terça-feira, 27 de abril de 2010

"Rating" de Portugal cortado (de novo)

A agência Standard & Poor's acaba de divulgar o corte do 'rating' de Portugal, o terceiro em menos de ano e meio, de A+ com outlook negativo (a 7 deDezembro de 2009) para A - com outlook negativo (hoje, 28 de Abril). A 21 de Janeiro de 2009 tinha cortado a classificação de AA- para A+.

Assim se confirmam as profecias nos mercados financeiros - os mercados fazem aumentar o risco dos países, as agências de 'rating' arrastadas pelos mercados reforçam a degradação do risco e os mercados voltam a aumentar o risco dos países...
Eu degrado o risco porque tu degradas o risco, e eu degrado ainda mais porque tu degradaste... em circulo vicioso de conversa entre os mercados e as agências de 'rating'

Depois dos erros cometidos no passado as agências de 'rating' são hoje mais papistas que o papa.

Ver as notícias aqui e aqui.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Um dia difícil para Portugal, com a Grécia ao fundo

O risco de incumprimento que os mercados atribuem a Portugal através dos Credit Deafult Swaps (CDS) atungiu hoje os 300 pontos, ultrapassando os valores do Líbano

Será possível que alguém, racionalmente, considere que Portugal, país do euro e com a situação política, económica, financeira e social que tem possa ser considerado com este nível de risco?

A indecisão da Zona Euro está a encher os bolsos de muitos ditos investiodores, manipuladores de mercado.

Abalos cada vez mais forte na Zona Euro

Os investidores continuam a desfazer-se de títulos de dívida pública portuguesa:
  • Yield das OT a 10 anos atingiu os 5,126%, a taxa mais alta desde 2002
  • A diferença (spread) em relação aos títulos alemães equivalentes (bunds a 10 anos) chegou aos 209 pontos base, o valor mais alto desde 1997 quando Portugal ainda tinha o escudo.
  • A Grécia vive aina piores momentos. Os seus títulos de dívida pública a dez anos está em 9,385%, nos cinco anos atinge os 10,105% e na maturidade a dois anos chega aos 12, 868%. Agrava-se a inclinação negativa da 'yield curve', com a diferença entre os dez e os os dois anos a mais de 3%. (300 pontos base).
Apesar dos mais diversos avisos, os investidores estão com margem para ganhar dinheiro, explorando o arrastamento de uma solução efectiva para a Grécia.

Enquanto a divisão reinar na Zona Euro, vão-se ganhar milhões.

Vale a pena ler a entrevista de Paul de Grauwe  hoje no Negócios (só versão em papel). De Grauwe foi um dos economistas que mais alertou para as fragilidades da arquitectura da União Económica e Monetária antes de o euro ser lançado. Hoje confirma-se que, afinal, existem os choques assimétricos - neste caso provocados pelos mercados que discilinam sempre tarde e a más horas.

domingo, 25 de abril de 2010

Grandes lições neste 25 de Abril

O discurso do Presidente da República  com os alertas e avisos sobre os salários dos gestores e as propostas de prioridades para a política económica, o mar e as indústrias criativas.

A intervenção do Presidente da Assembleia da República com especial relevo para as criticas às agendas dos partidos: "temos a sensação de ver um debate político muitas vezes centrado no acessório - é a fuga da realidade -, em detrimento de responsabilidades que, em democracia, são de todos e por isso devem ser partilhadas (...)".

José Pedro Aguiar-Branco e a reconciliação com a história nos símbolos do cravo e da pátria.

Depois de uma semana terrível para Portugal nos mercados financeiros é um consolo - mínimo que seja - ver algumas lideranças a mostrarem que entendem o que se está a passar. E que têm ideias de soluções.

domingo, 18 de abril de 2010

Stiglitz - O euro pode não sobreviver

El euro está herido y "puede que no sobreviva, corre el riesgo de desaparecer si no se genera una ola de solidaridad, si no se ponen en marcha soluciones institucionales", avisa Stiglitz. no El Pais.

Menos soberania orçamental, mais integração no euro

Uma das consequências desta crise da Grécia será o reforço da integração económica, sob a forma de transferência de mais poderes nacionais para a esfera da Zona Euro.

O próximo Orçamento do Estado português poderá ser já pré-avaliado pela União Europeia, no quadro do novo mecanismo de coordenação das políticas económicas que foi discutido na reunião dos ministros das Finanças na sexta-feira e que será formalmente proposto pela Comissão Europeia em Maio.

O nome: Semestre Europeu de Política Económica.
“Os Estados-membros”, de acordo com a proposta, “submeteriam as suas propostas concretas de Orçamento durante a Primavera de forma a serem analisadas e avaliadas pela Comissão e pelos ministro das Finanças”, afirmou Olli Rehn na sexta-feira citado pelas agências noticiosas. Este procedimento “poderia e deveria levar a recomendações para que os Estado-membros adoptassem medidas adicionais.

A notícia pode ser lida aqui.
Claro que os Estados-membros do euro estão a sublinhar que a decisão sobre as contas públicas se manterá uma soberania nacional. Claro, se não fizerem asneiras.

Pode ser que finalmente assim alguns países como Portugal consigam resolver o seu problema orçamental.
E que se consiga evitar o pior - o desmembramento do euro.

Este reforço da integração europeia - menos soberania nacional nas contas públicas - já estava a ser antecipado durante a semana que passou pelos analistas e economistas dos bancos.

E se for a Alemanha a abandonar o euro?

Germany might consider exiting Europe’s current monetary union to create a smaller bloc, diz a Morgan Stanley. Embora sublinhando que esse não é o seu cenário central, admite que existe esse risco, na Bloomberg.

Para nós, os endividados, qualquer cenário de saída do euro seria uma desgraça.