 mil milhões de euros.  
  • Acelerar a redução dos défices públicos - Decisão que já foi adoptada na Cimeira de 7 de Maio à noite vez que o primeiro-ministro José Sócrates anunciou sexta-feira à noite que seria tomadas mais medidas e estabeleceu um novo objectivo para  défice público este ano - em vez de 8,3% é de 7,3% do PIB.
  • BCE assumia o papel de 'comprador de último recurso' - adquirindo títulos de dívida pública para acalmar os mercados. (O que já está a fazer indirectamente com a Grécia, ao aceitar como colateral todos os títulos de dívida pública grega que os bancos têm nas suas carteiras, sem restrição de notação de risco). 
Uma síntese do que se pode ler no comuniado da Cimeira do eurogrupo de 7 de Maio e nos seguintes sítios:
Europa prepara fundo para proteger o euro, no Negócios
Ministros das Finanças em Bruxelas para aprovarem mecanismo de estabilização para o Euro, na BBC
UE aprova mecanismo de estabilização para o euro, num combate aos "lobos" do mercado, Reuters

sábado, 8 de maio de 2010

É, de facto, um susto

As taxas de juro que os investidores estão a exigir para emprestar a Portugal, são d efacto um susto.

Krugman viu como se pode ler aqui e no sue blogue com o título "O Nao"  o que o jornalista do Negócios André Veríssimo detectou pouco depois do mercado fechar, com o título "Risco de incumprimento de Portugal segue padrão da Grécia".

Na sexta-feira a "yield curve" inverteu pela primeira vez para Portugal (depois disso já ter acontecido com a Grécia): os investidores exigem uma taxa de juro mais elevada no curto prazo que no longo prazo, colocando a yield curve positivamente inclinada apenas até aos três anos e negativamente inclinada a partir daí.

No fecho de mercado de sexta-feira em Lisboa estávamos assim:
a yield a 3 anos - 6,4%;
yield a 10 anos - 6,2%.

Pelo link que Krugman fez ao WSJ podemos ver como estavam as taxas d ejuro das Obrigações do esouro nas diversas maturidades:

Ainda se torna mais assustador quando se olha para o que se passava há um mês ou há um ano em Portugal:

 
Para empréstimos com o prazo de dois anos exigem hoje à República portuguesa mais 7 pontos percentuais que há um ano. Imagine-se o que que se está a exigir a instituições financeiras portuguesas.