sábado, 1 de maio de 2010
As poupança em dívida portuguesa
Rui L. Castro no "The Portugueses Economy" desafia quem está a criticar o comportamento dos investidores em relação à dívida pública portuguesa a investirem as suas próprias economias nesses títulos, pressupondo assim que esses activos valem (pouco) aquilo a que estão a ser cotados.
Uma abordagem que, na minha modesta opinião, não leva em consideração o seguinte:
O desafio de Rui L. Castro:
Os gestores de activos venderam a partir de dia 16 de Abril, reforçaram as suas vendas a seguir à queda do 'rating' e desde sexta-feira estão a comprar. E ganhou-se muito dinheiro com isso - investidores e operadores - estes com comissões. A liquidez dos mercados disparou na segunda metade de Abril.
Quem comprou títulos de dívida quando todos andaram a vender - especialmente no pior dia desta turbulência que foi quarta-feira - já começou a ganhar dinheiro.
Só quem está convencido que o euro está seriamente ameaçado vendeu para não voltar a comprar.
Uma abordagem que, na minha modesta opinião, não leva em consideração o seguinte:
- O short-selling - Os mercados financeiros têm hoje instrumentos que permitem ao investidor fazer grandes fortunas em muito pouco tempo - embora correndo elevados riscos: as vendas a descoberto. Peço emprestado o título, vendo, espero que o título caia, compro e devolvo ao credor do título.
- A dimensão do mercado do activo versus do investidor - Quando o mercado de um activo é estreito/reduzido e o investidor, pelo contrário, pode investir valores elevados, a sua profecia de queda do título auto-confirma-se pela sua actuação - quando despeja no mercado o título que pediu emprestado provoca a queda da sua cotação. Não é por acaso que não se verificam estas operações em mercados de grande dimensão - dívida americana por exemplo ou até espanhola e italiana.
- Forte incentivo de venda para comprar a seguir - Mesmo quem não esteja a 'shortar' e preveja a alta para o título, por considerar que o valor de mercado naquele momento não corresponde ao que vale o título dados os fundamentos do activo, tem um forte incentivo para vender reforçando o movimento de queda. Comprará mais tarde, mais barato, e a prazo registará mais-valias na sua carteira.
O desafio de Rui L. Castro:
Os gestores de activos venderam a partir de dia 16 de Abril, reforçaram as suas vendas a seguir à queda do 'rating' e desde sexta-feira estão a comprar. E ganhou-se muito dinheiro com isso - investidores e operadores - estes com comissões. A liquidez dos mercados disparou na segunda metade de Abril.
Quem comprou títulos de dívida quando todos andaram a vender - especialmente no pior dia desta turbulência que foi quarta-feira - já começou a ganhar dinheiro.
Só quem está convencido que o euro está seriamente ameaçado vendeu para não voltar a comprar.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Ainda e de novo Paul Krugman
Tem de se ler How Reversible Is The Euro?
Que termina assim
I think I’ll go hide under the table now.
Também eu.
E falta o cenário de a Alemanha se aborrecer e ser ela a sair.
Nem o pior dos pesadelos.
Que termina assim
I think I’ll go hide under the table now.
Também eu.
E falta o cenário de a Alemanha se aborrecer e ser ela a sair.
Nem o pior dos pesadelos.
Sem corpete e com cinta - a UEM
A imagem não é elegante mas foi assim que se vestiu a União Económica e Monetária - sem o corpete Económico, com a cinta Monetária.
Os países com tendência para engordarem foram ficando obesos em cima da elegância sedutora da disciplina monetária - que foi atraindo capital e criando a ilusão de dinheiro fácil e barato.
Vem isto a propósito do que escreveu Paul Krugman (via Pedro Santos Guerreiro)
What the crisis really demonstrates, however, is the dangers of putting yourself in a policy straitjacket. When they joined the euro, the governments of Greece, Portugal and Spain denied themselves the ability to do some bad things, like printing too much money; but they also denied themselves the ability to respond flexibly to events.
Vale a pena ler todo o artigo de Paul Krugman.
Da crise da Grécia há lições a tirar sobre as desficiências na arquitectura do Euro, muito alertada antes do seu nascimento por muitos economistas. Entres eles Paul DeGrawe.
Os países com tendência para engordarem foram ficando obesos em cima da elegância sedutora da disciplina monetária - que foi atraindo capital e criando a ilusão de dinheiro fácil e barato.
Vem isto a propósito do que escreveu Paul Krugman (via Pedro Santos Guerreiro)
What the crisis really demonstrates, however, is the dangers of putting yourself in a policy straitjacket. When they joined the euro, the governments of Greece, Portugal and Spain denied themselves the ability to do some bad things, like printing too much money; but they also denied themselves the ability to respond flexibly to events.
Vale a pena ler todo o artigo de Paul Krugman.
Da crise da Grécia há lições a tirar sobre as desficiências na arquitectura do Euro, muito alertada antes do seu nascimento por muitos economistas. Entres eles Paul DeGrawe.
Agora é a sério
Na Grécia, segundo o Financial Times
- Salários de topo da função pública congelados durante três anos
- Idade média de reforma aumentada de 53 para 67 anos
- 13º e 14º mês de salários pago no Natal e na Páscoa desaparece
Em Espanha
- Governo acaba com 29 empresas públicas e 32 cargos de altos dirigentes
- Salários de topo da função pública congelados durante três anos
- Idade média de reforma aumentada de 53 para 67 anos
- 13º e 14º mês de salários pago no Natal e na Páscoa desaparece
Em Espanha
- Governo acaba com 29 empresas públicas e 32 cargos de altos dirigentes
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Agências de 'rating', até o FMI
Até o FMI faz alertas contra as agências de 'rating'.
E vale a pena acompanhar:
O que se está a descobrir nos Estados Unidos com a divulgação de mails que expõem como foram permeáveis na avaliação do risco de produtos financeiros estrututados com crédito à habitação subprime.
Mesmo sem a vontade do forte grupo de pressão que é o sector financeiro, o poder das trê sirmãs do 'rating' - Standard & Poor's, Moody's e Fitch - corre memso o risco de se reduzir.
Um mercado de 3 jogadores está muito longe de ser um mercado capaz de corrigir a falha de mercado que justifica a sua existência: a existência de informação assimética no mercado financeiro, isto é, o devedor conhece melhor a sua situação fiananceira que o credor.
Para se corrigir uma falha de mercado criou-se outra falha de mercado.
E vale a pena acompanhar:
O que se está a descobrir nos Estados Unidos com a divulgação de mails que expõem como foram permeáveis na avaliação do risco de produtos financeiros estrututados com crédito à habitação subprime.
Mesmo sem a vontade do forte grupo de pressão que é o sector financeiro, o poder das trê sirmãs do 'rating' - Standard & Poor's, Moody's e Fitch - corre memso o risco de se reduzir.
Um mercado de 3 jogadores está muito longe de ser um mercado capaz de corrigir a falha de mercado que justifica a sua existência: a existência de informação assimética no mercado financeiro, isto é, o devedor conhece melhor a sua situação fiananceira que o credor.
Para se corrigir uma falha de mercado criou-se outra falha de mercado.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Vale a pena ler:
Os gregos foram enganados, os alemães também de João Pinto e Castro. Tenhos dúvidas quanto à afirmação de que "os mercados financeiros foram totalmente racionais".
Quanto ao que vai acontecer amanhã - totalmente de acordo, o problema da Grécia estará bastante mais grave - a fuga de títulos gregos vai agravar-se. (E de Portugal também). Muitso fundos são geridos com regras estritas de risco: não têm nas suas carteiras activos abaixo de um determinado risco.
Precisa-se de política não de economia de João Galamba. De boa política diria eu. Sublinho especialmente de "os mercados agem racionalmente num contexto irracional" como contra-argumento (ainda com pouca reflexão sobre o tema) a João Pinto e Castro.
The Cohesion Crisis de Paul Krugman, assustador. Mas é assim que o mercado está a reagir.
A taxa de juro a dez anos das obrigações alemãs do tesouro (bunds) a dez anos estiveram no dia de hoje abaixo dos 3% , as portuguesas a 5,6% e as gregas em 9,6%.
A taxa de juro dos títulos gregos a 2 anos atingiu a 15,26%, sim, repito, 15,6%.
A Zona Euro está a permitir que alguns ganhem bastante dinheiro. A Grécia é "junk"? A consequência lógica de acreditar que a Grécia é 'junk bond' é prever o desmembramento do euro.
Quanto ao que vai acontecer amanhã - totalmente de acordo, o problema da Grécia estará bastante mais grave - a fuga de títulos gregos vai agravar-se. (E de Portugal também). Muitso fundos são geridos com regras estritas de risco: não têm nas suas carteiras activos abaixo de um determinado risco.
Precisa-se de política não de economia de João Galamba. De boa política diria eu. Sublinho especialmente de "os mercados agem racionalmente num contexto irracional" como contra-argumento (ainda com pouca reflexão sobre o tema) a João Pinto e Castro.
The Cohesion Crisis de Paul Krugman, assustador. Mas é assim que o mercado está a reagir.
A taxa de juro a dez anos das obrigações alemãs do tesouro (bunds) a dez anos estiveram no dia de hoje abaixo dos 3% , as portuguesas a 5,6% e as gregas em 9,6%.
A taxa de juro dos títulos gregos a 2 anos atingiu a 15,26%, sim, repito, 15,6%.
A Zona Euro está a permitir que alguns ganhem bastante dinheiro. A Grécia é "junk"? A consequência lógica de acreditar que a Grécia é 'junk bond' é prever o desmembramento do euro.
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