segunda-feira, 22 de março de 2010

A Alemanha a decidir sem medo

A Alemanha cria uma taxa sobre os bancos para financiar um fundo de apoio ao sistema financeiro em caso de crise.
Pode sre lido aqui e aqui

sábado, 20 de março de 2010

O PEC... confesso que não compreendo

De repente vejo-me em desacordo com quem em regra estou de acordo. Um exemplo: estou sempre de acordo com as análises de Nicolau Santos no Expresso. Mas hoje não. Sobre o Programa de Estabilidade e Crescimento.

Compreendo e concordo obviamente com a análise de fundo de Nicolau Santos que é ainda sustentada pelos argumentos de João Rodrigues com consequências tão bem sintetizadas por José Castro Caldas quando diz: "A soma de PECs restritivos é uma enorme recessão".

Aquilo que os Ladrões de Bicicletas designam como os economistas do medo para citar quem escreve sobre estes temas na Sedes é para mim realismo, sensatez e pragmatismo. (Ou até Ricardo Araújo Pererira que na sua penúltima crónica nos diz que a política do PEC com o capital é do género "não afugentar a caça").

Portugal não tinha outra alternativa, como pequeno país que é, sem poder para alterar as regras do jogo. O PEC 2010-2013 é sensato, pragmático e minimiza o impacto social das medidas restritivas.

Sim, há alternativa. Aquela que João Rodrigues defende: mais Europa (o ideal) ou menos Europa (proteccionismo). Ou ainda, o sonho, a regulação global dos movimentos de capitais.

Ou ainda, menos ambicioso, pressionar a Alemanha para adoptar medidas de expansão da sua procura como tem defendido Martin Wolf no FT e vários economistas em Portugal, como os autores dos Ladrões, Pedro Lains, João Pinto e Castro, Silva Lopes - na conferência da passada segunda-feira promovida por Pedro Lains - e até Vitor Bento, um dos autores da Sedes.

O tema da expansão da procura na Alemanha para evitar o pior já entrou no debate político - lançado esta semana pela ministra francesa das Finanças.

Mas tenho dúvidas que a Alemanha se deixe convencer. Todos nos lembramos como a Alemanha não hesitou em deixr implodir o mecanismo europeu de taxas de câmbio em 1993 quando subiu as taxas de juro contra a vontade da França e do Reino Unido e ainda contra todas as recomendações - a retoma ainda não era sólida.

O PEC português é o possível. E dentro do possível é bastante sensato.
Mas, claro que estamos perante a ameaça de uma nova recessão na Europa.

A empresa SIM e os bónus dos gestores

Oiço na TSF que a empresa portuguesa SIM - Sociedade Irmãos Miranda que produz faróis para camiões - resolveu suspender os salários dos administradores em 2009 para evitar o despedimento e reisistir à crise. "Se eu não posso aguentar um ano sem receber salários, bom alguma coisa esteve mal", diz o administrador.

A SIM tem sede em Águeda,  85% da produção é exportada e tem 130 trabalhadores

Que diferença com as grandes empresas  onde os gestores tanto falam em concorrência, mercado... Ainda esta semana assistimos a uma briga muito feia na praça pública por causa dos bónus da REN. Sim, a REN...com mercado garantido, sem concorrência.

Felizmente Portugal é mais feito de SIM do que de REN.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Os PIIGS

Assim ilustra o Der Spiegel o artigo "The EU has made things too easy for greecks"  integrado num dossier sobre A crise do Euro









Fomos avisados - nós os do euro

A Grécia está a expôr os frágeis alicerces da construção chamada Euro.

Fomos avisados que:
» uma política monetária única,
» com políticas orçamentais nacionais e sem sequer um orçamento comum para apoiar parceiros em dificuldades - sim, eu sei que não era para caso como os da Grécia
» a que se soma o vértice da responsabilidade política nacional dos governos
criava um triângulo de equlíbrio instável.

As posições opostas da Alemanha e da França sobre a atitude que a Zona Euro deve assumir na Grécia revelam bem a dimensão desse conflito.

Os alemães não querem pagar a factura da ajuda à Grécia - sim, porque serão eles a pagá-la .
E até já ouvimos Angela Merkel - citada pelo Financial Times - dizer que não compreende porque é que os alemães devem ajudar os gregos quando estes se reformam antes dos alemães. Claro que Merkel é julgada pelo seu eleitorado alemão.

Depois de ter adimitido ajudar a Grécia o governo alemão defende agora que deve ser o FMI a apoiar os gregos.

Contrariando assim a posição da França, que explicou assim a lógica de o apoio chegar de Bruxelas e não de Washington: o FMI não deve ajudar a Grécia como não ajudou a Califórnia - os dois fazem parte de uma área de moeda única, assim falou Cristine Lagarde, a ministra francesa das Finanças

Pois é a verdade. A Califórnia e a Grécia integram áreas de moeda única, uma o dólar, outra o euro.

Com uma pequena grande diferença - a Califórnia integra os Estados Unidos da América que ninguém discute que é uma Zona Monetária Óptima - para isso conta com 3 elementos fundamentais que o euro não tem: 1) mobilidade do factor trabalho, 2) um orçamento central 3) e uma união política.

O Pacto de Estabilidade não tem obviamente a energia para encher os buracos da estrutura da moeda única.

Só a vontade política da Alemanha poderia ter essa força - mas Berlim não sabe como explicar aos eleitores alemães que têm de pagar os excessos dos outros nas compras... de produtos, muitos deles, alemães (mas esta é outra conversa, para mais tarde)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Exercícios saloios

Vi a parte final do Prós e Contras. Fiquei com pena de não ter acompanhado o debate desde o início especialmente quando vi Eduardo Lourenço e José Gil.

Acabei por por ficar extremamente incomodada ao ouvir o representante das novas gerações, Miguel Morgado, dizer que os amigos que tem a trabalhar no estrangeiro sentem "repugnância" por Portugal.

Nunca tal tinha ouvido, nem por cá nem por amigos ou entrevistas com quadro superiores que, por uma razão ou outra, trabalham fora de Portugal.

Começa a ser, no mínimo, desagradável, assistir a este renovado exercício nacional de saloíce e falta de mundo que se ilustram com a velha máxima "a galinha da vizinha é (sempre) melhor que a minha".

E desagradável pelo que revela de limitada sabedoria. Demasiada informação - a maioria limitada ao mundo que é mostrado nos rectângulos televisivos -, algum conhecimento e zero de sabedoria.