segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Queremos um banqueiro que seja banqueiro

It is time for banks to behave like banks

No FT com uma violência mais do que justificada.

Criticar o comportamento totalmente irresponsável dos banqueiros não é ser contra o capitalismo. É salvar o capitalismo.

Não nos devemos envergonhar nem sentir que nos estamos a deixar arrastar pelos sentimentos da inveja por criticar os salários e prémios milionários que recebem - e insistem em continuar a receber apesar de alguns só existirem porque foram salvos pelo Estado - que tanto criticaram e tanto conseguiram condicionar e limitar.

O argumento de que sem esses salários não se consegue atrair os melhores - bom com esses salários não se conseguiu atrair os melhores como a situação em que vivemos o demonstra.
E já agora, qual será o emprego alternativo que têm?

Nós já temos um 'bad bank'

Lembram-se da Finangeste? Criada para ficar com o crédito malparado das crises de 1973/74, 1979 e da Revolução. O nosso 'bad bank'.

Pois ainda existe:
Em 2007 teve lucros de 19 milhões dee euros explicados por "outros resultados de exploração"- Não se consegue saber o que é. E apesar dos custos de pessoal terem sido da ordem de 1,5 milhões de euros.
Aqui o relatório e contas anual de 2007 - ou seja, duas folhas, uma com o balanço, outra com a demonstração de resultados. E o semestral de 2008 aqui.
Pelo que se pode ver nas contas e na lista de venda de imóveis já vai fazendo algum trabalho de 'bad bank'.

Pequenos sinais de início do fim da crise

Há sinais de maior oferta de crédito às empresas nos Estados Unidos mas ainda com a procura a cair, como se pode ver aqui.

Também na área do euro começam a existir sinais de alívio, com os bancos a dizerem que estão a restringir menos ao crédito, segundo os últimos dados dos inquéritos aos bancos.

Em Portugal ainda não existe nenhum sinal. Os bancos continuam a afirmar que pretendem restringir ainda mais o crédito.

O Negócios tem hoje um trabalho sobre este tema. (link não disponível)

São os pequeníssimos sinais de retoma, ainda limitados aos EUA e grandes países da área do euro.

Um hamburguer no twitter

O herói do twiiter ou como ofereceram um hamburguer à Alberta:
Uma grande história esta que Paulo Querido aponta, tão bem contada por Pedro Aniceto. :-)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Sobre a vida (e morte) do jornalismo 4 [e fim]

E estamos condenados a esta miséria?
Sinceramente, acho que sim. (...)
termina jmf num post de leitura obrigatória para quem é jornalista ou se interessa pelo tema pela recomendação de leitura que faz.

Não sou tão pessimista. Mais, não considero que se esteja num estado de "miséria".
  1. O jornalismo e os jornalistas integram o sistema, não estão fora dele. São um dos vectores de peso e contra-peso do equilíbrio de poderes de uma sociedade. Reflectem as suas qualidades e defeitos.
  2. O jornalismo vive momentos de fortíssimos abalos, determinados pelas alterações tecnológicas. É uma das actividades mais abalada pela velocidade da informação e ainda não encontrou o seu novo quadro de actuação no novo mundo. Como conjugar a velocidade de informação com a notícia?
  3. O jornalismo, como muitas outras actividades afectadas pela internet, está a ser em grande parte dirigido pela procura - dar às pessoas o que elas querem. E hoje é muito fácil saber o que as pessoas querem. Para quem defende a liberdade individual de forma absoluta, isto não é um problema. Mas passa a ser um problema quando "o que as pessoas querem" tem efeitos adversos na sociedade - externalidades negativas, como lhes chamam os economistas. Por isso deve existir a regulação, com sensatez.

Sobre a vida (e morte) do jornalismo 3

Acresce ao que já se disse o facto de hoje em dia as redacções serem uma espécie de voz do dono. (...)
continua jmf.

O que merece a minha discordância:
  1. Começo pela contradição de jmf com o seu primeiro post. Se os media publicam e republicam o que uns e outros escrevem - o que se observa factualmente - não se pode verificar, pelo menos na totalidade, essa "voz do dono" através da "luta entre grupos de media, seja através da supervalorização de notícias e personalidades do grupo, seja pela exclusão das dos grupos adversários".
  2. Mas sim, também me parece que é possível comprovar factualmente que órgãos de comunicação do mesmo grupo tendem a dar relevo às notícias produzidas dentro do grupo. Daí não se pode concluir que sejam a "voz do do dono". Todos os grupos trabalham no objectivo de integração de redacções - a famosa turbina informativa que produz notícias para várias plataformas, tv, rádio, papel, online - é o sonho de qualquer grupo de media.
  3. Do ponto de vista puramente jornalístico - à luz do princípio da confirmação da informação antes de a transformar em notícia - é racional que se confie mais em notícias produzidas pelo grupo.
  4. Quanto à questão do papel das redacções e directores na defesa dos interesses empresariais do grupo - tese defendida por todos os partidos que assumem o poder - parece-me manifestamente exagerado tudo o que se diz sobre essa matéria. Se assim fosse, dado o poder que o Estado tem na economia portuguesa, nenhum órgão de comunicação se atreveria a publicar notícias desfavoráveis a um qualquer Governo.
  5. Sim, eu conheço a tese de "criticar para obter o que se quer, ou criticar porque não se obteve o que se quer". A minha experiência diz-me que na esmagadora maioria dos casos, as acusações dos protagonistas do poder não têm qualquer fundamento e parecem ser muito mais estratégias para condicionar a informação.
  6. Dito isto, há com certeza condicionalismos impostos pelo facto de os media serem também empresas. Mas esses condicionalismos, sobre os quais já escrevi numa análise para o caso do jornalismo económico, não danificam o dever de informar e a obrigação de servir os leitores. Nem violam princípios básicos de deontologia.

Sobre a vida (e morte) do jornalismo 2

As redacções portuguesas estão hoje repletas de gente profundamente impreparada. (...)
E não se pense que isto se aplica apenas aos jovens estagiários. Nada disso. Pela escala acima, incluindo editores e mesmo directores, é uma desgraça. Não é apenas o factor juventude - embora também o seja -, mas acima de tudo o factor cultura. Cultura, no sentido mais lato do conceito, mas também mera cultura jornalística. E cultura cívica, principalmente.
escreve jmf no seu segundo post, a ler.

Correndo o risco de ser acusada de estar a defender a corporação:
  1. ...gente profundamente impreparada, não posso concordar. Há hoje nas redacções jornalistas muito mais preparados que no passado, quando se tratam de matéria técnicas.
  2. ... falta de cultura cívica, assim é se incluirmos aqui a leviandade com que algumas matérias parecem ser tratadas. Nomeadamente as que envolvem direitos individuais. Esquecemo-nos frequentemente que não estamos e nunca devemos julgar ninguém. Que, por muito que confiemos numa fonte, quando a acusação ou critica se dirige a alguém, temos o dever de o ouvir.
  3. ... falta de cultura cívica, sem querer desculpar-me, diria que todos nós padecemos desse mal. A leviandade com que criticamos, por exemplo, a classe política é reveladora. Como professora de jornalismo enfrento frequentemente afirmações de jovens alunos sobre a política que são aterradoras, autênticas conversas de café. (que, obviamente, tento corrigir).