segunda-feira, 18 de maio de 2009

O desemprego manipulado

Há anos que quem busca o rigor confia apenas nas Estatísticas do Emprego divulgadas pelo INE e não pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional.

Há anos que o número de desempregados divulgado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional é alvo de suspeitas de manipulação.

A primeira vez que se noticiou essa manipulação foi na crise de 1993, era Cavaco Silva primeiro-ministro. O Ministério do Emprego era na altura liderado por Falcão e Cunha e a então limpeza de ficheiros foi dada pelo Público, assinada por João Ramos de Almeida.

Em todas as crises, os governos caíram na tentação de melhorar os números, indiferentes à realidade. O importante é a imagem, mais um elemento a contribuir para justificar a falta de confiança na classe política.

Este Governo caiu obviamente na mesma tentação. A notícia é do DN. A responsabilidade é obviamente do ministro Vieira da Silva.

As estatísticas do Emprego do INE têm obviamente limitações. Mas conhecemos as regras - definidas pela Organização Internacional do Trabalho - e sabemos que as estatísticas são supervisionadas pelo Eurostat. O que não impede obviamente que possam existir suspeitas de manipulação, avisadas aliás pelo Presidente da República.

"O presidencialismo do primeiro-ministro"

... classificação de Adriano Moreira.

Um debate muito rico e interessante agora no "Prós e Contras"

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Setúbal e crise

A violência no bairro Bela Vista em Setúbal é o sinal de alerta... que quem não queria ver a realidade dos efeitos da crise teimou em irritar-se, acusar de pessimismo ou de falta de rigor a todos quantos foram avisando para o processo que estava em andamento:

crise financeira...
crise bancária...
=» crise económica ... falências e desemprego
nova crise bancária ...
=»crise social...

e o sério risco de crises políticas.
Esta é uma crise que exige uma enorme responsabilidade política de líderes políticos, de empresários e banqueiros.
É nestes tempos que é preciso ser elite, ter elite política, económica e cultural.

O meu grande receio - face ao que vou assistindo - é que continue tudo muito distraído com batalhas de alecrim e manjerona.

Políticos e gestores de topo continuam a lançar achas para a fogueira.
Aqui reflecti sobre recentes actuações dos políticos.

Consciente dos limites -esperemos que temporários - à liberdade individual e às restrições que isso impõe a correr riscos reflectidos - e por isso compreendendo bem os argumentos de Pedro Santos Guerreiro pelo não ao corte dos prémios no debate escrito no Negócios - aqui apoiei o corte aos prémios dos gestores.

Vale a pena ter cuidado com o que se anda a fazer e a dizer.

Para quem se interessa por esta crise

Why do people turn subprime?