domingo, 16 de agosto de 2009

Fim da crise? Qual fim?

"É demasiado cedo para decretar o fim da crise financeira"
Axel Weber, presidente do Bundesbank em entrevista ao Suddeutsche Zeitung e traduzida aqui.

Razões: o aumento do crédito malparado.
Um alerta que em Portugal já foi feito pelos presidentes do Santander Totta e BCP, em entrevistas ao Negócios.
E ainda pelo presidente do Deutsche Bank Josef Ackermann como já se tinha referido por aqui.

Enfrentamos um risco muito sério de um novo mergulho em recessão, a tal crise em W.

sábado, 15 de agosto de 2009

(Des)Poupança pública e privada

Retirada de uma intervenção de Michael Porter sobre Portugal.

Dedicada a todos quantos estiveram obcecados pelo défice orçamental (incluindo eu).
Hoje a situação pode ser um pouco diferente.
Mas a falta de poupança privada continua a ser mais preocupante que a pública.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A diferença entre perder e deixar de ganhar

"I-
Alguns dias antes da crise, um consultor financeiro lhe recomenda investir todas
suas economias, que somavam R$100mil à época, em ações. Seis meses depois, seu
portfólio estava avaliado em R$50mil, logo você perdeu 50% de sua reserva
financeira.
II- No início deste ano, um consultor financeiro lhe disse para
deixar todo o seu dinheiro – R$100mil – embaixo do colchão, já que a crise
estava tão forte que mesmo uma aplicação em renda fixa no banco seria arriscada.
Seis meses depois, você verifica que se tivesse investido na bolsa, estaria hoje
com R$150mil, logo você deixou de obter um ganho de 50% sobre seu
patrimônio.
Embora o prejuízo efetivo seja idêntico em ambos os casos, sua
percepção seria bem diferente se você estivesse no cenário I ou no II, não é
mesmo? No primeiro caso, você provavelmente estaria querendo esganar seu
consultor de investimentos; enquanto que, no segundo, suas chances de perdoá-lo
(“melhor pecar por excesso de zelo do que pela falta”) seriam bastante altas. Só
que isso não significa nada em termos reais, é só a percepção dos fatos, uma
ilusão: nos dois casos, sua perda foi de R$50mil ou 50% do seu patrimônio. Tão
simples quanto isso.
"
Toca Raul!!! usa este exemplo para criticar Paul Krugman - que disse que afinal não vamos ter uma grande depressão como a de 1929.
Discordo da crítica. A história que conta é óptima mas para ilustrar o valor que damos a quem gere o nosso dinheiro com extrema prudência.
As preferências são neste caso - como em muitos outros - assimétrias: preferimos não ganhar a perder.
E a banca ia pagando um preço muito alto por não ter ajustado a sua oferta a essas preferências - ou, mais grave ainda, por ter pensado que esta a respeitar essa preferência para si para os seus clientes.
Os banqueiros estiveram na última mais de uma década a avaliar mal o risco

terça-feira, 11 de agosto de 2009

TAP: racionalidades em conflito

A renovação da frota automóvel por parte da TAP é um interessante caso de conflito de racionalidades.

A racionalidade financeira recomendava que se substituíssem os carros - reduz os custos. (não há a alternativa de acabar com o direito a carro a quem já o tem).

A racionalidade económica e social recomendava que se mantivessem os mesmos carros dada a conjuntura em que vive a empresa - prejuízos e salários sem aumentos.

Consciente ou inconscientemente, a administração da empresa escolheu a racionalidade financeira. E reacendeu a instabilidade económica e social na empresa.

Qual teria sido a melhor escolha? Se a greve assumir a dimensão que os sindicatos afirmam - 70% dos trabalhadores - os prejuízos financeiros causados podem ultrapassar a poupança