quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A diferença entre perder e deixar de ganhar

"I-
Alguns dias antes da crise, um consultor financeiro lhe recomenda investir todas
suas economias, que somavam R$100mil à época, em ações. Seis meses depois, seu
portfólio estava avaliado em R$50mil, logo você perdeu 50% de sua reserva
financeira.
II- No início deste ano, um consultor financeiro lhe disse para
deixar todo o seu dinheiro – R$100mil – embaixo do colchão, já que a crise
estava tão forte que mesmo uma aplicação em renda fixa no banco seria arriscada.
Seis meses depois, você verifica que se tivesse investido na bolsa, estaria hoje
com R$150mil, logo você deixou de obter um ganho de 50% sobre seu
patrimônio.
Embora o prejuízo efetivo seja idêntico em ambos os casos, sua
percepção seria bem diferente se você estivesse no cenário I ou no II, não é
mesmo? No primeiro caso, você provavelmente estaria querendo esganar seu
consultor de investimentos; enquanto que, no segundo, suas chances de perdoá-lo
(“melhor pecar por excesso de zelo do que pela falta”) seriam bastante altas. Só
que isso não significa nada em termos reais, é só a percepção dos fatos, uma
ilusão: nos dois casos, sua perda foi de R$50mil ou 50% do seu patrimônio. Tão
simples quanto isso.
"
Toca Raul!!! usa este exemplo para criticar Paul Krugman - que disse que afinal não vamos ter uma grande depressão como a de 1929.
Discordo da crítica. A história que conta é óptima mas para ilustrar o valor que damos a quem gere o nosso dinheiro com extrema prudência.
As preferências são neste caso - como em muitos outros - assimétrias: preferimos não ganhar a perder.
E a banca ia pagando um preço muito alto por não ter ajustado a sua oferta a essas preferências - ou, mais grave ainda, por ter pensado que esta a respeitar essa preferência para si para os seus clientes.
Os banqueiros estiveram na última mais de uma década a avaliar mal o risco

terça-feira, 11 de agosto de 2009

TAP: racionalidades em conflito

A renovação da frota automóvel por parte da TAP é um interessante caso de conflito de racionalidades.

A racionalidade financeira recomendava que se substituíssem os carros - reduz os custos. (não há a alternativa de acabar com o direito a carro a quem já o tem).

A racionalidade económica e social recomendava que se mantivessem os mesmos carros dada a conjuntura em que vive a empresa - prejuízos e salários sem aumentos.

Consciente ou inconscientemente, a administração da empresa escolheu a racionalidade financeira. E reacendeu a instabilidade económica e social na empresa.

Qual teria sido a melhor escolha? Se a greve assumir a dimensão que os sindicatos afirmam - 70% dos trabalhadores - os prejuízos financeiros causados podem ultrapassar a poupança

domingo, 9 de agosto de 2009

A crise vista pela Rolling Stone


"The Great American Bubble Machine" na Rolling Stones. A máquina é a Goldman Sachs

A conjuntura...

... mostrada.

Liberdades - editorial e de oportunidades

A ERC deve merecer todo o nosso respeito institucional. Mas parece não o querer.
A decisão de limitar a liberdade editorial recomendando que se suspenda a colaboração, em colunas de opinião, de todos quantos constem das listas de candidatos às próximas eleições é:
  • levar a um tal limite a igualdade de oportunidades que, no limite, todos deveiam ter acesso aos espaços de opinião dos jornais, rádios e televisões
  • elevar a igualdade de oportunidades a um valor quase absoluto, acima da liberdade editorial e até, como salienta a Confederação de Meios, acima do direito ao trabalho.
  • No limite, para se respeitar o entendimento de igualdade de oportunidade subjacente à recomendação da ERC, assim que nascemos devíamso todos ser colocados no mesmo espaço para termos oportunidades iguais.

O que é mais assustador - além da incompreensão do que é a liberdade de imprensa e editorial e o que é, no limite, a liberdade individual - é saber que a ERC, como funciona, é o resultado do entendimento dos dois grandes partidos do regime, o PS e PSD.

Há muito a corrigir nos media, em Portugal, como no mundo em que há liberdade de imprensa. Mas não é por aqui.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Os prejuízos das Empresas do Estado

O Relatório de 2008 do Sector Empresarial do Estado foi divulgado hoje. Alguns pontos que vale a pena reter:
  1. Prejuízos globais ultrapassam os mil milhões de euros, mais 165% que em 2007. Mas podem ser explicados pela queda da bolsa com impacto na Parpública.
  2. Os prejuízos operacionais depois de subsídios - que medem a margem do negócio sem os efeitos financeiros - foram de 403,9 milhões de euros, contra 169,4 em 2007, mais 338,4%.
  3. Os Transportes - um clássico - e a Saúde - o que começa a afirmar-se - são os sectores que alimentaram estes prejuízos.
  4. Os subsídios concedidos pelo Estado diminuíram. Justificação no relatório: a queda deve-se à redução dos subsídios para investimento por causa do fim do QREN.
  5. O recurso a empréstimos aumentou 47,9%, subida que é explicada por três empresas: Parpública - sociedade financeira afectada pela queda da bolsa -, Refer - um clássico - e as Estradas de Portugal.

Os novos monstros começam a crescer.