terça-feira, 17 de março de 2009

Ainda o pão e a liberdade

O limite de sal no pão regulamentado por decreto-lei é apenas um exemplo que parece não ter importância nenhuma para a crescente invasão do Estado na vida privada de cada um.

Tenho pena que valorizemos tão pouco a nossa liberdade individual. Tenho pena que as reacções a este post tenham surpreendentemente, para mim, apoiado a iniciativa de regulamentar o teor de sal no pão.

Existem sempre excelentes argumentos para justificar a entrada do Estado na vida privada de cada um. O problema é exactamente esse. É darmos mais valor a esses argumentos do que à nossa liberdade de escolher.

Um dos argumentos é o da saúde. Até onde nos pode isso levar? A uma polícia da alimentação que vem a nossa casa medir o teor de sal, de gordura...?

É sempre mais fácil regulamentar do que ensinar, educar, formar...para que se possa viver a liberdade. Mais fácil e mais útil para todos os tipos de poderes.

domingo, 15 de março de 2009

A estupidez não tem (mesmo) limites... no pão

O projecto de lei que prevê um teor máximo de sal no pão português foi aprovado, ontem, na generalidade, no Parlamento, com cinco votos contra do CDS-PP e uma abstenção do PSD, mas tudo indica que vai ser necessário limar muitas arestas quando passar à discussão na especialidade. Até porque o PS admite que é possível abrir excepções para os produtos tradicionais.
(...)
"A estupidez tem limites", reage o presidente da Associação dos Industriais de Panificação, Pastelaria e Similares do Centro, Carlos Santos, notando que 80 por cento das padarias desta região já vende pão com valores iguais ou inferiores ao estipulado no diploma.
No Público de ontem (sem link disponível).

Regulamentar o teor de sal no pão????
Não há palavras, de facto

Jack Welch e o valor para o accionista

Em entrevista ao FT Jack Welch o pai do "valor para o accionista" renega o "valor para o accionista" como estratégia:

"On the face of it, shareholder value is the dumbest idea in the world," he said. "Shareholder value is a result, not a strategy . . . Your main constituencies are your employees, your customers and your products."

Tempos de mudança.

sexta-feira, 13 de março de 2009

A crise em infografias

27 infografias para compreender a crise - fantásticas

Uma das minhas preferidas:
Where Did All the Money Go? by Emilia Klimiuk






A manifestação, a crise e a demagogia

Foto de sapo.pt

Mais uma manifestação de dimensão surpreendente.
É de toda a sensatez não desvalorizar. Há energia para sair de casa e andar pelas ruas de Lisboa a gritar palavras de ordem a uma sexta-feira véspera de fim-de-semana.

A crise económica em Portugal ainda vai no seu início - tudo o indica.
Quem não se preocupa com estas imagens, com a energia que trasmitem, não consegue compreender os riscos que corremos por aqui e na Europa.

Peço desculpa pela auto-promoção mas revisito o editorial que escrevi no Negócios:
Demagogia e Crise

O contributo da contabilidade

The Dow Jones industrials shot up 240 points to a two-week high of 7,170, bringing its gains over the past three days to 622 points, or 9.5 percent.(...)
The rally got an extra dose of adrenaline Thursday after an accounting board told Congress it may recommend an easing in financial reporting rules (...)

Com novas regras contabilísticas se salvam - também - os bancos.

quinta-feira, 12 de março de 2009

O défice externo...a grande ameaça portuguesa

Como apesar do fraquissimo crescimento económico o défice externo português se expandiu - a restrição financeira desapareceu com o euro, ficou a restrição económica que se paga com desemprego se as políticas públicas não adoptam - como não adoptaram - restrições à expansão do crédito/ endividamento.

É aquele significativo e acumulado défice externo que pode conduzir a uma subida muita acentuada do desemprego nesta crise.