sábado, 8 de maio de 2010

Novas medidas, recessão à vista

O inevitável está a contecer: o Governo adia investimentos adopta novas medidas restritivas envolvendo o PSD:

Governo diz em Bruxelas que há obras públicas que serão adiadas
"Estou a pensar justamente em todos os investimentos que não foram ainda adjudicados, como é o caso, por exemplo, da terceira via, como é o caso do aeroporto, para que os possamos lançar num momento em que a estabilização financeira regresse aos mercados e possa haver maiores garantias de financiamento para que essas obras se possam desenvolver"
José Sócrates, na reunião em Bruxelas de sexta-feira à noite

O objectivo para o défice público passou a ser 7,3% e não 8,3% segundo afirmou também José Sócrates em Bruxelas.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Aqui, pelo Euro, não está calmo

A tempestade regressou:

Zapatero diz que é "absoluta locura" o rumor que circulou nas bolsas de um plano de ajuda a Espanha no valor de 280 mil milhões de euros - quando um primeiro-ministro tem de desmentir rumores o pânico e a loucura já estão instalados.
Perguntas sem resposta:
Como se rompe um ciclo de pânico? Com um desastre, que confirme os medos?
A seguir a um naufrágio as águas acalmam-se? (Lehman Brothers?)
Porque não acreditam os investidores nos efeitos regeneradores do plano grego?
Devia ter-se deixado a Grécia reescalonar a dívida?
E se mais alguém precisar de apoio terá a zona euro de envolver os Tesouros do euro, como o Tesouro americano no plano Brady dos anos 80 para a América do Sul?

- Bolsas espanhola e gregas foram as que mais caíram na Europa - Ibex com queda de 5,4% e o grego FTSE/ASE20 caiu 7,35% - o Banco Nacional Grego viu as suas cotações caírem 13%. Bolsa portuguesa caiu 4%, a terceira pior sessão do ano
- Crise grega provoca razia na banca europeia - O Stoxx 600 Banks, composto por 55 bancos, caiu quase 5% (4,99%). Os bancos espanhóis foram os que mais caíram em bolsa - BBVA menos 7,6% e Santander menos 7%
- Diferença entre as taxas a dez anos da dívida portuguesa e alemã  nos 2,45 pontos percentuais - nos 5,4%. Ontem esteve nos 5,1% em queda por efeito do acordo de ajuda à Grécia, hoje está d enovo a subir com os investudores a refugiarem-se na dívida alemã.

E as análises e previsões sobre o fim do euro prosseguem com Stiglitz.
Os tempos não estão para brincadeiras, por pequenas que sejam. Não há dinheiro, sem inflacionar o euro, para ajudar um país como a Espanha. Mesmo no caso da Grécia, o BCE já teve de alterar a sregras do jogo e aceitar todos os colaterais.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O euro nas mãos de Merkel

Poucos líderes europeus teriam sido capazes de correr os riscos qeu Angela Merkel está a correr
"(...)
The chancellor [Angela Merkel] canceled two campaign rallies today in North Rhine-Westphalia, where polls show her party struggling to retain power at the May 9 vote, to give back-to-back interviews on N-TV/RTL, N24, ZDF and ARD television channels.
(...)"

E é bom que se pague caro esta indisciplina. Com regras que funcionem.
Porque também é tempo de perguntar o que andou a Comissão Europeia a fazer (ou anda a fazer) para nunca ter dado devidamente conta dos buracos orçamentais da Grécia.

Os 'spreads' estreitam mas atenção Portugal

As taxas de juro (yields) dos títulos de dívida pública portugueses e gregos estão a aproximar-se dos da Alemanha num movimento que envolve as duas partes - a taxa alemã sobe e a grega e portuguesa desce. Sinal de que os investidores consideram que o risco diminuiu, deixando um pouco a protecção do refúgio chamado Alemanha para regressar a remunerações mais elevadas.

Mas o drama pode ainda não ter acabado. Lê-se neste momento na Bloomberg:

The risk is that investors will shift focus to other euro nations in the absence of a clear aid plan for the 16-nation bloc’s weakest members. The extra yield investors demand to buy Portuguese debt over German bunds surged to the highest since at least 1997 and Spain’s IBEX 35 stock index fell the most in three months last week. The euro fell against the dollar today.

Portugal poderá ter de adoptar medidas adicionais.
Merkel diz que sacrifícios impostos à Grécia inspiram Portugal a esforçar-se mais

domingo, 2 de maio de 2010

Em Nova Iorque pergunta-se Chega?

A Grécia, a Zona Euro e o FMI já chegaram a acordo: um empréstimo de 110 mil milhões de euros a três anos, por mais medidas de austeridade que garantam que Atenas não volta a precisar de mais ajudas. (Lembram-se como foram os planos do FMI em 1978 e depois em 1983 - este com medidas ainda mais duras?)

Greece Gets Help, but Is It Enough? Assim pergunta o New York Times.
Vamos ver o que dizem os mercados pela manhã.

sábado, 1 de maio de 2010

45 mil milhões para a Grécia

No Der Spiegel, "Nada justifica empurrar a Grécia para fora do euro"

As poupança em dívida portuguesa

Rui L. Castro no "The Portugueses Economy" desafia quem está a criticar o comportamento dos investidores em relação à dívida pública portuguesa a investirem as suas próprias economias nesses títulos, pressupondo assim que esses activos valem (pouco) aquilo a que estão a ser cotados.

Uma abordagem que, na minha modesta opinião, não leva em consideração o seguinte:
  1. O short-selling - Os mercados financeiros têm hoje instrumentos que permitem ao investidor fazer grandes fortunas em muito pouco tempo - embora correndo elevados riscos: as vendas a descoberto. Peço emprestado o título, vendo, espero que o título caia, compro e devolvo ao credor do título.
  2. A dimensão do mercado do activo versus do investidor - Quando o mercado de um activo é estreito/reduzido e o investidor, pelo contrário, pode investir valores elevados, a sua profecia de queda do título auto-confirma-se pela sua actuação - quando despeja no mercado o título que pediu emprestado provoca a queda da sua cotação. Não é por acaso que não se verificam estas operações em mercados de grande dimensão - dívida americana por exemplo ou até espanhola e italiana. 
  3. Forte incentivo de venda para comprar a seguir - Mesmo quem não esteja a 'shortar'  e preveja a alta para o título, por considerar que o valor de mercado naquele momento não corresponde ao que vale o título dados os fundamentos do activo, tem um forte incentivo para vender reforçando o movimento de queda. Comprará mais tarde, mais barato, e a prazo registará mais-valias na sua carteira.
A pergunta: como se instala o comportamento de rebanho de fuga do activo que alimenta depois todos estes movimentos? No caso português foi determinate o artigo de Simon Johnson no New York Times a que se seguiu uma análise do próprio jornal.

O desafio de Rui L. Castro:
Os gestores de activos venderam a partir de dia 16 de Abril, reforçaram as suas vendas a seguir à queda do 'rating' e desde sexta-feira estão a comprar. E ganhou-se muito dinheiro com isso - investidores e operadores - estes com comissões. A liquidez dos mercados disparou na segunda metade de Abril.

Quem comprou títulos de dívida quando todos andaram a vender - especialmente no pior dia desta turbulência que foi quarta-feira - já começou a ganhar dinheiro.

Só quem está convencido que o euro está seriamente ameaçado vendeu para não voltar a comprar.