
Paul Krugman está na Europa e resolveu olhar para a economia espanhola.
Spanish doldrums assim se chama o seu post que termina dizendo que vai ser muito feio, o futuro da economia espanhola.
Olhando para os seus gráficos conclui-se de imediato que também poderiam ser, com pequenas diferenças, sobre Portugal.
Aqui está exactamente a mesma fotografia mas para Portugal:
- custos unitários do trabalho a subirem mais que a zona euro, com a pequena vantagem de terem aumentado menos que em Espanha desde 2004
- défice externo crescente e acima dos 10% do PIB.
Hoje o Negócios tem hoje uma entrevista com Teresa Ter-Minassian - a 'mulher sem rosto' do início dos anos 80 quando Portugal negociou o segundo plano de ajuda do FMI. E uma das suas preocupações é obviamente o elevadíssimo défice externo português aliado ao baixo crescimento.
A evolução dos custos unitários do trabalho e o défice externo permitem perceber melhor as razões que levam Silva Lopes a afirmar que terá de existir cortes nos salários e a criticar o aumento salarial da função pública deste ano.
A alternativa a este ajustamento - aceitar cortes nos salários nominais mais elevados - poderá ser um nível de desemprego nunca visto em Portugal.
"(...)this is going to be ugly.", diz Paul Krugman falando de Espanha.

