sexta-feira, 9 de abril de 2010

Salários dos gestores...

...vale a pena ler o trabalho que o Negócios hoje publica sobre os salários dos gestores - o primeiro de outros trabalhos - como promete aqui Pedro Guerreiro.

O tema é controverso mas exige cuidado na avaliação dos números.

E a controvérsia não é de hoje. Em 2007 escrevi sobre o tema com o título "Executivos Ronaldos" e o ano passado nas páginas do Negócios tivémos um debate para responder à questão "Os prémios dos gestores devem ser cortados?"

E a controvérsia ultrapassa as fronteiras de Portugal - o que nada significa em si já que podia ser um tema apenas portugûês - como se pode ler nos contributos dados por um dos norte-americanos que mais tem escrito sobre este assunto relacionado com o governo das sociedades, Lucian Bebchuk.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

"Markets are always right"

Jean-Claude Trichet na conferência de imprensa de hoje: "Os mercados têm sempre razão". Para se recusar a responder à reacção que os mercados estavam a ter às suas declarações sobre a Grécia - as cotações das obrigações gregas subiram, invertendo a queda em que estavam

E como depois não conseguiu sair da ratoeira em que se colocou: se os mercados têm sempre razão, também têm razão em estar a "castigar" a Grécia?

Numa altura em que já poucos economistas defendem a teoria da racionalidade dos mercados financeiros, ver o presidente do BCE dizer que os mercados têm sempre razão...

A conferência de imprensa correu muito mal a Trichet na foto tirada daqui

Os grandes bancos devem ser "partidos"

Via Naked Capitalism chego a Banking industry insiders cal for breaking up giant banks.

Vale a pena ler os argumentos e o reconhecimento dos perigos que poderemos enfrentar com o gigantes financeiros. Hoje ainda podemos dizer que são "too big to fail" porque os Estados os poderão salvar... Amanhã mais perto do que longe já serão "too big to be aid".
Como se pode ler num dos comentários (o primeiro, que parece ser de origem portuguesa e se refere ao peso do Santander em Portugal) A Suíça debateu-se com esse problema, demasiado pequena para salvar os seus dois grandes bancos.

A lista dos apoiantes da "partição" dos bancos é impressionante.
Além de incluir banqueiros ali está Anna J. Schwartz que trabalhou com Milton Friedman e com ele é autora de "A monetary history of the United States" - onde pela primeira vez se diz que a recessão de 1929 poderia ter sido evitada se a Reserva Federal tivesse injectado dinheiro na economi evitado a queda brutal da massa monetária - e que serviu para evitar os erros nesta recessão.

Grécia, queremos ver o dinheiro na mesa...

Não chega colocar "a arma" em cima da mesa, queremos ver se há dinheiro. Assim parece ser o aviso dos investidores/especuladores/manipuladores do mercado de dívida pública que estão a aposta no incumprimento da Grécia.

Os CDS dos títulos gregos de dívida a um ano dispararam para 670 pontos base, alargando-se em 175 pontos num dia.
A curva de rendimento (yield curve, taxa de rendibilidade das obrigações para os diversos prazos) está invertida até aos dois anos - taxa desce até aos seis anos [ 7,8% a um ano a 7,40 a seis anos]  só depois sobe  - um sintoma  que aponta em geral para recessão quando se tem política monetária própria ou para pressão financeira, como é o caso.

Portugal está obviamente a ser contagiado, ainda que as taxas continuem ainda muito longe das gregas - exemplo: as obrigações com maturidades a  dois anos estão] com 1,779% - o 'spread' face à Alemanha está em máximos de dois meses e está a companhar a subida da Grécia.

Há saída de dinheiro dos bancos gregos que desde ontem começam a enfrentar problemas de liquidez.

No Alphaville fala-se num autêntico Jogo de Póker... Como no tango, são dois a jogar, de um lado a Grécia do outro quem se comprometeu a passar o chque se for preciso ajuda. Um grande exemplo de 'free riding'  - tudo o que se queria evitar com o Pacto.

O Jean-Claude Trichet vai falar daqui a pouco. Vamos ver o que diz que possa acalmar esta nova tempestade.

terça-feira, 6 de abril de 2010

A Grécia outra vez...

A instabilidade regressou aos mercados outras vez por causa da Grécia. Sem que perceba bem quem disse o quê - as fontes são anónimas, como se pode ler aqui mas não parecem ter sido desmentiodas até agora - está construída a convicção de que o governo grego quer o FMI fora do plano de ajuda acordado na Cimeira da Primavera em Bruxelas por recear que o Fundo queira medidas ainda mais restritivas que as adoptadas.

Concerns About Greece’s Debt Again Unsettle Markets

Bolsa da Grécia afunda e prémio de risco da dívida dispara para recorde, a taxa de rendibilidade das obrigações gregas a dez anos ultrapassou os 10%.

Como entender o que se passa quando o vice-primeiro ministro grego disse na entrevista ao Negócios ontem publicada que a participação do FMI é "um detalhe" no acordo com de ajuda à Grécia.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Grécia e Alemanha, Sul e Norte

Vale mesmo a pena ler a entrevista hoje publicada no Negócios com o vice-primeiro ministro da Grécia, Theodoros Panglos que esteve em Portugal na altura da revolução  como assistente de Malo Antunes.

Partilho algumas das suas afirmações:

" Devo dar-vos um conselho, a vós portugueses: não sejam neutros neste assunto. Vocês são as próximas vítimas"

"Alguns países como a Alemanha fizeram uma abordagem moral do nosso problema, o que levou a julgamentos raciais do género: "Os gregos têm problemas. Porque têm problemas? Porque não trabalham o suficiente. E porquê? Porque têm um bom clima e música e bebida, e não são sérios como nós alemães. Nós é que somos sérios, trabalhamos o suficiente e não fazemos défices". É ridículo (...)"