quinta-feira, 11 de junho de 2009

A coesão do euro

A ler Barry Eichengreen no FMI sobre o tema tabu: a tentação de sair do euro





A probabilidade dada pelo "mercado" de um país sair do euro até 2010 pode ser vista aqui mais acualizada (está mais baixa).

A tentação de alguns países, mais afectados pela crise do que outros, de estarem fora do euro.

O que está a contecer prova que podem existir choques assimétricos na área do euro - aspecto recusado por muitos economistas na altura da estreia da moeda única. E expõe de novo o debate, no lançamento do euro, sobre "zonas monetárias óptimas".

A tentação é visível na pressão que estão a sentir nas taxas de juro que alguns, como a Irlanda e a Grécia, estão a pagar pela sua dívida pública. Não pagariam menos mas poderiam desvalorizar a moeda, melhorando a sua competitividade e, por essa via, evitando taxas de desemprego tão elevadas - como as da Irlanda e de Espanha.



Obviamente que se a Zona Euro tivesse - como devia ter - um orçamento para enfrentar estas crises -ajudando os mais violentamente afectados pela crise, como a Irlanda e a Espanha, não estaria com tantos problemas.


Como diz o FMI, esta crise é também um teste de coesão aos países da Zona Euro.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Em Belém mantém-se a sensatez

O Presidente da República não promulgou as alterações à lei do financiamento dos partidos.

Aquela lei meio aprovada à socapa por todos os partidos e que apenas mereceu criticas de um deputado, o socialista António José Seguro.

Um dos argumento do Presidente é obviamente o mundo em que queriam ficar os partidos: um modelo de financiamento "tendencialmente público" como tinha aprovado anteriormente, e aumentar significativamente a possibilidade de doações privadas sem se saber quem dava o quê.

O mal que o financiamento dos partidos está a fazer às democracias recomendava que a classe política fosse mais sensata e procurasse solução mais adequadas para um tema destes, tão debatido no mundo.

Por vezes parece que o maior inimigo dos partidos e da democracia são os próprios políticos.

A actuação do Presidente da República tem sido determinante para limitar os danos que se estão a fazer ao regime.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Constâncio e a irresponsabilidade dos políticos

Transformar Vítor Constâncio no culpado pelo que a banca fez é de uma demagogia e cobardia inacreditável. Mais uma vez a classe política a fugir às suas responsabilidades.

Quem fez as leis que o Banco de Portugal cumpre? Tal como as leis que todos os reguladores do mundo ocidental cumpriam tal como os meios que os governos lhes davam.

Portugal tal como os países ocidentais seguiram a linha da desregulamentação. A linha da libertinagem, confundindo mercado com selvajaria. Todos foram cúmplices.

E o PSD e PP não estão isentos dessa responsabilidade de desregulamentação sem qualquer educação financeira.

A classe política, pelas opções que escolheu para resolver as falhas de mercado, é a principal e única responsável pelo que se passou. Foram os parlamentos e governos que criaram e viabilizaram o enquadramento jurídico que permitiu que acontecesse o que aconteceu.

Crise e escolhas

O que pode significar a Europa virar ainda mais à direita com o que todos dizem ser uma crise do capitalismo?