terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Os 'hedge funds' sem risco sistémico?
Não consigo perceber o que leva António Borges a dizer que os 'hedge funds' não têm risco sistémico:
“O modelo dos ‘hedge funds’ provou ser viável e não apresenta risco sistémico”, disse António Borges, na conferência organizada pelo Comité Europeu de Reguladores de Valores Mobiliários (CESR) para debater o futuro da regulação, que decorre hoje em Paris.
Em 1998 o 'Long Term Capital Management' teve de ser salvo pelas autoridades norte-americanas por causa do efeito dominó que teria na banca. Estava altamente endividado e não conseguiria pagar os seus empréstimos devido às perdas apuradas por aplicações em dívida russa.
Estava na altura a seguir a assembleia geral do FMI em Washington. Antes de se saber qual a decisão das autoridades, o ambiente era lúgubre.
Vários estudos do FMI na altura defenderam que era preciso integrar os 'hedge funds' no sistema, ou seja, era preciso supervisioná-los.
Hoje o tema volta de novo como se viu na Cimeira deste fim-de-semana em Berlim - e espero que passem finalmente a ser supervisionados porque têm de facto externalidades negativas que é preciso moderar.
É importante manter os 'hedge funds' - simplisticamente uma espécie de grupo de grandes investidores que juntam o seu dinheiro numa carteira que entregam à gestão de profissionais. Estes profissionais aplicam esses recursos e usam depois os títulos que adquirem como garantia para contrair empréstimos que por sua vez voltam a aplicar em títulos.
Mas obviamente que não pdoem funcionar, pela dimensão que alguns têm, sem regulação. Um 'hedge fund' não é propriamente um grupo de amigos que com meia dúzia de tostões aplicam as suas poupanças na bolsa.
“O modelo dos ‘hedge funds’ provou ser viável e não apresenta risco sistémico”, disse António Borges, na conferência organizada pelo Comité Europeu de Reguladores de Valores Mobiliários (CESR) para debater o futuro da regulação, que decorre hoje em Paris.
Em 1998 o 'Long Term Capital Management' teve de ser salvo pelas autoridades norte-americanas por causa do efeito dominó que teria na banca. Estava altamente endividado e não conseguiria pagar os seus empréstimos devido às perdas apuradas por aplicações em dívida russa.
Estava na altura a seguir a assembleia geral do FMI em Washington. Antes de se saber qual a decisão das autoridades, o ambiente era lúgubre.
Vários estudos do FMI na altura defenderam que era preciso integrar os 'hedge funds' no sistema, ou seja, era preciso supervisioná-los.
Hoje o tema volta de novo como se viu na Cimeira deste fim-de-semana em Berlim - e espero que passem finalmente a ser supervisionados porque têm de facto externalidades negativas que é preciso moderar.
É importante manter os 'hedge funds' - simplisticamente uma espécie de grupo de grandes investidores que juntam o seu dinheiro numa carteira que entregam à gestão de profissionais. Estes profissionais aplicam esses recursos e usam depois os títulos que adquirem como garantia para contrair empréstimos que por sua vez voltam a aplicar em títulos.
Mas obviamente que não pdoem funcionar, pela dimensão que alguns têm, sem regulação. Um 'hedge fund' não é propriamente um grupo de amigos que com meia dúzia de tostões aplicam as suas poupanças na bolsa.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
A recessão e o jornalismo

Dia 14 de Novembro de 2008 a primeira página do Negócios:
"Portugal vai terminar 2008 em recessão"
o segundo título mais importante do Negócios no dia em que o INE publicou a estimativa rápida da evolução do PIB no terceiro trimestre. O trabalho estava fundamentado com as previsões da Comissão Europeia e alguns economistas da banca.
Estava o jornal na bancas com este título quando saíram os números do INE. Parecia que o Negócios se tinha enganado. O Instituto dizia que a economia tinha estagnado.
O primeiro-ministro manifestou nesse dia, em publico, o seu desagrado com o título de primeira página do Negócios.
Ainda que o texto estivesse inatacável - citava fontes credíveis como a Comissão Europeia.
Aos jornalistas disse: "A nossa economia resiste e continuará a resistir", afirmou José Sócrates, à margem de uma conferência promovida pela Caixa Geral de Depósitos.
Dia 9 de Dezembro o INE publica os dados finais do PIB do terceiro trimestre e afinal a economia tinha caído ligeiramente face ao trimestre anterior (menos 0,1%).
E dia 13 de Fevereiro o INE revela que o PIB caiu 2% no quarto trimestre face ao trimestre anterior.
De acordo com a definição simplista de recessão Portugal terminou o ano em recessão, como antecipou o Negócios usando apenas as regras jornalísticas - citando fontes como a Comissão Europeia. Fizémos o nosso trabalho e é pena que mesmo quando é feito com toda a seriedade o poder - qualquer poder - seja tão irascível.
Os governos têm o direito e até o dever de gerir as expectativas. Os economistas têm o dever de analisar tecnicamente a conjuntura. Os jornalistas têm o dever de informar como uns e outros lêem a realidade.
O que os governos não têm o direito é de querer que também os jornalistas façam gestão de expectativas. Se o fizessem não estavam a cumprir o seu dever de informar/ relatar o que se passa de forma tão rigorosa como lhes seja possível.
Ninguém está feliz com o estado de recessão agravada pela queda da inflação em que o país vive. Bem pelo contrário. Quem me dera que estivéssemos errados.
Declaração de interesses: Sou jornalista e assumo neste momento funções como directora-adjunta do Negócios.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Ouvir atentamente Alexandre Soares dos Santos
“Chegou a altura de dizer basta, de nos organizarmos porque a iniciativa privada em Portugal não tem ninguém que a represente minimamente. Existem umas tantas confederações que não são mais que emprego certo para umas tantas pessoas. Não falam por nós, estão ligadas ao poder e só nos prejudicam. Temos que ser uma voz activa independente”,
“Enfrentamos uma crise social enorme que está a ser ainda pior devido à acção dos políticos. Ainda no outro dia ouvi um político na televisão a falar do capital como uns malandros que tudo estragam e nada estão a fazer. Esquecem-se que 25 de Abril houve um, não dois. A iniciativa privada não tem que aturar isto e, se assim for, passem muito bem que nós temos para onde ir.”
“Enfrentamos uma crise social enorme que está a ser ainda pior devido à acção dos políticos. Ainda no outro dia ouvi um político na televisão a falar do capital como uns malandros que tudo estragam e nada estão a fazer. Esquecem-se que 25 de Abril houve um, não dois. A iniciativa privada não tem que aturar isto e, se assim for, passem muito bem que nós temos para onde ir.”
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
"Essas notícias são ridículas"...
... assim se manifestou um participante do fórum desta manhã da TSF.
O debate era o que podemos fazer para ultrapassar a crise, com uma condição, não falar do Estado.
E os motes: o restaurante inglês que - por causa da crise - adoptou a política de cada um pagar o que quer - e assim está a ser falado por todos nós - aumentou certamente a sua clientela e crise não há para ele.
E a cadeia hoteleira que se lançou também para cada um paga o que quer num dia específico.
Tal como aquela famosa notícia que percorreu o mundo de Larry Flint pedir também a ajuda do Estado americano, também estes são casos de 'marketing'. Interessantes, mas de 'marketing' como bem observava o ouvinte da TSF - e foi dizendo, sem que se quisesse ouvir, o responsável da cadeia hoteleira.
A crise como produto é um tema interessante. As operações de promoção que se fazem usando a crise são temas interessantes. Mas na perspectiva da criatividade dos gestores em conquistar clientes em tempos de crise.
Casos em que os media são usados sem sequer repararem.
O debate era o que podemos fazer para ultrapassar a crise, com uma condição, não falar do Estado.
E os motes: o restaurante inglês que - por causa da crise - adoptou a política de cada um pagar o que quer - e assim está a ser falado por todos nós - aumentou certamente a sua clientela e crise não há para ele.
E a cadeia hoteleira que se lançou também para cada um paga o que quer num dia específico.
Tal como aquela famosa notícia que percorreu o mundo de Larry Flint pedir também a ajuda do Estado americano, também estes são casos de 'marketing'. Interessantes, mas de 'marketing' como bem observava o ouvinte da TSF - e foi dizendo, sem que se quisesse ouvir, o responsável da cadeia hoteleira.
A crise como produto é um tema interessante. As operações de promoção que se fazem usando a crise são temas interessantes. Mas na perspectiva da criatividade dos gestores em conquistar clientes em tempos de crise.
Casos em que os media são usados sem sequer repararem.
Desculpas dos banqueiros ... só 15 vezes
O Times contou as palavras ditas pelos banqueiros do RBS e HBOS que estiveram no Parlamento inglês ontem respondendo pelo que fizeram nos seus bancos.Afinal as palavras "sorry" e "apologise" foram ditas poucas vezes - cerca de 15.
Muitos menos que, por exemplo, "experiência", uma expressão que, convenhamos, é pouco apropriada para quem deixou cair os seus bancos.
As palavras mais ditas foram 'risk' , 'board' e 'banks' - inevitavelmente.
Banqueiros pediram desculpas acabou por ser a notícia.
Uma notícia quantitativa teria de ser qualquer coisa à volta do risco?
Proteccionismo, curto prazo, longo prazo
Questão colocada no Negócios. No momento em que escrevo tinham votado 201 pessoas - a esmagadora maioria defende o proteccionismo.É um erro. A economia e a história ensinam que é um erro.
Mas quando leio argumentos tão fortes como os de João Rodrigues e Paul Krugman. Não deixo de ter dúvidas.
Enfrentamos o habitual conflito entre o curto prazo e longo prazo?
É verdade que uma política orçamental expansionista nos Estados Unidos - consumidores e devedores - corresponde a fazer pagar impostos aos americanos pelo crescimento dos outros - uma parte do estímulo vai para o resto do mundo. Mas esse resto do mundo consome depois produtos americanos.
Um modelo estático - que olhe apenas para os efeitos de primeira ordem - não me parece que apanhe o impacto global de uma política orçamental. Ganham os outros mas ganham também os americanos.
No caso português, o proteccionismo ainda faz menos sentido. Como economia fechada seríamos indiscutivelmente mais pobres.
O Presidente da República falou sobre isso hoje (ontem).:
E o que escreveu há dias sobre Willem Buiter sobre "Buy American" e "British jobs for British workers"... o caminho para a depressão.
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