terça-feira, 11 de maio de 2010

Agora vai ser a sério

Vêm aí medidas duras de combate ao défice público com redução do poder de compra de todos.
As decisões adoptadas este fim-de-semana primeiro em Cimeira e depois em conselho de ministros das Finanças da UE e ainda pelo BCE têm subjacentes medidas muito mais violentas de ajustamento da economia portuguesa, o que, obviamente, não passa fundamentalmente pelas contas públicas - o excesso de consumo que se reflecte no défice externo tem de ser corrigido o que só s efaz com redução do poder de compra, com cuidado, é óbvio, para não criar um problema (mais grave) no sistema financeiro.

Portugal, com a Espanha, comprometeram-se a adoptar novas medidas.

As pressões sobre Portugal:
Vêm aí medidas que vão doer.
  • Temos de estar preparados para o aumento do IVA - dado como certo, aceite indirectamente pelo PSD e que pode ser dado como troca para os sociais-democratas votarem a favor da redução das deduções em sede de IRS.
  • Um imposto extraordinário que pode incidir em parte ou na totalidade do subsídio de Natal.

domingo, 9 de maio de 2010

Euro-maratona

Os ministros das Finanças estão reunidos desde as 15 horas. A conferência de imprensa estava agendada para as 18 horas, passou para as 22 horas, depois para as 23 horas e agora não há hora agenda.

O acordo não está ser fácil.

Pois é,

Goodbye, stimulus. Hello, state budget cuts
Título da CNNMoney para os Estado americanos que se aplica que nem uma luva a Portugal.

O euro ataca a alcateia mercados

A expressão é do ministro das Finanças sueco e está difundida por todas agências:
"Estamos perante um comportamento de rebanho dos mercados, um comportamento de alcateia [wolfpack behavior]", afirmou o ministro das Finanças sueco Anders Borg, considerando que na segunda-feira não se pode desiludir os mercados, como lê aqui na Bloomberg.
A mesma atitude não está aparentemente a ter o Reino Unido. Alistair Darling diz que a responsabilidade cabe aos países da Zona Euro.

Após as decisões tomadas pela Cimeira do Eurogrupo, em comunicado aqui, os ministro das Finanças da UE estão reunidos, num encontro de emergência. Em cima da mesa está:
  • Criação de um Fundo de Estabilização para o Euro - financiado com empréstimos que seriam contraídos pela Comissão Europeia junto dos mercados e que teria como objectivo garantir os créditos aos países com problemas de acesso aos mercados financeiros.  O Fundo poderia ser semelhante (ou ser esse mesmo) ao que existe para a UE (facilidade para a balança de pagamentos) e que neste momento tem 50 mil milhões de euros. São necessários pelo menos mais 60 mil milhões de euros.  
  • Acelerar a redução dos défices públicos - Decisão que já foi adoptada na Cimeira de 7 de Maio à noite vez que o primeiro-ministro José Sócrates anunciou sexta-feira à noite que seria tomadas mais medidas e estabeleceu um novo objectivo para  défice público este ano - em vez de 8,3% é de 7,3% do PIB.
  • BCE assumia o papel de 'comprador de último recurso' - adquirindo títulos de dívida pública para acalmar os mercados. (O que já está a fazer indirectamente com a Grécia, ao aceitar como colateral todos os títulos de dívida pública grega que os bancos têm nas suas carteiras, sem restrição de notação de risco). 
Uma síntese do que se pode ler no comuniado da Cimeira do eurogrupo de 7 de Maio e nos seguintes sítios:
Europa prepara fundo para proteger o euro, no Negócios
Ministros das Finanças em Bruxelas para aprovarem mecanismo de estabilização para o Euro, na BBC
UE aprova mecanismo de estabilização para o euro, num combate aos "lobos" do mercado, Reuters

sábado, 8 de maio de 2010

É, de facto, um susto

As taxas de juro que os investidores estão a exigir para emprestar a Portugal, são d efacto um susto.

Krugman viu como se pode ler aqui e no sue blogue com o título "O Nao"  o que o jornalista do Negócios André Veríssimo detectou pouco depois do mercado fechar, com o título "Risco de incumprimento de Portugal segue padrão da Grécia".

Na sexta-feira a "yield curve" inverteu pela primeira vez para Portugal (depois disso já ter acontecido com a Grécia): os investidores exigem uma taxa de juro mais elevada no curto prazo que no longo prazo, colocando a yield curve positivamente inclinada apenas até aos três anos e negativamente inclinada a partir daí.

No fecho de mercado de sexta-feira em Lisboa estávamos assim:
a yield a 3 anos - 6,4%;
yield a 10 anos - 6,2%.

Pelo link que Krugman fez ao WSJ podemos ver como estavam as taxas d ejuro das Obrigações do esouro nas diversas maturidades:

Ainda se torna mais assustador quando se olha para o que se passava há um mês ou há um ano em Portugal:

 
Para empréstimos com o prazo de dois anos exigem hoje à República portuguesa mais 7 pontos percentuais que há um ano. Imagine-se o que que se está a exigir a instituições financeiras portuguesas.

O pânico de quinta-feira em NY

Ainda ninguém percebeu o que lançou o pânico nas bolsas norte-americanas na quinta-feira.

1700 milhões, novo corte no défice público



Diminuir o défice em 1% do PIB ao défice ( de 8,3% para 7,3%) é cortar mais cerca de 170 1700 milhões de euros.
O quadro é a contas das Administrações Públicas publicada no relatório de 2010 - versão da proposta, a outra ainda não está disponível.

A entrada em vigor do OE 2010 apenas em Maio, arrastando o congelamento de muitas medidas permitia já que se conseguissem resultados melhores que os 8,3%. Houve ainda - não sei se se fez - a possibilidade de deslocar para 2009 algums despesas e arrastar para 2010 algumas receitas. Mas estes contributos únicos podem ser insuficientes para ir até aos 7,3% sem medidas adicionais, especialmente se a economia e as taxas de juro não ajudarem.

Como as más surpresas pagam-se caro nesta conjuntura de pânico nos mercados, aguardam-nos com certeza novas medidas.
Uma ainda está na geveta - a que garante maior receita fiscal - a limitação das deduções em sede de IRS que o PSD não quer.