Na sua habitual linguagem cifrada, na sua análise à economia portuguesa aqui no Negócios, aqui e aqui, o FMI avisa:
» os salários da função pública não devem ser aumentados ou, se o forem, devem sê-lo pelos mínimos (os aumentos deste ano foram muito elevados)
» a actualização prevista para o salário mínimo é "desajustada", sinónimo de que não deve ser realizada
» a alteração à regra de actualização das pensões de reforma - por causa da inflação negativa - não devia ter ocorrido e vai ser paga a prazo - ou seja, terá de se ir buscar o poder de compra que se deu agora;
» o défice público, a dinâmica da dívida pública associada ao baixo crescimento e a dívida da economia em geral coloca Portugal numa situação especialmente frágil caso ocorra mais um choque financeiro externo (por ex., se o caso do Dubai se alastrar);
» o défice público tem de ser reduzido em média 1% ao ano;
» é preciso reduzir despesas com os salários da função públicas, com as transferências sociais e com a saúde;
» é preciso aumentar receitas fiscais o que pode passar pela subida do IVA.
Os alertas estão dados. Por muito que não se goste das regras do jogo, estas são as regras do jogo.
A França vai cumprir o limite dos 3% um ano antes do previsto, dizia hoje o FT. E a Alemanha pode já cumprir este ano.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Tratado de Lisboa - agora é a vez dos europeus
Entrou em vigor o Tratado de Lisboa.
Acabou o tempo que dura praticamente desde 2001 - ou até desde a primeira tentativa para preparar a UE para o alargamento que foi o Tratado de Amesterdão a 1 de Maio de 1999 - durante o qual a Europa apenas olhou para si própria.
Acabou o tempo que dura praticamente desde 2001 - ou até desde a primeira tentativa para preparar a UE para o alargamento que foi o Tratado de Amesterdão a 1 de Maio de 1999 - durante o qual a Europa apenas olhou para si própria.
Ladrões de notícias ou trabalho (dos outros)
Um trabalho da Atributor que encontrei via FT revela que 75.195 sites usaram pelo menos um artigo de jornais norte-americanos sem autorização de 15 de Outubro a 15 de Novembro, realizando receitas com isso - e, obviamente, sem os respectivos custos.
No sector dos media terá de se fazer alguma coisa. As receitas não podem ser públicas e os custos privados, isto é, das companhias que produzem as notícias.
O Google e o Yahoo estão no top dos viabilizadores deste negócio de proveitos sem custos. Os blogues representam apenas 10%.
Revela o FT que o estudo enquadra-se no encontro da "Federal Trade Commission" subordinada ao tema "Como pode o jornalismo sobreviver à era da internet".
A conferência pode ser seguida no Twitter
Não é apenas a sobrevivência do negócio que está em causa. Com o negócio está em causa o jornalismo com toda a sua técnica que garante o rigor e distanciamento contra a má-língua e a propaganda, como registei aqui citando Robert W. McChesney e John Nichols do Washington Post.
Por aqui obviamente que ninguém está preocupado com isso. Uns protagonistas políticos estão contentes com a propaganda, outros com a má-língua.
No sector dos media terá de se fazer alguma coisa. As receitas não podem ser públicas e os custos privados, isto é, das companhias que produzem as notícias.
O Google e o Yahoo estão no top dos viabilizadores deste negócio de proveitos sem custos. Os blogues representam apenas 10%.
Revela o FT que o estudo enquadra-se no encontro da "Federal Trade Commission" subordinada ao tema "Como pode o jornalismo sobreviver à era da internet".
A conferência pode ser seguida no Twitter
Não é apenas a sobrevivência do negócio que está em causa. Com o negócio está em causa o jornalismo com toda a sua técnica que garante o rigor e distanciamento contra a má-língua e a propaganda, como registei aqui citando Robert W. McChesney e John Nichols do Washington Post.
Por aqui obviamente que ninguém está preocupado com isso. Uns protagonistas políticos estão contentes com a propaganda, outros com a má-língua.
Jacques Sapir, visões (mesmo) diferentes
A ler a entrevista de Jacques Sapir no Público.
Perspectivas verdadeiramente diferentes do que se passa e de como se pode resolver alguns problemas. Eis a síntese de alguns dos seus diagnósticos e soluções. Discutíveis mas que vale a pena pensar sobre elas sem lhes colocar um rótulo e atirar para trás das costas.
BANCA
"(...) bancos foram salvos pelos governos e pelos bancos centrais, mas não mudaram as suas políticas. Reduziram o crédito concedido e estão a investir o dinheiro dado pelo Estado e emprestado pelos bancos centrais em especulação."
[Veja-se agora o caso do Dubai e os valores ali investidos por bancos europeus. ]
"A única política capaz de resolver isto seria a introdução de um maior controlo do sector bancário pelo Estado. Seja através da nacionalização, seja através da nomeação de uma espécie de supervisor. É um sistema que foi usado nos EUA e também em França durante os anos 30. A propriedade continua privada, mas nomeia-se uma pessoa com poderes efectivos para guiarem a política dos bancos. (...) NOs EUA chama-se 'czar' e já existe hoje no sector automóvel".
[Não estou certa que esta seja a solução. Portugal tem a CGD e não é por isso que o acesso ao crédito de PME's viáveis é mais fácil]
COMÉRCIO LIVRE
" [O comércio é] livre mas não é justo. (...) A produtividade chinesa está entre 30 e 40 por cento da produtividade da Europa Ocidental, mas os salários são dez vezes mais baixos. E isto é um problema. (...) E também temos de proteger famílias europeias das norte-americanas. Como é que podemos ter comércio livre quando um país pode desvalorizar a sua divisa em 20 por cento. Isto é exactamente o que os EUA estão a fazer."
[Sapir propõe tarifas até que os salários de países como a China igualem a produtividade, ou, implicitamente, que anulem as vantagens que os EUA obtêm quando desvalorizam a sua moeda cada vez que estão em crise - pois não sei se não será uma boa ideia]
MERCADOS FINANCEIROS
"E é preciso regular o acesso a determinados mercados. Actualmente, temos muita especulação. No petróleo, vamos de um valor de 35 dólares até 187 dólares por barril, o que está relacionado com a entrada de especuladores financeiros nestes mercados. Os mercados de matérias-primas têm de ser limitados aos operadores que têm efectivamente interesse em comprar ou vender esses produtos."
[O divórcio que hoje se verifica entre fluxos financeiros e reais exige que se adoptem algumas medias para os interligar de novo combatendo assim o risco de bolhas especulativas mas também a ameaça que são à criação de valor nas empresas - esta é uma ideia]
Perspectivas verdadeiramente diferentes do que se passa e de como se pode resolver alguns problemas. Eis a síntese de alguns dos seus diagnósticos e soluções. Discutíveis mas que vale a pena pensar sobre elas sem lhes colocar um rótulo e atirar para trás das costas.
BANCA
"(...) bancos foram salvos pelos governos e pelos bancos centrais, mas não mudaram as suas políticas. Reduziram o crédito concedido e estão a investir o dinheiro dado pelo Estado e emprestado pelos bancos centrais em especulação."
[Veja-se agora o caso do Dubai e os valores ali investidos por bancos europeus. ]
"A única política capaz de resolver isto seria a introdução de um maior controlo do sector bancário pelo Estado. Seja através da nacionalização, seja através da nomeação de uma espécie de supervisor. É um sistema que foi usado nos EUA e também em França durante os anos 30. A propriedade continua privada, mas nomeia-se uma pessoa com poderes efectivos para guiarem a política dos bancos. (...) NOs EUA chama-se 'czar' e já existe hoje no sector automóvel".
[Não estou certa que esta seja a solução. Portugal tem a CGD e não é por isso que o acesso ao crédito de PME's viáveis é mais fácil]
COMÉRCIO LIVRE
" [O comércio é] livre mas não é justo. (...) A produtividade chinesa está entre 30 e 40 por cento da produtividade da Europa Ocidental, mas os salários são dez vezes mais baixos. E isto é um problema. (...) E também temos de proteger famílias europeias das norte-americanas. Como é que podemos ter comércio livre quando um país pode desvalorizar a sua divisa em 20 por cento. Isto é exactamente o que os EUA estão a fazer."
[Sapir propõe tarifas até que os salários de países como a China igualem a produtividade, ou, implicitamente, que anulem as vantagens que os EUA obtêm quando desvalorizam a sua moeda cada vez que estão em crise - pois não sei se não será uma boa ideia]
MERCADOS FINANCEIROS
"E é preciso regular o acesso a determinados mercados. Actualmente, temos muita especulação. No petróleo, vamos de um valor de 35 dólares até 187 dólares por barril, o que está relacionado com a entrada de especuladores financeiros nestes mercados. Os mercados de matérias-primas têm de ser limitados aos operadores que têm efectivamente interesse em comprar ou vender esses produtos."
[O divórcio que hoje se verifica entre fluxos financeiros e reais exige que se adoptem algumas medias para os interligar de novo combatendo assim o risco de bolhas especulativas mas também a ameaça que são à criação de valor nas empresas - esta é uma ideia]
domingo, 29 de novembro de 2009
E agora dos bancos para ... os países?
O mais preocupante é o que o Dubai sinaliza sobre dificuldades adivinhadas de outros países desenvolvidos. Será o Dubai apenas a ponta do iceberg?
É o que já se vai lendo. E é o que começa a dar razão aos ditos pessimistas que perceberam desde o primeiro momento que a crise financeira iniciada em 2007 por causa do endividamento estava a ser resolvida
»com mais endividamento, agora do Estado, na ilusão de que se consegue salvar o mercado.
» premiando os irresponsáveis
» mantendo e alimentando a anti-natura separação entre o mundo financeiro e o mundo económico.
“Dubai could be the beginning of a series of sovereign debt issues or crises,” said Mohamed El-Erian, chief executive of Pimco, the giant bond-trading company
The worldwide decline in equities spurred by Dubai’s efforts to reschedule its debt is a sign that government spending alone won’t be enough to protect financial markets, according to Arnab Das of Roubini Global Economics.
É o que já se vai lendo. E é o que começa a dar razão aos ditos pessimistas que perceberam desde o primeiro momento que a crise financeira iniciada em 2007 por causa do endividamento estava a ser resolvida
»com mais endividamento, agora do Estado, na ilusão de que se consegue salvar o mercado.
» premiando os irresponsáveis
» mantendo e alimentando a anti-natura separação entre o mundo financeiro e o mundo económico.
“Dubai could be the beginning of a series of sovereign debt issues or crises,” said Mohamed El-Erian, chief executive of Pimco, the giant bond-trading company
The worldwide decline in equities spurred by Dubai’s efforts to reschedule its debt is a sign that government spending alone won’t be enough to protect financial markets, according to Arnab Das of Roubini Global Economics.
Dubai... Crise financeira, Parte II
Os bancos ingleses são os mais expostos a um eventual incumprimento por parte do Dubai.
Para já apenas temos o Dubai World a pedir um adiamento e os Emirados Árabes Unidos a tentarem ajudar o seu irmão em dificuldades.
O Royal Bank of Scotland é um dos mais expostos ao Dubai World - metáfora para dzier que é um dos que pode perder mais dinheiro.
O HSBC é o mais expostos aos Emirados Árabes Unidos.
O RBS recebeu significativas ajudas do Governo britânico - leia-se, contribuintes - e tem 2,3 mil milhões de dólares no Dubai World.
O HSBC, o maior banco inglês, tem em risco 611 milhões de dólares.
Números estimados pela Goldman Sachs, no Times Online
A KPMG vai ser a representante dos credores.
Em causa estão 30 mil milhões de dólares.
Para já apenas temos o Dubai World a pedir um adiamento e os Emirados Árabes Unidos a tentarem ajudar o seu irmão em dificuldades.
O Royal Bank of Scotland é um dos mais expostos ao Dubai World - metáfora para dzier que é um dos que pode perder mais dinheiro.
O HSBC é o mais expostos aos Emirados Árabes Unidos.
O RBS recebeu significativas ajudas do Governo britânico - leia-se, contribuintes - e tem 2,3 mil milhões de dólares no Dubai World.
O HSBC, o maior banco inglês, tem em risco 611 milhões de dólares.
Números estimados pela Goldman Sachs, no Times Online
A KPMG vai ser a representante dos credores.
Em causa estão 30 mil milhões de dólares.
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A construção representa 22,6% do PIB do Dubai.