sábado, 1 de maio de 2010

45 mil milhões para a Grécia

No Der Spiegel, "Nada justifica empurrar a Grécia para fora do euro"

As poupança em dívida portuguesa

Rui L. Castro no "The Portugueses Economy" desafia quem está a criticar o comportamento dos investidores em relação à dívida pública portuguesa a investirem as suas próprias economias nesses títulos, pressupondo assim que esses activos valem (pouco) aquilo a que estão a ser cotados.

Uma abordagem que, na minha modesta opinião, não leva em consideração o seguinte:
  1. O short-selling - Os mercados financeiros têm hoje instrumentos que permitem ao investidor fazer grandes fortunas em muito pouco tempo - embora correndo elevados riscos: as vendas a descoberto. Peço emprestado o título, vendo, espero que o título caia, compro e devolvo ao credor do título.
  2. A dimensão do mercado do activo versus do investidor - Quando o mercado de um activo é estreito/reduzido e o investidor, pelo contrário, pode investir valores elevados, a sua profecia de queda do título auto-confirma-se pela sua actuação - quando despeja no mercado o título que pediu emprestado provoca a queda da sua cotação. Não é por acaso que não se verificam estas operações em mercados de grande dimensão - dívida americana por exemplo ou até espanhola e italiana. 
  3. Forte incentivo de venda para comprar a seguir - Mesmo quem não esteja a 'shortar'  e preveja a alta para o título, por considerar que o valor de mercado naquele momento não corresponde ao que vale o título dados os fundamentos do activo, tem um forte incentivo para vender reforçando o movimento de queda. Comprará mais tarde, mais barato, e a prazo registará mais-valias na sua carteira.
A pergunta: como se instala o comportamento de rebanho de fuga do activo que alimenta depois todos estes movimentos? No caso português foi determinate o artigo de Simon Johnson no New York Times a que se seguiu uma análise do próprio jornal.

O desafio de Rui L. Castro:
Os gestores de activos venderam a partir de dia 16 de Abril, reforçaram as suas vendas a seguir à queda do 'rating' e desde sexta-feira estão a comprar. E ganhou-se muito dinheiro com isso - investidores e operadores - estes com comissões. A liquidez dos mercados disparou na segunda metade de Abril.

Quem comprou títulos de dívida quando todos andaram a vender - especialmente no pior dia desta turbulência que foi quarta-feira - já começou a ganhar dinheiro.

Só quem está convencido que o euro está seriamente ameaçado vendeu para não voltar a comprar.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Ainda e de novo Paul Krugman

Tem de se ler How Reversible Is The Euro?

Que termina assim
 I think I’ll go hide under the table now.

Também eu.

E falta o cenário de a Alemanha se aborrecer e ser ela a sair.
Nem o pior dos pesadelos.

Sem corpete e com cinta - a UEM

A imagem não é elegante mas foi assim que se vestiu a União Económica e Monetária - sem o corpete Económico, com a cinta Monetária.

Os países com tendência para engordarem foram ficando obesos em cima da elegância sedutora da disciplina monetária - que foi atraindo capital e criando a ilusão de dinheiro fácil e barato.

Vem isto a propósito do que escreveu Paul Krugman (via Pedro Santos Guerreiro)
What the crisis really demonstrates, however, is the dangers of putting yourself in a policy straitjacket. When they joined the euro, the governments of Greece, Portugal and Spain denied themselves the ability to do some bad things, like printing too much money; but they also denied themselves the ability to respond flexibly to events.


Vale a pena ler todo o artigo de Paul Krugman.
Da crise da Grécia há lições a tirar sobre as desficiências na arquitectura do Euro, muito alertada antes do seu nascimento por muitos economistas. Entres eles Paul DeGrawe.

Agora é a sério

Na Grécia, segundo o Financial Times
- Salários de topo da função pública congelados durante três anos
- Idade média de reforma aumentada de 53 para 67 anos
- 13º e 14º mês de salários pago no Natal e na Páscoa desaparece

Em Espanha
- Governo acaba com 29 empresas públicas e 32 cargos de altos dirigentes

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Agências de 'rating', até o FMI

Até o FMI faz alertas contra as agências de 'rating'.

E vale a pena acompanhar:
O que se está a descobrir nos Estados Unidos com a divulgação de mails que expõem como foram permeáveis na avaliação do risco de produtos financeiros estrututados com crédito à habitação subprime.

Mesmo sem a vontade do forte grupo de pressão que é o sector financeiro, o poder das trê sirmãs do 'rating' - Standard & Poor's, Moody's e Fitch - corre memso o risco de se reduzir.

Um mercado de 3 jogadores está muito longe de ser um mercado capaz de corrigir a falha de mercado que justifica a sua existência: a existência de informação assimética no mercado financeiro, isto é, o devedor conhece melhor a sua situação fiananceira que o credor.

Para se corrigir uma falha de mercado criou-se outra falha de mercado.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Vale a pena ler:

Os gregos foram enganados, os alemães também de João Pinto e Castro. Tenhos dúvidas quanto à afirmação de que "os mercados financeiros foram totalmente racionais".
Quanto ao que vai acontecer amanhã - totalmente de acordo, o problema da Grécia estará bastante mais grave - a fuga de títulos gregos vai agravar-se. (E de Portugal também). Muitso fundos são geridos com regras estritas de risco: não têm nas suas carteiras activos abaixo de um determinado risco.

Precisa-se de política não de economia de João Galamba. De boa política diria eu. Sublinho especialmente de "os mercados agem racionalmente num contexto irracional" como contra-argumento (ainda com pouca reflexão sobre o tema) a João Pinto e Castro.

The Cohesion Crisis de Paul Krugman, assustador. Mas é assim que o mercado está a reagir.

A taxa de juro a dez anos das obrigações alemãs do tesouro (bunds) a dez anos estiveram no dia de hoje abaixo dos 3% , as portuguesas a 5,6% e as gregas em 9,6%.

A taxa de juro dos títulos gregos a 2 anos atingiu a 15,26%, sim, repito, 15,6%.

A Zona Euro está a permitir que alguns ganhem bastante dinheiro. A Grécia é "junk"? A consequência lógica de acreditar que a Grécia é 'junk bond' é prever o desmembramento do euro.